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China recebe líderes africanos em meio a críticas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo chinês recebe em Pequim, até domingo, 48 chefes de Estado e representantes de países africanos para o Fórum de Cooperação África-China, a maior cúpula já realizada entre a potência emergente e o continente mais pobre do mundo. No encontro, o governo chinês vai anunciar um pacote para a África que inclui medidas de ajuda humanitária, investimentos e iniciativas para ampliar o comércio. "A China, sozinha, investe mais em infra-estrutura na África do que todos os países ricos juntos", disse à BBC Brasil David Dollar, diretor nacional da representação do Banco Mundial para China e Mongólia. Críticos desse relacionamento cada vez mais estreito acusam a China de agir como uma nova potência colonialista, explorando as riquezas do continente, sem preocupação, por exemplo, com a proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos. Investimentos Números do Banco Mundial mostram que o investimento chinês na África triplicou entre 2003 e 2004. Está, atualmente, em US$ 900 milhões (quase R$ 2 bilhões). O volume, apesar de pequeno quando comparado ao total de investimentos chineses no resto do mundo – de 45 bilhões em 2004 –, cresce em ritmo acelerado. A maioria dos investimentos feitos em 2004, mais de 140 milhões de dólares (R$300 milhões), estão concentrados no Sudão, país rico em petróleo que, atualmente, enfrenta uma crise humanitária em Darfur. O governo sudanês é acusado de ser complacente com milícias árabes que exterminam, sistematicamente, civis e rebeldes na região. "Países ricos criticam a China por investir no Sudão sem exigir que o país se comprometa em proteger os direitos humanos ou combater ativamente a violência. Mas o Sudão é um pais soberano, não cabe à China força-lo a nada” disse à BBC Brasil a professora He Wenping, especialista em África da Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim. He Wenping espera ver um crescimento "ainda mais dramático" nas trocas entre China e África depois desse encontro. Ela acredita que a reunião vai ajudar a alavancar negócios da iniciativa privada, principalmente nas áreas de infra-estrutura, agricultura, indústria e alimentos. O Banco Mundial estima que atualmente 700 empresas chinesas operem no continente africano. Comércio Não apenas os investimentos têm aumentado, mas também o comércio. Em 2005, o comércio entre a China e a África foi da ordem de US$ 21 bilhões (R$ 45 bilhões). De acordo com estatísticas oficiais chinesas, o total deve chegar a US$50 bilhões (R$107 bilhões) neste ano, um número impressionante, se comparado com os US$11 bilhões (R$23.5 bilhões) negociados em 2000. "O comércio entre a China e a África deve chegar a 100 bilhões de dólares nos próximos cinco anos", estimou David Dollar, do Banco Mundial. Ainda assim, a África é um continente a "ser explorado", pois representa meros 2.3% de todo comércio exterior da China, de acordo com os números do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para a África, as trocas com a China ainda representam 10% de todo seu comércio exterior. A Europa segue como principal parceira, com pouco mais de 30%, enquanto os Estados Unidos vem em segundo lugar, em com 20%. De acordo com o relatório do Banco Mundial, as importações e exportações para a Ásia têm crescido, ao passo que os negócios com os países ricos do norte estão em declínio. Interesses A China tem interesse em abrir novos mercados para suas exportações industriais e busca parceiros que forneçam matérias-primas, especialmente petróleo e minérios, riquezas fundamentais para alimentar o acelerado ritmo de crescimento da economia. A África, em contrapartida, quer investimento direto e ter acesso a crédito facilitado, além de incrementar as exportações. Politicamente, a China espera receber apoio à política da "China Única", que reconhece Taiwan como província rebelde. Por outro lado, os parceiros da África desejam um aliado econômico que não se intrometa na maneira como devem governar seus países. "Eu acredito que a parceria entre a África e a China é positiva, pois os dois lados ganham. A África pode vender suas commodities por melhores preços, e a China encontrou um comprador para os seus produtos" ponderou Dollar. "Não se trata de colonialismo. A China está disposta a dividir conhecimento e a transferir tecnologia aos países da África", argumentou He Wenping. "Se você perceber, a China exporta manufaturas para os Estados Unidos e importa tecnologia. Isto é: está comprando algo mais elaborado do que vende. Por que, então, essa analogia não é considerada colonialista?", questionou a analista chinesa. |
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