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Atualizado às: 15 de setembro, 2006 - 00h55 GMT (21h55 Brasília)
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Brasil é pego de surpresa por decisão da Bolívia

Petrobras in Bolivia
Governo boliviano pretende rebaixar as duas refinarias da Petrobras a prestadoras de serviço
O governo brasileiro foi pego de surpresa com o anúncio do governo boliviano de nacionalizar a comercialização de petróleo e de GLP (gás de cozinha) e de rebaixar as duas refinarias da Petrobras a prestadoras de serviço.

Pela determinação do governo do presidente Evo Morales, o setor passa a ser controlado pela empresa petrolífera do governo, a YPFB.

Na segunda-feira à noite, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse em entrevista à BBC Brasil que via sinais de amadurecimento na política externa da Bolívia e que isso deveria facilitar as relações entre os dois países.

“O que eu vejo na relação internacional é que tem havido um amadurecimento, quem sabe até dos dois lados, mas eu diria que certamente da parte deles, que tiveram esta grande mudança, e isto está ajudando”, afirmou.

Ele disse que às vezes podem acontecer manifestações exageradas, “onde a forma pode ser pior do que o conteúdo. “O conteúdo ainda estamos negociando. Creio que a relação vai caminhar para uma parceria”, disse Amorim.

A decisão do Ministério dos Hidrocarbonetos boliviano acontece menos de três semanas depois do anúncio da retomada das negociações para o aumento do preço do gás fornecido ao Brasil, na visita ao país do vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera.

Irritação

Membros do governo reagiram com irritação e não economizaram palavras duras para qualificar a atitude do governo boliviano. “Carnavalzinho 48 horas antes da reunião”, “criancice”, “criação de um clima de desconfiança” foram algumas das expressões usadas por assessores do governo brasileiro.

O ministro Celso Amorim, que foi nesta sexta-feira para Cuba, onde participa da Cúpula do Grupo dos 15 e da Conferência de Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, ainda não se manifestou sobre o assunto.

No Itamaraty, ainda existe a expectativa de que a situação seja revertida. Diplomatas lembram da Cúpula da União Européia e América Latina, em maio.

Na ocasião, Morales acusou a Petrobras de cometer ações ilegais no seu país mas, no mesmo dia, em uma entrevista coletiva, recuou dos ataques dizendo que a imprensa havia distorcido o que fora dito.

O próprio ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, considerou sua decisão de adiar a viagem, prevista para esta sexta-feira, para o dia nove de outubro, como uma “reação política” à decisão boliviana.

Mas durante o dia assessores do governo brasileiro consideravam o risco de o encontro nem ser realizado, se a decisão boliviana fosse mantida. “Marcamos a nova data só para ganhar tempo. A realização do encontro dependerá do comportamento da Bolívia com o Brasil até lá”.

Nesta quinta-feira, o assunto foi tema de longas reuniões no Ministério de Minas e Energia, na Petrobras, no Itamaraty e no Palácio do Planalto. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o principal interlocutor do governo brasileiro com os bolivianos, passou o dia ao telefone com o presidente em exercício da Bolívia, Alvaro García Linera.

Sócios estratégicos

Recém-chegado de uma viagem aos Estados Unidos, Linera também foi pego de surpresa por uma medida anunciada durante sua ausência. "Ele pediu algumas horas para se inteirar do assunto", contou Marco Aurélio.

Com o presidente Evo Morales em Cuba, ele é o presidente interino e se reunirá com a equipe de cinco ministros responsáveis pelas medidas no setor energético, entre eles Andrés Soliz Rada, de Hidrocarbonetos.

O governo brasileiro considerava que as negociações entre os dois países para adequação das operações da Petrobras ao decreto de nacionalização do setor de petróleo, em maio, estava caminhando bem.

Mas a expectativa mudou, após anúncio, na terça-feira, da regulamentação de uma das medidas previstas no decreto de nacionalização, assinado há quatro meses. “Essa era uma medida que podia esperar pelo menos a reunião desta sexta”, afirmaram assessores do governo Lula.

Na época da sua visita à Brasília, García Linera disse que considerava o governo brasileiro e a Petrobras como sócios estratégicos da Bolívia.

"Vamos fazer todo o esforço necessário para integrar a Petrobras ao nosso esforço energético", afirmou.

Vice da Bolívia, García LineraGás boliviano
Vice de Morales chega ao Brasil para negociar gás.
 O presidente da Bolívia, Evo MoralesBolívia
Evo Morales enfrenta maiores protestos desde posse.
O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim Celso Amorim
Bolívia está amadurecendo, diz chanceler.
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