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Bush enfrenta derrotas com pouco capital político | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush emergiu da sua reeleição em novembro de 2004 anunciando que pretendia gastar o capital político que tinha acumulado. Mas, como no caso da expansão dos gastos públicos que exasperou os conservadores fiscais, o presidente se revelou incompetente para gerir os seus recursos. Ele chega à metade do seu segundo e último mandato com sérios problemas de caixa político e precisando se desfazer do seu patrimônio. A perspectiva para o presidente é deixar um legado minguado quando retornar ao rancho do Texas em janeiro de 2009. Livrar-se do secretário de Defesa Donald Rumsfeld foi a parte mais fácil. Desaparece um alvo que se tornara uma obsessão dos críticos de Bush. O arquiteto da desastrosa guerra do Iraque se tornara um símbolo da arrogante ineficácia do governo ou do seu estado de negação, como diz o título do best-seller de Bob Woodward. A remoção de Rumsfeld apazigua amplos setores militares, da oposição democrata e dentro do próprio Partido Republicano. O lance traz outras vantagens. Mostra uma certa flexibilidade do presidente que teimosamente insistia em manter o curso no Iraque até um limite intolerável. Insatisfação
Com menos recursos políticos, o presidente simplesmente não pode manter o curso. Ainda não sabemos como isto irá acontecer em termos práticos no Iraque, mas a troca de guarda no Pentágono mostra algumas coisas interessantes. Bush fez o que a oposição democrata queria, mas Nancy Pelosi (que será a nova presidente da Câmara) torna-se uma parceira da Casa Branca e passa a assumir responsabilidades pelos rumos do Iraque. Até agora a oposição estava na condição cômoda de criticar, esquivando-se de formular um plano coerente e alternativo para o Iraque. Carente de recursos e precisando sinalizar que reconhece a existência de uma nova realidade, o presidente selecionou alguém fora de sua base para dirigir o Pentágono. Mais do que isto, o indicado Robert Gates pertence ao círculo do primeiro presidente Bush (pai do atual), que professa o "realismo" em política internacional e que simplesmente ficou consternado com o aventureirismo dos neoconservadores encarregados de colocar em prática a doutrina Bush. Grupo bipartidário Também é interessante que Gates esteja vinculado ao grupo bipartidário chefiado pelo ex-secretário de Estado James Baker (peça-chave do esquema do primeiro presidente Bush) e o ex-deputado democrata Lee Hamilton e que foi formado para oferecer recomendações sobre o Iraque. O relatório deste grupo, ainda sem data definida para ser anunciado, poderá dar legitimidade para uma mudança de curso no Iraque e no Oriente Médio em geral. Entre as possíveis recomendações estão um calendário para a retirada gradual de tropas americanas no Iraque e o aliciamento de inimigos dos EUA, como o Irã, para participarem dos esforços para conter a violência sectária. No exterior e em Washington, Bush é um presidente com menos capital político. Ele precisa de parcerias. É um cenário bem diferente daquele que foi delineado por Bush quando ele chegou ao poder há seis anos. Com seu guru eleitoral Karl Rove, o projeto era forjar uma duradoura hegemonia republicana. Já com o vice-presidente Dick Cheney, o plano era restaurar uma Presidência imperial. Com cada vez menos capital político, já será um grande feito para Bush não chegar falido ao final do seu segundo e último mandato. |
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