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Atualizado às: 21 de setembro, 2006 - 02h10 GMT (23h10 Brasília)
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Crescimento econômico argentino reduz pobreza

Pobreza na Argentina
Apesar da redução, 7,3 milhões de argentinos ainda vivem na pobreza
Cerca de 2,5 milhões de argentinos deixaram de ser pobres entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2005, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

De acordo com as estatísticas, o total de pessoas pobres caiu de 38,9% para 31,4% na comparação entre os dois semestres. Apesar da redução de 7,5 pontos percentuais, 7,3 milhões de argentinos ainda vivem na pobreza neste país de aproximadamente 37 milhões de habitantes. Deste total, 2,6 milhões estão na extrema pobreza – que é o mesmo que indigência.

A redução da indigência não foi tão forte quanto a queda no total de pobres, com retração de 13,8% para 11,2%.

Na Argentina, são classificados como indigentes aqueles que não contam com recursos suficientes para adquirir a cesta básica de alimentos. Ou com cerca de 126 pesos mensais para estas compras, segundo dados econômicos do mês passado.

Pela mesma metodologia, são pobres os que não contam com 278 pesos mensais – indispensáveis para a cesta básica de alimentos e serviços essenciais como água, luz e transporte, entre outros.

No primeiro semestre de 2003, quando a Argentina voltava a crescer e se recuperava de uma das piores crises econômicas da sua história, a pobreza era de 54%, e a indigência – incluída neste indicador –, de 27,7%.

"Fator decisivo"

Na opinião de diferentes especialistas e de assessores do Ministério da Economia ouvidos pela BBCBrasil, o crescimento econômico (9,2% em 2005 e expectativa de 7% este ano) é um “fator decisivo” para a conquista destes resultados.

“Ainda falta para a Argentina ser o país igualitário de antes mas, sem dúvida, a pobreza vem caindo de forma significativa”, disse Ernesto Kritz, da Sociedade de Estudos Trabalhistas (SEL, na sigla em espanhol).

“Nossa única preocupação agora é reduzir a concentração de renda, mal que desconhecíamos até antes da crise e desta etapa de expansão econômica”, afirmou um assessor do Ministerio da Economia.

Na Argentina, os 10% mais ricos ganham 31 vezes mais que os 10% mais pobres. Um recorde desde que o levantamento é realizado, há 32 anos, quando essa brecha era de 12 vezes.

Mas ainda assim, de acordo com estudos de organismos internacionais, a Argentina é um dos países mais igualitários da América Latina.

Pelos dados do Indec divulgados nesta quarta-feira, a pobreza e a indigência caíram em todos os 28 centros urbanos da Argentina. Mas de forma desigual.

Nas províncias do nordeste, como Corrientes e Formosa – entre as mais pobres do país –, 51,2% são pobres e 21,3% vivem abaixo da linha da pobreza, ou na indigência.

Na região da Patagônia, onde registram-se indicadores mais satisfatórios, 18,8% saão pobres e, desde total, 6,9% estão abaixo da linha de pobreza.

Como a pesquisa oficial inclui apenas 60% do país, o total de 2,5 milhões que saíram da pobreza representa uma estimativa nacional, como explicou Ernesto Kritz, realizada a partir destes mesmos dados oficiais, calculados pelos especialistas e divulgados pela imprensa argentina.

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