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Atualizado às: 12 de dezembro, 2006 - 17h01 GMT (15h01 Brasília)
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Bispo pede união de chilenos durante missa de Pinochet

Missa reuniu 3 mil pessoas na Academia Militar de Santiago
Missa reuniu 3 mil pessoas na Academia Militar de Santiago
O bispo militar de Santiago, Juan Barros Madri, fez um apelo à “união” dos chilenos durante a missa de corpo presente do ex-presidente chileno Augusto Pinochet, realizada nesta terça-feira na Academia Militar de Santiago, com a presença de cerca de três mil pessoas.

O bispo pediu também que o “sacrifício” de muitos não tenha sido em vão e se referiu a Pinochet como ex-chefe de estado, recebendo aplausos dos familiares e amigos do homem que governou o país com mão de ferro durante 17 anos.

O corpo de Pinochet deverá ser transferido para um crematório também nesta terça-feira, encerrando as cerimônias fúnebres em sua homenagem.

O ex-presidente será cremado em respeito a um pedido seu, será transferido de helicóptero para o cemitério Parque do Mar. O nome do cemitério acabou sendo divulgado em família, que inicialmente manteve a informação secreta por temer protestos.

Os familiares de Pinochet evitaram a ministra da Defesa, Vivian Banlot, única representante do governo da presidente socialista Michelle Bachelet na homenagem ao ex-general. A ministra ficou o tempo inteiro ao lado dos representantes das Forças Armadas.

A mulher de Pinochet, Lucía Hiriarte, de 82 anos, que fez aniversário no dia da morte do marido, foi acompanhada dos filhos e netos.

Família discursa

Depois da missa, foi a vez dos discursos dos familiares do ex-general e dos atos dos soldados para o ex-chefe do Exército.

As falas dos familiares foram marcadas por elogios ao regime de Pinochet e por críticas indiretas ao atual governo, hoje nas mãos da socialista Michelle Bachelet, que foi presa durante o governo do ex-presidente.

“A quantidade de gente que veio se despedir do nosso presidente confirma o que ele fez de bem para o Chile. Tudo o que ele fez foi pelos mais pobres. E o que fez não corresponde às palavras usadas pela imprensa para denegrir sua imagem”, disse a filha do ex-general, Lucía Pinochet, uma das mais aplaudidas pelos presentes ao sair em defesa do pai.

Um dos netos do ex-general, o militar Augusto Pinochet Neto, elogiou o período de governo do avô e também foi aplaudido. “Adeus meu presidente, adeus meu general, adeus, principalmente, e obrigada ao meu avô”.

Os familiares de Pinochet se referiam a ele como “presidente”, “general” e “Tata” – seu apelido. Logo depois, o almirante (da
reserva) Juan Guillermo Toro disse que o Chile cometeu um erro ao “reescrever” a história, “esquecendo” a situação do país política e econômica do país antes da chegada de Pinochet ao poder. Também foi aplaudido pelos presentes.

Opositores do ex-general discordam que ele seja chamado de “ex-presidente”, já que não foi eleito e chegou ao poder, em setembro de 1973, após liderar um sangrento golpe de estado contra o ex-presidente socialista Salvador Allende.

Manifestação de repúdio

Em outro ponto da cidade, na Praça Constituição, em frente ao palácio presidencial de La Moneda, ao lado da estátua do ex-presidente Salvador Allende, familiares das vítimas do regime de Pinochet faziam uma manifestação de repúdio a Pinochet, erguendo fotos – das vítimas – e cartazes pedindo justiça.

Cerca de três mil pessoas desapareceram e outras milhares foram torturadas, durante os 17 anos de ditadura de Pinochet. Na homenagem a Allende, o advogado de direitos humanos Hugo Gutiérrez abriu a cerimônia em homenagem ao socialista derubado por Pinochet em 1973. “Isso não termina”, “Onde estão”, “Queremos justiça”.

Uma das filhas de Allende, Carmen Paz, que participa da manifestação para o pai, disse que espera que a justiça continue a investigar as denúncias contra Pinochet.

"É uma pena que tenha faltado coragem no país para condenar Pinochet em vida pelos crimes que cometeu. A Justiça não fez sua parte e os governos democráticos também não cumpriram a palavra de buscar o caminho para a apuração da verdade e para que Pinochet pagasse pelo que fez. Ainda temos desaparecidos no país e não vamos esquecer esse terrível capítulo da nossa história", disse Julio Ugas, integrante do Partido Comunista.

Assunto nacional

A morte do ex-general virou assunto nos bares, lanchonetes e restaurantes de Santiago.

Muitos concordam que a expansão da economia chilena deve-se ao seu modelo – respeitado nos governos democráticos que o sucederam, apesar de o país registrar uma das piores concentrações de renda da região.

Outros lamentam que Pinochet tenha morrido sem responder aos cerca de 300 processos contra ele na Justiça.

Além dos 3 mil mortes e desaparecimentos associados ao seu regime, Pinochet também enfrentava processos por corrupção. Há cerca de dois anos, uma comissão investigadora do Senado dos Estados Unidos revelou que ele ocultava milhões de dólares no Banco Riggs, de Washington.

Mais tarde, soube-se que havia outras contas em outros países. Neste ano, a Justiça chilena começou a investigar um depósito de ouro que ele teria num banco de Hong Kong.

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