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Atualizado às: 14 de fevereiro, 2007 - 20h43 GMT (18h43 Brasília)
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Brasil aceita mudar preço do gás da Bolívia em Cuiabá

Evo Morales e Luiz Inácio Lula da Silva
Valor do gás boliviano é um dos temas da visita de Morales
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o preço do gás importado da Bolívia para a termoelétrica de Cuiabá “é totalmente desatualizado e totalmente injusto” e que deverá ser corrigido.

A empresa privada que administra a termoelétrica paga US$ 1 por BTU (unidade de medida térmica), enquanto a Petrobras paga US$ 4,30 por BTU. O governo boliviano tem exigido um aumento dos dois preços, e tem citado o valor pago pelo governo argentino, de US$ 5 por BTU.

“Este preço está sendo corrigido e deveria ser corrigido”, afirmou Amorim.

O aumento do preço do gás destinado à termoelétrica mato-grossense é um dos pontos do acordo que será anunciado nesta quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente boliviano, Evo Morales.

Atraso

Morales chegou a Brasília no início da manhã para uma visita de Estado que deveria incluir também uma passagem pelo Congresso, acompanhado do ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, e o chanceler David Choquehuanca.

Mas o atraso de um dos aviões que trouxe parte da comitiva e outros ministros, por causa do mau tempo na fronteira entre os dois países, adiou as reuniões, onde foram discutidos o preço do gás importado da Bolívia e outros investimentos.

As reuniões se estenderam durante toda a tarde, a visita ao Congresso foi cancelada e a assinatura dos acordos entre os dois países foi marcada para a noite.

O ministro disse que o acordo para o aumento de preço do gás importado pela Petrobras, principal reivindicação dos bolivianos, ainda não havia sido concluído, e deveria incluir uma negociação mais ampla, envolvendo novos investimentos brasileiros no país.

“Um bom entendimento é necessário para os investimentos no pólo gás-químico”, afirmou Amorim.

Renegociação

Este era um dos investimentos previstos pela Petrobras na fronteira entre os dois países, que foi paralisado quando o governo boliviano decretou a nacionalização do setor de hidrocarbonetos, em maio do ano passado.

A Petrobras aceitou a renegociação dos contratos exigida pelo governo boliviano em outubro do ano passado, mas ainda não anunciou novos investimentos no país.

O aumento do preço do gás importado pelo Brasil – tanto o de Cuiabá, numa quantidade de 1,9 bilhão de metros cúbicos por dia, quanto o da Petrobras, que compra 27 bilhões de metros cúbicos por dia – é a principal reivindicação do governo boliviano.

No começo da semana, Evo Morales chegou a ameaçar cancelar a visita ao Brasil se não houvesse uma sinalização que haveria um acordo para o aumento do preço.

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