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Atualizado às: 08 de dezembro, 2006 - 14h19 GMT (12h19 Brasília)
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Uruguai extraditará militares argentinos acusados de tortura
O coronel José Nino Gavazzo (centro no alto) deixa a corte em Montevidéu, Uruguai
Coronel Gavazzo (centro no alto) deixa a corte em Montevidéu
Um juiz uruguaio aprovou a extradição para a Argentina de seis militares retirados e policiais argentinos, para que eles sejam julgados por crimes contra os direitos humanos cometidos durante os regimes militares no Cone Sul.

Os homens são acusados de seqüestrar e torturar 11 dissidentes uruguaios na Argentina na década de 70.

Os seqüestros fizeram parte da chamada Guerra Suja, na qual governos militares sul-americanos colaboraram em operações de perseguição de seus opositores.

Os seis homens, atualmente sob custódia no Uruguai, negam as acusações, e têm direito a entrar com recurso contra a ordem de extradição.

Prisão perpétua

O juiz Juan Carlos Fernandez Lecchini autorizou a extradição sob condição de que os homens não sejam condenados à prisão perpétua, proibida no Uruguai.

Os seis acusados são José Ricardo Arab Fernandez, José Nino Gavazzo Pereira, Ricardo José Medina Blanco, Ernesto Avelino Rama Pereira, Jorge Alberto Silveira Quesada e Gilver Valentin Vazquez Bisio.

Eles terão de responder, entre outras acusações, pelo seqüestro de Maria Claudia Garcia, nora do poeta argentino Juan Gelman.

Ela foi levada em 1976, quando estava no sétimo mês de gravidez. Maria Claudia Garcia teria sido morta logo depois do nascimento de sua filha, que foi dada para adoção.

Segundo grupos de direitos humanos, centenas de crianças argentinas vivem hoje com pais adotivos por conta dessa prática.

Investigação

A notícia da extradição vem cerca três semanas após a prisão do ex-presidente uruguaio Juan María Bordaberry, acusado de participação na morte de dissidentes durante o seu governo, na década de 70.

Bordaberry se apresentou à prisão central da capital do país, Montevidéu, no dia 17 de novembro.

Ele foi eleito democraticamente em 1971, mas, no ano seguinte, ao lado de militares, dissolveu o Congresso e baniu partidos políticos.

Os militares uruguaios assumiram o controle total do país em 1973 e depuseram Bordaberry três anos depois. Governaram até o retorno da democracia, em 1985.

Durante o regime militar, calcula-se que cerca de 180 pessoas foram mortas por motivos políticos no Uruguai.

O atual governo de esquerda de Tabaré Vázquez disse que a investigação dos abusos cometidos durante o período militar são uma prioridade.

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