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Atualizado às: 05 de janeiro, 2007 - 11h19 GMT (09h19 Brasília)
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Apelo por Exército mostra crime fora de controle, diz ONU
Polícia no Rio de Janeiro
Governador do Rio pediu o envio do Exército para combater o crime
O pedido feito pelo governador Sérgio Cabral Filho para que a Força Nacional de Segurança Pública e membros das Forças Armadas ajudem no combate ao crime no Estado do Rio de Janeiro mostra que a situação está fugindo do controle das autoridades, na avaliação de um representante da ONU ouvido pela BBC Brasil.

Ao comentar o problema do Rio de Janeiro e também sobre o recente envio de tropas para o combate à violência relacionada ao tráfico de drogas em duas regiões mexicanas, Slawomir Redo, do Escritório da ONU para Drogas e Prevenção ao Crime (UNODC, na sigla em inglês), disse que isso ocorreu por conta da falta de um balanço de longo prazo entre prevenção e repressão.

"O uso das Forças Armadas significa que a situação fugiu do controle e que as autoridades civis não conseguiram cumprir seu papel nos aspectos relacionados à prevenção do crime e à prevenção ao consumo de drogas", afirmou.

Redo diz que o UNODC não tem uma posição oficial sobre o uso de Forças Armadas no combate ao crime e ao tráfico de drogas nas cidades e que portanto não poderia comentar os casos específicos, mas disse que de uma maneira geral a ONU prefere apoiar os programas de prevenção.

Segundo ele, há uma tendência global, com poucas exceções, de privilegiar a repressão em vez de realizar um trabalho de prevenção no longo prazo. “Mas uma grama de prevenção é melhor do que um quilo de repressão”, diz ele.

Clamor popular

Redo reconhece que o trabalho de prevenção, com investimentos sociais e de educação, que dêem aos jovens oportunidades e reduzam a demanda pelo consumo de drogas, “não é algo que possa ser feito de um dia para o outro”.

“Por isso há este foco na repressão, atendendo ao clamor popular”, afirma. “Se as pessoas sofrem com a violência, querem que o Estado adote ações imediatas contra o crime.”

Para ele, as atuais crises de segurança pública no Brasil e no México representam “uma boa hora para reflexão e uma revisão do atual balanço entre prevenção e repressão”.

“Com tanta ênfase em repressão, tudo o que fazemos é encarcerar cada vez mais pessoas, que depois são soltas e não recebem oportunidades de reinserção na sociedade, então voltam a praticar crimes e voltam para a prisão, num ciclo vicioso”, avalia Redo.

“Precisamos de medidas socio-econômicas de longo prazo para quebrar esse ciclo. Esta é a única solução viável para o problema”, diz.

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