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Chávez é reeleito para governar Venezuela até 2013 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi reeleito no domingo para mais um mandato de seis anos, com uma vantagem significativa sobre seu rival, Manuel Rosales. O novo mandato de Chávez, que está no poder desde 1998, começa no início do ano que vem e termina somente em 2013. Com 78,31% dos votos apurados, Chávez aparecia com 61,38% dos votos. Rosales, que admitiu a derrota, tinha 38,39% do total. O boletim de apuração foi divulgado pelo presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, às 22h (meia-noite de Brasília). Imediatamente, fogos de artifício começaram a ser ouvidos em toda Caracas. Minutos depois o próprio Chávez apareceu na sacada do Palácio de Miraflores cantando o hino nacional. Num discurso de quase uma hora, disse que a democracia saiu fortalecida da eleição. E que no novo mandato terá como linha central o aprofundamento da revolução bolivariana. "E a via venezuelana até o socialismo", afirmou num discurso testemunhado por milhares de admiradores em frente ao palácio presidencial. Meia hora depois, Manuel Rosales reconheceu a derrota num pronunciamento no centro de imprensa montado pelo comitê de campanha. "Reconhecemos que hoje nos vencemos, mas continuamos na luta, na pele, continuamos nas ruas, lutando pela distribuição do petróleo, contra a fome e a pobreza", afirmou Rosales. No início da noite, partidários de Chávez já haviam tomado a praça Altamira, num bairro de classe média alta da capital que nos últimos anos havia se tornado um símbolo da oposição. Antes da divulgação oficial, houve muita reclamação da oposição porque a rede de televisão estatal Telesur divulgou uma pesquisa de boca de urna dando a vitória a Chávez. A divulgação de pesquisas era proibida até que o CNE apresentasse os primeiros resultados oficiais e durante a semana o governo ameaçou fechar canais de televisão privados que desrespeitassem a medida.
A eleição presidencial deste domingo teve a participação maciça dos eleitores, de acordo com as autoridades eleitorais do país. A estimativa é de uma participação superior a 70%, mas o índice final ainda não foi divulgado. O pleito dividiu o país entre os que apóiam a reeleição do presidente Hugo Chávez e a oposição, liderada pelo governador do Estado Zulia, Manuel Rosales. O horário oficial de encerramento da votação era 16 horas (18h de Brasília), mas muitas seções permaneceram abertas bem depois deste horário, para atender aos eleitores que ainda estavam na fila. Houve também reclamações tanto de pessoas que chegaram depois do horário e não conseguiram entrar nos postos de votação como denúncias por parte da oposição de que os militares estavam impedindo o fechamento de algumas seções onde já não não havia mais eleitores esperando. Apesar da tensão, a eleição transcorreu num clima de calma e sem grandes incidentes. Longas filas O dia começou com longas filas, que em muitos locais já se formaram a partir das 4 horas da manhã. A maioria das seções eleitorais não abriu às 6 horas, como previsto. De acordo com o CNE, o número de seções funcionando só chegou a 100% por volta de 10 horas.
As filas foram diminuindo ao longo do dia e, no início da tarde, a maior parte das zonais eleitorais de Caracas já tinha uma espera pequena. A dona-de-casa Maria Luiz Lopes se surpreendeu quando foi votar em uma escola no bairro de San Ignacio, por volta das 14 horas, e entrou e saiu em poucos minutos. "Não esperava que fosse tão rápido. Estava preparada para ficar aqui esperando", disse à BBC Brasil. Já Miguel Mijares, que chegou às 8 horas em um posto de votação no centro da capital, passou mais de três horas na fila. "A quantidade de pessoas é muito grande, mas o fluxo está indo bem", afirmou. Ele disse que na última eleição, no ano passado, não conseguiu votar porque, apesar de passar o dia inteiro na fila, não conseguiu chegar até a mesa. Exterior Mais de 57 mil venezuelanos votaram nos colégios eleitorais no exterior. De acordo com o CNE, havia 57.667 eleitores registrados para votar fora do país. O maior colégio eleitoral fora da Venezuela está nos Estados Unidos, com 25.905 eleitores. Em seguida estão Espanha, com 8.850 eleitores, Colômbia, com 3.573, e Cuba, com 3.506. No Brasil, estão 545 eleitores. Apesar da proibição de campanha e de material de propaganda eleitoral desde a manhã de sexta-feira, várias zonas eleitorais de Caracas e até prédios públicos apresentavam material relacionado à campanha de Hugo Chávez. Alguns tinham grupos de pessoas vestidos de vermelho e com roupas com slogans da campanha governista. Em uma zona eleitoral de Petare, um bairro popular do leste de Caracas, alguns eleitores de Chávez que se identificaram como policiais tentaram coibir o trabalho da reportagem da BBC Brasil, que fotografava uma tenda de propaganda de Chávez em frente à entrada da seção eleitoral. |
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