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Tire suas dúvidas sobre as prisões secretas da CIA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu pela primeira vez que a CIA, a agência de inteligência americana, manteve supostos terroristas em prisões secretas fora do país. Ele também anunciou que 14 detentos serão transferidos para a base de Guantánamo, incluindo o suposto mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001, Khalid Sheikh Mohammed. Bush afirmou ainda que, com isso, a CIA deixa de ter prisioneiros, mas disse que a agência poderá voltar a realizar detenções. Abaixo, as respostas às principais questões sobre o assunto. Qual é a importância deste anúncio? Há muito tempo se comenta que os Estados Unidos vinham mantendo alguns suspeitos de terrorismo em prisões secretas da CIA, principalmente porque algumas figuras importantes, como Khalid Sheikh Mohammed, estavam desaparecidas há anos. O anúncio de Bush reconhece oficialmente a existência do programa de detenções da CIA e o fato de que a agência usa "um conjunto de procedimentos alternativos" para obter informações de suspeitos treinados para resistir a um interrogatório. Bush disse não poder revelar quais são esses métodos porque "isso iria ajudar os terroristas". Ele acrescentou que essas técnicas não configuram tortura, e que ele nunca autorizou nem jamais permitirá esse tipo de prática. Por fim, Bush detalhou o que disse ser uma quantidade de planos contra os Estados Unidos e seus aliados, que foram evitados por causa das informações conseguidas nos interrogatórios da CIA. Por que só agora Bush reconheceu a existência desse programa da CIA? Segundo Bush, o interrogatório dos 14 suspeitos sob custódia da CIA foi concluído e agora eles seriam transferidos para a base de Guantánamo, em Cuba, onde ficariam sob custódia militar. O governo vem planejando levar a julgamento, em tribunais militares, alguns dos prisioneiros de Guantánamo, mas a Suprema Corte americana determinou que não há um mecanismo legal para que isso seja feito. Bush agora propôs uma legislação que deve permitir a realização de julgamentos militares, mas está correndo contra o relógio - o Congresso americano deve se reunir por apenas algumas semanas antes de entrar em recesso para as eleições legislativas, marcadas para 7 de novembro. O presidente também aproveitou a proximidade dos cinco anos dos ataques de 11 de setembro de 2001, dizendo que as famílias das vítimas estão há muito tempo esperando por justiça. Ele disse que é da vontade dos Estados Unidos levar Khalid Sheikh Mohammed e outros suspeitos a julgamento. Por que as prisões secretas têm sido alvo de polêmica? As primeiras informações sobre o assunto foram vazadas ao jornal americano Washington Post, que noticiou que os Estados Unidos haviam instalado "pontos cegos" no exterior para interrogar suspeitos considerados "valiosos". O Parlamento Europeu pediu uma investigação, depois de suspeitas de que algumas dessas prisões estivessem localizadas na Europa. O Senado americano também pediu esclarecimentos ao diretor de inteligência nacional. Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram o suposto programa da CIA, dizendo ser algo além da determinação da lei e que não criava proteção suficiente aos detentos. Os Estados Unidos permitiram que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitasse a base de Guantánamo, mas não as prisões secretas da CIA. O que deve acontecer agora? Os 14 suspeitos mecionados no discurso de Bush, incluindo Khalid Sheikh Mohammed, Ramzi Binalshibh e Abu Zubaydah, já foram transferidos para Guantánamo. Bush espera que suas propostas sejam rapidamente aprovadas pelo Congresso, para poder autorizar julgamentos militares dos presos. Mas ainda não se sabe se ele conseguirá. Todos os membros da Câmara dos Representantes e um terço dos senadores estão concorrendo à reeleição em novembro. Nenhum candidato quer ser visto como fraco em questões de defesa, mas Bush está com sua popularidade em baixa. Então não é necessáriamente uma vantagem estar ligado a ele. Até mesmo membros do Partido Republicano já expressaram dúvidas sobre detalhes das propostas do presidente, como impedir que os acusados tenham acesso a todas as provas contra eles. Enquanto isso, segundo Bush o programa de detenções da CIA vai continuar existindo, mesmo sem ninguém sob custódia neste momento. "Ter a possibilidade de interrogar terroristas no futuro continua a ser fundamental para obter informações que podem salvar vidas", afirmou. |
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