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Entenda a polêmica sobre o aumento de tropas no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou oficialmente nesta quarta-feira que pretende deslocar mais de 20 mil soldados adicionais para o Iraque. Deste total, cerca de 16 mil deverão ficar situados em Bagdá e cerca de 4 mil serão deslocados para uma área considerada um reduto da rede Al-Qaeda. De acordo com a imprensa americana, o presidente está pondo em jogo a sua própria credibilidade com a nova estratégia. Os democratas, que controlam a Câmara e o Senado, dizem ser contra a proposta, mas afirmam estar dispostos a estudar com atenção o projeto do líder americano. Esclareça, abaixo, algumas dúvidas sobre o assunto: Bush conseguirá vencer a resistência dos democratas? Ele terá de fazê-lo se quiser levar seu projeto adiante. Como controlam o Congresso, os democratas têm o poder de vetar a verba necessária para a mobilização de mais tropas. Analistas militares acreditam que os democratas serão cautelosos. Ao mesmo tempo em que não querem, como disseram, "dar um cheque em branco" ao presidente, não desejam tampouco passar a impressão de que estão dando as costas às tropas de seu país. A líder dos democratas, Nancy Pelosi, disse que a estratégia traçada por Bush não é nova e já deu errado em outras duas ocasiões, mas acrescentou que os democratas analisarão com atenção a proposta do presidente. Nesta semana, o senador democrata Edward Kennedy apresentou um projeto de lei que condiciona o envio de mais tropas à aprovação do Congresso, mas a proposta do veterano político democrata teria um valor mais simbólico, já que dificilmente será votada a tempo de impedir o envio de um número extra de militares ao Iraque. O líder do Senado, o democrata Harry Reid, sinalizou para uma possível postura mais conciliatória. Ele disse que o Congresso poderia manifestar ser contra a proposta de Bush, mas se abster de vetar o envio de mais soldados. Mas os democratas radicalmente contrários à proposta do presidente poderão ganhar a inesperada adesão de republicanos que já manifestaram seu descontentamento com o projeto presidencial. A opinião pública americana aprova a proposta de Bush? Não. Ao menos é o que indicam as pesquisas realizadas nos Estados Unidos. A mais recente, feita pelo Instituto Gallup juntamente com o jornal USA Today, mostra que 61% da população do país é contra o envio de mais soldados, e apenas 36% se diz favorável ao projeto. A insatisfação com o conflito no Iraque foi um dos temas que levou os eleitores a votarem em peso nos democratas na eleição de 7 de novembro do ano passado. Quanto irá custar o envio de mais soldados? Custos ainda não foram divulgados, mas consta que o novo projeto para o Iraque, chamado de "Novo Caminho Adiante", destina cerca de US$ 1 bilhão ao governo iraquiano. A verba seria usada para investir em obras de infra-estrutura. Não existe um limite oficial do quanto pode ser gasto no conflito. Cabe ao Congresso determinar se aceita ou não investir mais. Até o momento, estima-se que o conflito já tenha custado aos Estados Unidos entre US$ 300 bilhões e US$ 400 bilhões. De onde sairão os novos 20 mil soldados? Alguns deles já estão no Iraque. A estratégia deverá ser a de prolongar o período de permanência de soldados que já estão no país em até quatro meses e antecipar em quatro meses a ida de militares que estavam de partida para o Iraque. Devido às regras militares americanas, soldados só podem permanecer por um ano em uma zona de combate. Após esse período, eles precisam regressar aos Estados Unidos e ficar em suas bases por mais um ano. Por conta disso, é possível que, para manter um número elevado de soldados no Iraque, os Estados Unidos tenham de recorrer a militares que estão na reserva. Atualmente, o país conta com cerca de 132 mil soldados no país, mas apenas 50% destes são combatentes. Os demais são tropas de apoio que costumam permanecer em seus alojamentos. Qual será o papel dos militares dentro da nova estratégia? O presidente Bush diz que eles irão atuar "lado a lado" com as tropas iraquianas. A idéia é fazer com que militares americanos realizem missões conjuntas com as forças do Iraque, de modo a treinar soldados iraquianos para que, a partir de novembro, as operações de segurança no país passem a ser feitas pelos próprios iraquianos. Cerca de 16 mil soldados americanos ficarão situados em Bagdá e nas proximidadas da cidade, que concentra a maior parte dos atos de violência sectária no país. Um total de 4 mil militares será deslocado para a província de Anbar, região de população predominantemente muçulmana sunita que, de acordo com as autoridades americanas, é o principal reduto da rede Al-Qaeda no Iraque. |
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