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Itamaraty prioriza política com novo embaixador nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A nomeação do embaixador Antônio Patriota como titular da embaixada brasileira em Washington indica a intenção do governo brasileiro de privilegiar as relações políticas em vez de aprofundar as relações econômicas entre os dois países, na avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil. O problema, na avaliação deles, é que o que precisa de incremento são justamente as relações econômicas, já que no campo político vai tudo bem entre os dois governos, inclusive com troca de elogios públicos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush. Patriota vai substituir o embaixador Roberto Abdenur, demitido no início de novembro. Na avaliação do cientista político Carlos Pio, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), o erro de Abdenur foi não ter assumido “de peito aberto” o item mais importante da agenda política brasileira nos Estados Unidos, o lobby do país para reformar e conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. “Com a mudança, o governo está dando mais peso aos pontos da agenda política, e o principal deles é a vaga no CS”, disse Pio. Ele acha que a agenda econômica seria tocada por qualquer embaixador escolhido. Para o setor privado, as questões prioritárias são o Sistema Geral de Preferências, que concede isenções fiscais para a importação de produtos brasileiros e as disputas comerciais envolvendo o país na Organização Mundial de Comércio, além de um possível acordo de livre comércio na região. Apesar da prioridade à questão política, o novo embaixador deve agradar aos americanos. Atual subsecretário de Assuntos Políticos-1 do Itamaraty, Antônio Patriota é considerado mais aberto a conversas com os Estados Unidos. Era ele quem costumava receber o ex-embaixador americano em Brasília John Danilovich, embaixador até o ano passado, que foi raramente recebido tanto pelo chanceler Amorim quanto pelo secretário-geral, Samuel Pinheiro Guimarães, considerado o mais anti-americano de todos no Itamaraty. “Ele era mais aberto e tinha com Danilovich não apenas um relacionamento obrigado pelo posto como também foi a eventos sociais com a esposa na casa do embaixador”, conta uma ex-diplomata de Brasília. Com o atual embaixador, Clifford Sobel, que chegou ao país há apenas três meses, o relacionamento não é tão próximo, porque o americano é mais voltado para o setor privado e passa a maior parte do tempo em São Paulo. Humilhação A demissão do atual embaixador, Roberto Abdenur, através de um telegrama de Brasília, é vista como uma humilhação por analistas e diplomatas. “Ele foi a um evento alguns dias depois de receber o telegrama e estava muito deprimido”, contou à BBC Brasil um diplomata que pediu para não ser identificado. “É o mesmo que a demissão do ministro Cristovam Buarque por telefone”, compara. A praxe num processo “normal” de substituição, quando o embaixador é simplesmente transferido para outro posto ou chamado de volta a Brasília para desempenhar outra função, é receber um telefonema do ministro antes do anúncio oficial. A explicação oficial do Itamaraty para a troca é que Abdenur já cumpriu o prazo máximo de dez anos no exterior e teria que voltar a Brasília. Mas na avaliação de diplomatas e analistas, a verdadeira razão seria o descontentamento do ministro com declarações que Abdenur deu no início do ano, quando criticou a relação do Brasil com a China. Com o novo embaixador, o governo não corre o risco de ver sua política criticada publicamente. “Ele é um excelente profissional”, disse um diplomata. “Isso quer dizer que dança conforme a música”, afirmou. Ele acha que não muda nada na atual política brasileira em relação aos Estados Unidos. A única diferença é que agora o governo terá em Washington alguém totalmente alinhado com o chanceler Celso Amorim. A mudança ainda deve demorar. O governo brasileiro ainda espera a resposta do governo americano sobre o pedido de troca de embaixador. Depois o nomeado terá que ser sabatinado e aprovado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e aprovado no plenário antes de assumir o posto. | NOTÍCIAS RELACIONADAS 'Temos total confiança no Brasil', diz subsecretário dos EUA14 de abril, 2004 | Notícias Novo embaixador dos EUA no Brasil passa por sabatina30 de março, 2004 | Notícias Tensão entre Brasil e EUA deve aumentar, dizem analistas13 de janeiro, 2004 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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