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País precisa de prisões mais justas, diz brasilianista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O brasilianista francês Stéphane Monclaire, cientista político da Universidade Sorbonne, de Paris, afirma que o Brasil precisa de prisões mais justas para combater a violência que existe no país. Na opinião de Monclaire, os governos estaduais e federal têm que demonstrar vontade política para resolver o problema e garantir que os direitos dos presos sejam respeitados nos presídios brasileiros. O cientista político falou à BBC Brasil como parte da série Brasil 2010, em que personalidades de diversas áreas elegem um aspecto que gostariam de ver diferente no país que será entregue pelo presidente que vencer as próximas eleições. Leia a seguir alguns trechos da entrevista: BBC Brasil - O que o senhor gostaria de ver diferente no Brasil em 2010? Stéphane Monclaire - Que a violência dentro das prisões acabe. BBC Brasil - Por que o senhor escolheria esse ponto em particular? Monclaire - Porque creio que a violência que existe no Brasil tem a ver com o sistema penitenciário. O estado de direito, para que seja respeitado, precisa ter um sistema penitenciário que seja compatível com os direitos fundamentais. BBC Brasil - Como é possível reformar o sistema penitenciário? Monclaire - Para mudar as coisas, é facil. É só construir mais prisões, colocar mais dinheiro no Judiciário. É realmente uma questão de vontade política. Isso pode ser feito a curto prazo. É preciso que o governo federal ou os governos estaduais decidam, por exemplo, construir 20, 30 penitenciárias novas, que tenham uma estrutura decente, que permita que os direitos fundamentais dos presos sejam respeitados. BBC Brasil - E por que isso não é feito? Monclaire - A população, em grande maioria, tolera essa situação horrível. E quando ocorre uma onda de violência como houve em São Paulo há alguns meses, a população tolera ainda mais. Não há pesquisas de opinião sobre isso, obviamente porque os institutos de pesquisa têm medo do resultado, mas creio que a população não se emociona muito quando vê a polícia matar tanta gente. Quando houve recentemente o assassinato daquele policial (o coronel Ubiratan Guimarães, acusado de ter ordenado a invasão que resultou na morte de 111 prisioneiros na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, em 1992), você via na imprensa a reação da população. É como se as pessoas tivessem esquecido o horror que foi aquilo. BBC Brasil - O senhor acredita que a iniciativa deve partir do governo, então, apesar da apatia da população em relação à situação nas prisões? Monclaire - Creio que há sempre uma grande distância entre as preocupações do governo e as preocupações da população. Quando você vai no Brasil, todos os dias as pessoas reclamam da violência, mas o assunto não é tratado nos programas de governo dos candidatos. É só uma questão de vontade política. |
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