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Espanha deteve 6 mil prostitutas brasileiras em 2005 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em dois anos, o número de prostitutas brasileiras detidas na Espanha aumentou 80%, passando de 3.332 em 2003 para 6.015 em 2005, segundo dados do Ministério do Interior espanhol. A maioria – presa por estar ilegalmente no país e trazida por quadrilhas especializadas em atrair mulheres com falsas promessas de emprego – acaba sendo deportada. Só no ano passado, a polícia deteve 20.284 mulheres na Espanha, a maioria, de acordo com a polícia, é vítima de prostituição forçada. Desse total, 98,77% eram estrangeiras, um grupo no qual quase uma em cada três (30%) vem do Brasil. Em 2003, elas representavam 17% do total. Promessas falsas Para a polícia espanhola, esse aumento, nos últimos dois anos, coincide com a maior atuação das quadrilhas de tráfico de seres humanos no Brasil a partir de 2003. Segundo organizações de apoio a vítimas da prostituição no país, as brasileiras são as preferidas das redes ilegais. De acordo com a Associação para Prevenção, Reintegração e Atenção à Mulher Prostituída (APRAMP), as vítimas são atraídas com ofertas para trabalhar como garçonetes, empregadas domésticas ou mesmo modelos. Segundo a associação, apenas 5% das pessoas traficadas sabem que serão prostitutas na Espanha. A polícia define as demais como vítimas de tráfico de seres humanos. As mulheres recebem passagens aéreas e dinheiro para tentar convencer a polícia no aeroporto de que elas têm recursos para se sustentar no país. Mas, já ao desembarcar, são informadas das novas condições do emprego. Levadas a bordéis, elas têm seus passaportes retidos e ficam sabendo que têm uma dívida com a organização, que deve ser paga através da prostituição. "Em alguns casos, elas são forçadas a usar drogas para ficarem alertas e disponíveis 24 horas ou porque o cliente exige o consumo de entorpecentes com o serviço sexual", disse Rocio Moreno, diretora da APRAMP. A prostituição na Espanha não é crime, mas a lei prevê punição de dois a quatro anos para exploração com violência, intimidação e abuso de poder. Mercado milionário A Associação Espanhola de Bordéis estima que o consumo diário com a prostituição no país chegue a 50 milhões de euros (cerca de R$ 150 milhões). Segundo a instituição, os 201 bordéis afiliados trabalham de forma legal, principalmente com mulheres do Brasil, Colômbia, Argentina, Rússia, Bulgária e Polônia. Os prostíbulos ligados à associação formam um pequeno universo dentro de um total de cerca de 20 mil bordéis na Espanha, segundo a polícia, onde atuam cerca de 700 mil mulheres, entre vítimas de redes de tráfico e prostitutas que trabalham por decisão própria. A brasileira G.A., de São Paulo, é uma exceção entre as brasileiras. Ela é prostituta "de luxo" em uma mansão madrilenha de terça a domingo durante toda a noite com outras cinco mulheres. Atendendo a uma clientela que inclui empresários, artistas e atletas, segundo ela, de fama mundial, recebe, em uma noite, o que ganharia em três meses no Brasil. "Ganho em uma noite (cerca de R$ 3,6 mil) o que ganharia em três meses como secretária no Brasil", comparou a brasileira, acrescentando dizer para a família na capital paulista que trabalha em uma empresa aérea espanhola. Rota brasileira O aumento da atuação de redes no Brasil levou a polícia espanhola a buscar cooperação com autoridades brasileiras. A iniciativa conjunta permitiu desmantelar três quadrilhas neste ano. A maior operação de 2006 terminou com 58 presos, dos que 55 eram brasileiras. O sociólogo espanhol Jaime Curbert associa o crescimento do tráfico de vítimas do Brasil com a demanda e a organização das redes criminosas. "As mulheres viraram vítimas de artigos de catálogo como uma marca de cerveja, a gosto do cliente. As brasileiras são as preferidas dos espanhóis, italianos e suíços; os alemães escolhem venezuelanas", afirmou. "O pior é que a mulher dá mais lucro do que as drogas, porque essas só são vendidas uma vez. A mulher é revendida até morrer, enlouquecer ou se suicidar." | NOTÍCIAS RELACIONADAS Polícia prende acusados de tráfico humano na Espanha04 de outubro, 2006 | Notícias Polícia desbarata rede de tráfico de brasileiras na Espanha13 setembro, 2006 | BBC Report Britânicos resgatam brasileiras vítimas de tráfico sexual22 junho, 2006 | BBC Report Espanha prende 17 brasileiras por 'prostituição'13 junho, 2006 | BBC Report UE critica Fifa por falta de ação contra a prostituição12 junho, 2006 | BBC Report Operação resgata brasileiras de tráfico sexual08 maio, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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