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Chávez desperta amor e ódio na Venezuela e no exterior | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Hugo Chávez Frías chegou à Presidência da Venezuela em 1998 com popularidade sem precedentes e com a promessa de mudar o clássico sistema bipartidário que havia governado o país desde a consolidação da democracia em 1958. Oito anos depois, ninguém pode negar que a figura de Chávez transformou a política venezuelana. Seu estilo informal e direto é bem diferente do perfil mais tradicional de seus antecessores. São poucos os líderes mundiais que cantam em seus pronunciamentos de rádio e televisão ou em atos oficiais como Chávez já fez. Poucos também foram tão provocadores como o venezuelano, tanto na relação com o empresariado e a elite do país como com adversários ideológicos externos, a começar pelo presidente americano George W. Bush, que Chávez chegou a chamar de "diabo" em plena sessão das Nações Unidas. E nenhum presidente venezuelano recente ocupou tanto espaço no cenário internacional, ultrapassando os limites da América Latina e alcançando lugares distantes do mundo onde seu discurso antiimperialista conquistou adeptos. Chávez é um homem de paixões que defende sua postura contra o vento e a maré. É também amado e odiado, dentro e fora da Venezuela. Labirinto Hugo Chávez nasceu em 28 de julho de 1954, na região venezuelana de planícies de Sabaneta de Barinas. Os seus pais eram professores. As suas primeiras atividades públicas foram esportivas e culturais: foi campeão de beisebol com os Criollos de Venezuela, em 1969, e autor de vários contos e obras de teatro. Militar reformado, partiu para a carreira política em 1992, após uma fracassada tentativa de golpe de Estado contra o governo do então presidente Carlos Andrés Pérez, que era muito impopular graças a numerosos escândalos de corrupção. A iniciativa levou Chávez à prisão, de onde participou da redação do manifesto "Como sair do labirinto". Em 1994, obteve a liberdade e decidiu se dedicar de vez à política. Criou o Movimento V República, com o qual chegou à Presidência, e iniciou uma série de reformas que culminaram com a redação de uma nova Constituição. Liberdade de imprensa Ao assumir o poder, Chávez prometeu políticas sociais "revolucionárias" e constantemente atacou empresários, que eram descritos por ele como "oligarcas predadores" e servidores "corruptos" do capital internacional. O governo de Chávez deu início a uma série de programas conhecidos como "missões" com o objetivo de garantir educação e serviços de saúde para todos os venezuelanos. Apesar disso, a pobreza crônica e o desemprego ainda atingem o país, mesmo com os lucros gerados pelo petróleo. A relação de Chávez com a imprensa também é complicada: o líder venezuelano acusa diversos veículos de atuar como "porta-vozes" da oposição. Ao mesmo tempo, Chávez é chamado de populista e autocrático, acusado de ameaçar a liberdade de imprensa e de utilizar a máquina estatal para perseguir aqueles que discordam de sua "revolução". Estados Unidos Desde a chegada de Chávez ao poder, a relação da Venezuela com os Estados Unidos passou de uma cordialidade distante para a confrontação aberta. Os primeiros conflitos ocorreram a partir do estreitamento da relação de Chávez com Fidel Castro, tradicional inimigo dos Estados Unidos, e da visita que o líder venezuelano realizou ao Iraque antes da ofensiva militar americana no país. Nos últimos anos, a intensidade das críticas de ambos os lados cresceu e chegou ao ápice quando Chávez acusou o governo americano de ter apoiado o golpe de Estado que o tirou do poder durante algumas horas em 2002. Os Estados Unidos também vêem com ressalvas a influência de Chávez em outros países da América Latina. O presidente venezuelano costuma dar opiniões sobre eleições em países vizinhos, apóia abertamente candidatos presidenciais e assina multimilionários acordos de cooperação. As viagens de Chávez ao exterior e suas amizades internacionais, como a aproximação com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, também aprofundaram o enfrentamento entre os governos de Estados Unidos e Venezuela. Futuro Chávez venceu com comodidade um referendo revogatório convocado pela oposição em 2004 e, com isso, ganhou fôlego para completar seu mandato e disputar as eleições do próximo dia 3. O líder venezuelano, que admite ter planos de buscar uma forma de tentar se reeleger de novo em 2012, afirma que o "período de transição" na Venezuela terminará com as eleições do próximo domingo. Chávez diz que, se for reeleito e tiver a chance de iniciar um novo mandato em fevereiro de 2007, a "revolução bolivariana" vai se aprofundar. "Não há lugar na Venezuela para nenhum outro projeto que não seja o da revolução bolivariana", afirmou o presidente venezuelano no ato de encerramento de sua campanha à reeleição. |
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