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'Onda rosa' latino-americana não significa unidade regional, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A chamada “onda rosa” latino-americana, com a eleição ou reeleição de políticos de esquerda na maioria das eleições presidenciais realizadas na região no último ano, não significa necessariamente uma unidade entre esses países, defende artigo publicado nesta terça-feira pelo diário francês Libération. O jornal observa que a reeleição de Hugo Chávez na Venezuela, no domingo, “fecha um ciclo” iniciado pelo próprio Chávez quando foi eleito pela primeira vez, em 1998. A reportagem lista os países da região em que a esquerda triunfou após a primeira eleição de Chávez: Chile, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, Nicarágua e Equador. “Há muitas diferenças entre a rosa pálida social-democrata Michelle Bachelet, que busca suas referências na esquerda escandinava, e o vermelho da ‘revolução bolivariana’ de Chávez”, afirma o jornal. Para o Libération, “não é ‘a esquerda’ que conquistou a América Latina, mas ‘as esquerdas’, tão separadas quanto a distância entre Santiago e Caracas”. Influência regional O jornal espanhol El País observa que, após sua vitória no domingo, Chávez poderá testar sua influência sobre os demais países da região durante a reunião de cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações, que será realizada no próximo fim de semana em Cochabamba, na Bolívia. Segundo o diário, Chávez busca ainda uma maior influência dentro do Mercosul, com a possível entrada no bloco de seus aliados Bolívia, de Evo Morales, e Equador, do recém-eleito Rafael Correa. A reportagem observa que os países da chamada esquerda pragmática apostam na liderança do Brasil como forma de contrabalançar o esquerdismo populista representado por Chávez e seus aliados. “Tradicionalmente os países sul-americanos são reticentes à liderança brasileira, mas agora Lula é visto como um fator de contenção diante das propostas políticas dos países governados pela esquerda populista, sobretudo em matéria de política externa”, diz o texto. Nova reeleição O diário alemão Süddeutsche Zeitung observa que, após sua reeleição até 2013, Chávez deseja mudar novamente a Constituição para poder concorrer novamente e permanecer no poder até 2021 ou até mesmo 2030, quando se comemora o bicentenário da morte de Simón Bolívar. Segundo o jornal, Chávez tem “o caminho livre”. “Ele não enfrenta mais resistências no Parlamento, depois que a oposição boicotou a escolha de representantes no ano passado.” O diário espanhol ABC afirma em editorial que, com a vitória de domingo, “Chávez começa a dar forma a seu projeto de se converter em dirigente vitalício da Venezuela, amparado por uma legitimação democrática superficial que o poupe dos problemas da crítica internacional”. “Enquanto os preços do petróleo deixarem, Chávez pode se permitir uma política populista que, adequadamente misturada a uma linguagem revolucionária, própria de outros tempos, proporcionaria a ele um imenso caudal de votos”, afirma o editorial. O jornal argumenta que já houve outros casos na América Latina, como o do PRI mexicano, o qual o editorial diz ter sido acertadamente chamado de ‘ditadura perfeita’, que “levaram quase 70 anos para serem vencidos democraticamente”. “Se os adversários de Chávez não tivessem cometido tantos erros, agora não estariam pensando nesses termos. Mas não lhes sobra outro remédio a não ser perseverar na unidade e no exercício democrático da oposição se querem salvar seu país, algum dia, dos delírios de Chávez”, conclui o editorial. Estados Unidos O diário britânico Financial Times defende em um editorial que os Estados Unidos mudem sua política em relação ao presidente venezuelano e “interrompam a barreira retórica contra Chávez que alimentam o seu moinho populista”. “Depois de parecer colaborar com o fracassado golpe de 2002 contra seu governo eleito, além disso, Washington tem espaço para melhorar. O governo americano deveria continuar com sua recente postura mais pragmática, relacionando-se com a Venezuela em áreas como petróleo, política energética e segurança de fronteiras.” Para o editorial, “nada disso será fácil, mas isso colocará sobre Chávez o ônus de entregar a prosperidade à sua população e tornar mais difícil para ele se esconder atrás de uma cortina de fumaça de retórica nacionalista”. Uma posição semelhante é defendida pelo jornal americano Los Angeles Times. “O presidente Bush, também conhecido como ‘o demônio’ no dicionário de Chávez, deveria desapontar o líder venezuelano ao tomar sua vitória como normal”, diz o editorial do jornal. “Isso significa baixar o tom da retórica anti-Chávez e o apoio americano à oposição. A questão é não dar razão à discrição de Chávez retratando os Estados Unidos como um intolerante hegemônico”, diz o jornal. Para o editorial, “Washington deveria tentar melhorar as relações bilaterais não somente porque há um valor estratégico de longo prazo nos laços cordiais com este grande produtor de petroleo”. “Um esforço de boa vontade razoável em relação a Caracas também reduzirá a própria credibilidade de Chávez quando ele tentar vender sua história de que ‘os ianques são os demônios’ para o resto da América Latina”, conclui o texto. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Oposição quer manter eleitor mobilizado na Venezuela05 dezembro, 2006 | BBC Report Venezuela vive advento de ditadura, diz ex-secretário dos EUA05 dezembro, 2006 | BBC Report Chávez é reeleito para governar Venezuela até 201304 dezembro, 2006 | BBC Report Polarizada, Venezuela escolhe novo presidente03 dezembro, 2006 | BBC Report Com medo de represálias, venezuelanos ocultam voto01 dezembro, 2006 | BBC Report Campanha eleitoral é encerrada oficialmente na Venezuela01 dezembro, 2006 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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