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Bachelet pede união após confrontos pela morte de Pinochet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presidente do Chile, Michele Bachelet, pediu união ao país nesta segunda-feira, após uma noite de confrontos entre policiais e manifestantes que saíram às ruas por causa da morte do general Augusto Pinochet. Bachelet afirmou que o Chile não pode esquecer o passado, mas disse que agora é hora de união e reconciliação no país. "Nas últimas horas, vimos gestos de divisão que não me agradam", disse a presidente chilena. "Mas sei que temos como país, como sociedade, a fortaleza ética para conseguir o reencontro." No domingo, horas depois do anúncio da morte de Pinochet, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para manter oponentes do general longe de seus admiradores, que se reuniram do lado de fora do hospital onde ele morreu para homenageá-lo. De acordo com a polícia, várias pessoas foram presas em Santiago e no interior do Chile. O corpo de Pinochet foi levado para a Escola Militar de Santiago, onde se realiza o velório do general. Na terça-feira, o corpo do ex-presidente do Chile deve ser cremado. Honras militares Além de pedir calma aos manifestantes, a presidente Michele Bachelet também justificou a decisão do governo de não autorizar um funeral com honras de chefe de Estado para Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990. "Quando não existem leis ou normas previstas para determinadas situações, os líderes, os governantes têm que tomar decisões pensando em todo o país", afirmou Bachelet. O governo chileno optou pela realização de um funeral com honras correspondentes às de um comandante do Exército. Bachelet, que teve o pai morto durante o regime de Pinochet e foi ela mesma presa durante o período, autorizou também o hasteamento de bandeiras a meio mastro nas instalações do Exército chileno.
Na noite de domingo, familiares das vítimas do regime de Pinochet e integrantes do Partido Comunista acenderam fogueiras, tomaram champanhe nas ruas de Santiago, banharam-se com a bebida e improvisaram um carnaval, erguendo faixas e bandeiras. Em outros pontos da cidade, principalmente em frente ao Hospital Militar, admiradores de Pinochet estavam aos prantos. No local, os gritos eram de "Pinochet, Pinochet". Cartazes mostravam o rosto do ex-general, mais jovem, e frases como "herói nacional". Diante da polarização nas ruas, o governo e a Igreja Católica pediram "calma" ao país. País dividido As reações, contra e a favor, mostraram mais uma vez como o Chile permanece um país dividido quanto ao legado do regime militar comandado por Pinochet. De um lado, estão os simpatizantes. Do outro, os avessos ao comandante do Exército que chegou ao poder após liderar um sangrento golpe, no dia 11 de setembro de 1973, contra o então presidente socialista Salvador Allende. Pinochet foi internado no domingo retrasado, com problemas cardíacos. Diferentes pesquisas de opinião divulgadas na última semana, logo após a internação, confirmaram a divisão chilena: entre 51% e 55% rejeitavam que o Estado realizasse um enterro com honras militares para Pinochet. Pouco após a morte, a Fundação Presidente Augusto Pinochet divulgou uma nota em que afirmava que o Chile perdia "um de seus filhos mais notáveis", um homem que "salvou o país da ruína" e foi o "arquiteto do novo Chile". Na mesma linha, o partido União Democrática Independente (UDI, que apóia o general) criticou, também em um comunicado, a decisão do governo socialista de Michelle Bachelet de não render homenagens oficiais a Pinochet. |
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