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Atualizado às: 17 de novembro, 2006 - 01h04 GMT (23h04 Brasília)
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Investidores espanhóis reclamam que economia do Brasil cresce pouco

Bovespa
Empresários espanhóis acham que a economia brasileira precisa crescer mais para ser competitiva
Os empresários espanhóis acham que a economia brasileira precisa crescer mais para ser competitiva. Segundo investidores, o índice de crescimento abaixo da média do Mercosul e quase três vezes menor que os de mercados asiáticos reduz as possibilidades de investimentos.

“Ainda há muito o que crescer. Pelo menos a uns 6%, tal como estão fazendo a Ásia e outros países emergentes”, disse o presidente do Banco Santander, Emílio Botín, no 8º Fórum Latibex, da Bolsa de Valores de Madri.

No encontro, que começou na quarta-feira e termina nesta sexta-feira, mais de 500 representantes de 70 companhias européias e latino-americanas discutem resultados e estratégias para os próximos anos.

Empresários e analistas concordam que o Brasil e praticamente toda a América Latina estão na melhor etapa macroeconômica dos últimos 25 anos. Mas é preciso fazer mais.

Reformas

Além de reclamar do baixo índice de crescimento brasileiro (previsão de 2,97% para este ano, enquanto a estimativa da China é de 8%), os investidores pediram reformas dos sistemas previdenciário e tributário, melhora da infra-estrutura e mais investimento em educação e tecnologia

Os investidores espanhóis, no entanto, elogiaram os esforços do governo brasileiro para controlar a inflação e o déficit público e melhorar a regulamentação jurídica para proteger o capital estrangeiro.

“Os últimos 20 anos foram um desastre para a América Latina, e o que todos nós perguntamos agora é se o crescimento atual é sustentável. Parece que sim, mas ainda está longe do que oferecem os mercados competidores. Só crescendo acima de 5% vai ser possível reduzir a pobreza e trazer essa camada da população para o mercado de consumo”, explicou o presidente da petrolífera Repsol, Antonio Brufau.

O Brasil também foi elogiado pela recente eleição presidencial. Segundo os analistas espanhóis, pela primeira vez na história o ciclo econômico brasileiro não está vinculado ao ciclo político.

“É uma prova de democracia sólida e economia estável. Que diferença em relação ao impacto das eleições de 2002”, disse o presidente do Santander.

Investimentos no Brasil

As empresas espanholas investiram cerca de R$ 300 bilhões na América Latina na última década. Praticamente a metade no Brasil, nos setores de energia, telecomunicações e bancário.

Até 2010, as quatro principais companhias do país (Santander, Repsol, Telefônica e Endesa) deverão investir mais 20,7 bilhões de euros (cerca de R$ 60 bilhões) na América Latina, sendo um terço no mercado brasileiro.

“As economias latino-americanas já são rentáveis depois de anos de incertezas. Quem saiu asustado com as crises do Brasil, do México e da Argentina em 2001 e 2002 tem que estar arrependido”, comentou o presidente da Endesa (energia), Manuel Pizarro.

O Santander, 11º maior banco do mundo e primeiro na América Latina, já tem 33% do lucro anual total (R$ 7 bilhões) obtidos na região.

A Telefônica, terceiro operador mundial, com 341 milhões de clientes, passou de 41% do mercado brasileiro em 1998 (telefonia fixa e celular) para 66% em 2005.

Só em telefonia celular no Brasil, a expectativa é de passar de 40% em 2005 para 70% em 2009.

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