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Irã promove evento para se aproximar da América Latina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em um momento em que o Irã se isola cada vez mais dos países ocidentais do hemisfério norte por causa do impasse sobre seu programa nuclear, o governo do país tenta se aproximar de outras nações, como as latino-americanas. O Ministério de Assuntos Exteriores iraniano promoveu nesta terça-feira uma conferência sobre a América Latina na capital, Teerã, para “a intensificação dos laços entre o Irã e os países latino-americanos, baseados no respeito mútuo e na justiça”, segundo um comunicado do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, lido pelo ministro do Exterior, Manuchehr Mottaki. Apesar de a Venezuela ser o país mais mencionado em praticamente todos os discursos de autoridades iranianas, por causa das relações políticas próximas entre os dois países, o Brasil também foi lembrado na conferência, especialmente em seus eventos paralelos, como um seminário sobre relações comerciais realizado na segunda-feira. “Os iranianos tinham um discurso muito afinado com a Venezuela, por causa de toda a atitude antiamericana e anti-imperialista. Mas agora, por causa do isolamento do Irã na comunidade internacional, eles tentam encontrar novos parceiros na América Latina e estão usando a Venezuela como ponte para isso”, avalia o segundo secretário da embaixada brasileira em Teerã, Felipe Flores Pinto. Parceria com o Brasil Pinto é também chefe do setor de promoção comercial da embaixada e fez um discurso para empresários iranianos na segunda-feira, mostrando o potencial de investimentos existente no Brasil. “Na verdade, o foco na Venezuela é mais político, é retórica. Dos países latino-americanos, o Brasil é hoje o maior parceiro comercial do Irã e é responsável por 50% das importações iranianas”, disse. Segundo Pinto, 100% da carne bovina, da soja e do óleo de soja importados pelo Irã vêm do Brasil. “No açúcar, a situação é ainda mais evidente: os iranianos importam metade do açúcar que consomem. Desse total, 75% vem do Brasil”, afirmou. O coordenador da conferência em Teerã, Akbar Ismail, disse que o principal objetivo do evento foi “divulgar as possibilidades e as capacidades da América Latina à audiência iraniana”. Os iranianos já estariam percebendo o potencial do Brasil, na opinião do representante brasileiro. “Existe um interesse genuíno no Brasil, principalmente por parte do setor privado, que tem muito dinheiro. Nos últimos seis meses o número de vistos do Irã para o Brasil praticamente dobrou e a maioria é para pessoas com interesses em negócios”, disse Pinto. "Amigos independentes" Além do aspecto comercial, o governo iraniano também aproveitou a conferência para promover o país politicamente entre os latino-americanos presentes no evento. Segundo Ismail, “o Irã é um país revolucionário e independente, assim como muitos países da América Latina”. “Estamos buscando amigos independentes que queiram ter uma verdadeira relação longe de qualquer arrogância e domínio de alguns países ocidentais. Acho que a América Latina é um bom lugar para isso e para desenvolver a cooperação sul-sul.” Desde que tomou posse, o presidente Mahmoud Ahmadinejad tenta fortalecer as relações até então basicamente formais do Irã com a maioria dos países da América Latina e, na opinião de Pinto, “surgiu a oportunidade de ocupar o espaço que os americanos deixaram no continente”. | NOTÍCIAS RELACIONADAS EUA aceitam conferência sobre Iraque com Irã e Síria27 de fevereiro, 2007 | Notícias Países negociam em Londres nova resolução sobre Irã26 de fevereiro, 2007 | Notícias Políticos e jornais aumentam pressão sobre Ahmadinejad26 de fevereiro, 2007 | Notícias Irã anuncia 'lançamento de foguete ao espaço'25 de fevereiro, 2007 | Notícias Irã minimiza possibilidade de ataque dos EUA24 de fevereiro, 2007 | Notícias Agência nuclear da ONU diz que Irã ignorou exigência22 de fevereiro, 2007 | Notícias Detalhes de plano de ataque dos EUA ao Irã são revelados20 fevereiro, 2007 | BBC Report Irã tenta romper isolamento em visita à América Latina13 janeiro, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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