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Atualizado às: 01 de fevereiro, 2007 - 23h53 GMT (21h53 Brasília)
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Pela primeira vez, líder militar assume mortes na ditadura argentina

Homem preso em protesto contra a ditadura na Argentina, em 1982
A ditadura argentina deixou cerca de 30 mil desaparecidos
Pela primeira vez desde a volta da democracia argentina, há 23 anos, um dos líderes da repressão (1976-1983) assumiu, pessoalmente, a responsabilidade pelas torturas e mortes de opositores ao regime militar e eximiu seus subordinados.

Num longo depoimento à Justiça Federal, o vice-almirante reformado Luis María Mendía, de 82 anos, que cumpre prisão domiciliar, reconheceu: “Sou o único responsável pelos atos do meu batalhão. E acho injusto e ilegal que muitos deles hoje estejam presos”.

No depoimento de 40 páginas, ao qual a BBC Brasil teve acesso, Mendía chama opositores daquela época de “terroristas”.

Diz que era “uma guerra contra a subversão” e que todas as medidas obedeceram ordens do governo.

"Vôos da morte"

Mendía foi acusado pelo capitão de corveta Adolfo Scilingo, nos anos 1990, de planejar os chamados “vôos da morte” – quando as vítimas da ditadura eram lançadas ao rio da Prata. Atualmente, Scilingo cumpre 640 anos de prisão.

“Em nenhum momento meus subordinados excederam ordens superiores”, insistiu Mendía, nesta quinta-feira.

Mendía era comandante das operações navais quando a Escola de Mecânica da Armada (ESMA, ligada à Marinha) foi transformada em centro de tortura.

Estima-se que cerca de 5 mil pessoas passaram por ali, como recordou Carolina Varsky, diretora do Programa Memoria e Luta contra a Impunidade do Terrorismo de Estado, do CELs (Centro de Estudos Legais e Sociais).

Investigação

A “causa ESMA”, como ficou conhecida, é o principal braço da atual investigação sobre os crimes cometidos durante a ditadura argentina, com cerca de 30 mil desaparecidos, de acordo com as entidades de direitos humanos.

Nos últimos meses, o juiz federal Sérgio Torres voltou a interrogar militares acusados de participação direta naqueles crimes da que foi batizada de “mega-causa da ESMA”.

Nesta quinta-feira, ao citar nomes dos que estiveram naquele campo de tortura, o juiz Torres lembrou de mais de 600 pessoas, incluindo uma menina de quatro anos, presa, na época, com a mãe, Miriam Dvatman.

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