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Bush se volta para América Latina graças a Chávez, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A mudança de política dos Estados Unidos em relação à América Latina, explicitada pela visita do presidente George W. Bush à região, nesta semana, ocorreu graças ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, segundo afirma editorial publicado nesta quarta-feira pelo diário The New York Times. “A Venezuela e seu demagogo presidente, Hugo Chávez, não receberão a visita do presidente Bush, mas o apelo de Chávez estará bem na mente de Bush quando ele estiver visitando a América Latina”, diz o editorial. Para o jornal, somente um grande esforço dos Estados Unidos, a maior economia e a mais forte democracia do hemisfério, pode fazer uma diferença para tirar milhões de pessoas da pobreza na região. “Se foi preciso a demagogia de Chávez para incitar Washington a adotar políticas mais iluminadas nas Américas, que assim seja”, diz o editorial. “Quando Bush concorreu pela primeira vez à Presidência, há sete anos, ele disse que, como governador do Texas, ele tinha um entendimento especial da América Latina e uma empatia pela região. Com a reputação de Washington no hemisfério chegando ao seu ponto mais baixo da história recente, não haveria uma hora melhor para colocar esse entendimento e essa empatia para trabalharem”, conclui o editorial. Aliança com os Estados Unidos O Washington Post também comenta a visita de Bush em editorial nesta quarta-feira, comentando que as pesquisas mostram que a popularidade de Chávez é tão baixa quanto a de Bush nos países latino-americanos. Segundo o jornal, o dever de Bush é “demonstrar que aqueles que escolhem uma aliança com os Estados Unidos e com o mundo democrático se beneficiam mais do que o apanhado de aliados da Venezuela, liderados por Cuba e Irã”. O Washington Post afirma, porém, que “Bush ainda não está fazendo o suficiente para dar a esses países o que eles querem de Washington”. “O Brasil, por exemplo, gostaria de uma redução nas barreiras comerciais dos Estados Unidos”, diz o editorial, afirmando que o presidente americano não deve oferecer a remoção da “tarifa sem sentido” sobre a importação do etanol brasileiro. “Bush nunca será capaz de ganhar uma guerra de retórica contra Chávez. Mas os Estados Unidos deveriam ser capazes de oferecer mais do que a Venezuela pode aos latino-americanos desejosos de melhorias sociais e econômicas. Seis anos após Bush ter prometido fazer da região a prioridade de sua Presidência, ainda não é tarde demais para cumprir a promessa”, conclui o texto. Manifestações em São Paulo Reportagem do diário espanhol El País relata a participação do Partido dos Trabalhadores nas manifestações contra a visita de Bush a São Paulo e diz que “esta decisão, evidentemente, não agradou a Lula, que aprecia suas boas relações pessoais com seu homólogo”. O jornal comenta que esse tipo de manifestações não é incomum nos lugares por que passa Bush, mas afirma que a peculiaridade no caso do Brasil é a participação do partido do próprio presidente. “A assessoria de comunicação do partido explica afirmando que o PT não é o governo e que sempre apoiou os movimentos sociais e suas reivindicações”, diz a reportagem. O jornal argentino La Nación também comenta o assunto, dizendo que “paradoxalmente, enquanto o governo de Lula colabora com os serviços de inteligência americanos para a mais ampla operação de segurança que a cidade de São Paulo tenha visto, o PT estará do lado daqueles que gritarão ‘Fora, Bush’ e outras palavras de repúdio”. O jornal diz, porém, que a polícia federal deve isolar por várias centenas de metros os lugares pelos quais Bush passará, com o objetivo de que ele nem mesmo tome conhecimento das manifestações. Mas a reportagem afirma que a maioria em São Paulo estará à parte dessa polêmica. “Os problemas que se esperam nesta cidade, onde circulam mais de 5 milhões de veículos por dia, pouco têm a ver com exaltações ideológicas. São muito mais pragmáticas, como o capitalismo que a sustenta: enormes congestionamentos”, diz o jornal. Estrangeiros no etanol Reportagem do Wall Street Journal nesta quarta-feira afirma que o ‘boom’ global do etanol vem atraindo investidores estrangeiros ao setor no Brasil, mudando uma indústria dominada tradicionalmente “por operações familiares, focadas no açúcar, não no álcool”. A reportagem cita investimentos como os feitos recentemente por uma empresa controlada pelo milionário George Soros e por um fundo de investimentos americano, que adquiriram um moinho de cana e planejam investir mais de US$ 700 milhões em uma nova usina para produzir etanol. Segundo a reportagem, os estrangeiros respondem por algo entre 20% e 35% dos novos projetos no setor. “Para tais investidores, o mercado dos Estados Unidos permanece como um grande atrativo, apesar de uma tarifa de mais de 50 cents por galão sobre o etanol importado”, afirma o jornal. “Se o pedido de Bush para que os Estados Unidos usem 35 bilhões de galões de combustíveis renováveis até 2017 for atendido, o etanol de milho (produzido pelos Estados Unidos) deve suprir apenas metade disso. Os investidores acreditam que as importações preencherão um nicho significativo e que o único país em condições de ser um grande exportador é o Brasil”, diz a reportagem. |
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