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Espectro de Chávez ronda viagem de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Embora o governo brasileiro negue um papel mais ativo na relação entre Estados Unidos e Venezuela, o “fantasma” do presidente Hugo Chávez permeia a viagem que o presidente americano, George W. Bush, faz a partir desta quinta-feira por cinco países da América Latina. A própria viagem foi decidida a partir da percepção da Casa Branca de que era preciso se reaproximar da região, depois do foco total no Oriente Médio a partir de 2001. Mas a crescente influência de Chávez – com presidentes aliados vencendo eleições no ano passado na Bolívia, Nicarágua e Equador – tornou o assunto mais urgente. Como disse o subsecretário de Estado de Assuntos Políticos ao anunciá-la, Nicholas Burns, a viagem se concentraria “numa agenda positiva com países amigos”. Por isso, além de Brasil, Bush visita o Uruguai, Colômbia, Guatemala e México. E deixa de fora Argentina, Bolívia e Equador, países mais alinhados com Chávez. Em resposta, Chávez visita a partir desta quinta-feira a Argentina e depois vai à Bolívia. Ajuda A iniciativa do governo americano de anunciar um pacote de medidas assistencialistas foi recebida com ironia por vários analistas, que consideram os planos americanos ultrapassados em estilo e pouco ambiciosos em valores para contrapor a influência chavista. O presidente venezuelano usou nos últimos anos seus petrodólares para implantar generosos projetos de ajuda aos países mais pobres da região. Se há alguns anos as diferenças entre Estados Unidos e Venezuela se resumiam à linguagem forte do presidente venezuelano, às vezes respondida por algum funcionário de segundo escalão do Departamento de Estado, a partir de sua reeleição Chávez começou a colocar o discurso em prática. Nos últimos meses, o presidente venezuelano anunciou a nacionalização de empresas estrangeiras e ameaçou confiscar ou fechar empresas que não cumprirem o tabelamento de preços determinado pelo governo, além de medidas de restrição à liberdade de imprensa. Tanto a Casa Branca quando o Planalto afirmam que a Venezuela não é o ponto central do encontro entre Lula e Bush. O assunto mais importante, para os dois países, é uma parceria na área de etanol, para criar um mercado internacional para o combustível. Os dois respondem por 72% da produção mundial. O governo brasileiro não critica publicamente Chávez, mas de vez em quando manda recados e faz o possível para se diferenciar do vizinho bolivariano. Na cerimônia de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro, o presidente Lula disse que o crescimento não pode acontecer às custas da democracia. “Assim como não adianta crescer sem distribuir, não adianta crescer sem democratizar”, afirmou, no que foi interpretado como um claro recado ao país de Hugo Chávez, um dos que mais cresce na região. Exemplo Quando foi questionado sobre o que o Brasil tinha a oferecer aos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse que o país podia oferecer o próprio exemplo. “Uma postura de forte apoio à democracia, de forte cunho social. Uma influência positiva na região, não uma influência de hegemonia. Uma influência por contato”, afirmou o ministro. Nesta quarta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que o governo não considerava que tinha que escolher entre os dois parceiros porque relações externas do Brasil “não são excludentes”. Por outro lado, o Brasil não se recusou a vender equipamentos militares para a Venezuela, que está reequipamento suas Forças Armadas e vem sendo acusada por Washington de querer comprar armamentos “acima da sua necessidade”. O negócio para a venda de aviões Super Tucano da Embraer só não saiu em 2005 porque foi vetado pelo governo americano, já que os aviões têm componentes produzidos naquele país. O colunista do jornal americano Miami Herald Andrés Oppenheimer, autor de uma coluna sobre América Latina, escreveu sobre o encontro dos dois presidentes que Lula “vai ficar um pouco mais perto de Washington, mas não o vejo e tornando um muro de contenção contra Chávez”. Ele lembra que Lula não pode antagonizar seus eleitores de esquerda e criticar Chávez publicamente, e portanto deve continuar fazendo o que já faz: “criticar Chávez em privado (e permitir que seus comentários sejam vazados para a imprensa), enquanto o elogia em público”. Como resultado dos dois encontros este mês entre Lula e Bush, Oppenheimer diz que no máximo as críticas vão aumentar e os elogios diminuir. |
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