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Atualizado às: 10 de agosto, 2006 - 18h21 GMT (15h21 Brasília)
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Polícia interroga suspeitos de plano para explodir aviões
Policiais britânicos em casa de suspeitos em High Wycombe, a noroeste de Londres
Policiais britânicos em casa de suspeitos a noroeste de Londres
A polícia na Grã-Bretanha está interrogando 24 pessoas suspeitas de envolvimento num plano para explodir aviões, revelado durante uma grande operação policial nesta quinta-feira no sul do país.

A trama foi desbaratada pela Scotland Yard, que nesta madrugada prendeu 25 suspeitos em Londres e região e também em Birmingham (centro da Inglaterra).

O plano teria como alvo principalmente os vôos destinados aos Estados Unidos partindo dos aeroportos londrinos – os americanos também reforçaram a segurança de seus aeroportos.

A BBC apurou que os principais suspeitos de envolvimento no plano seriam nascidos na própria Grã-Bretanha. Acredita-se também que eles sejam de origem paquistanesa.

Ataques “iminentes”

As autoridades informaram que até dez vôos poderiam ser alvos dos ataques que, de acordo com fontes a que a BBC teve acesso, seriam iminentes – podendo ocorrer nos próximos dias.

O repórter da BBC Ian MacWilliam disse que uma possibilidade cogitada por autoridades de segurança britânicas é que ocorressem três sucessivas ondas de explosões simultâneas em três aviões de cada vez.

O governo britânico elevou o alerta de ataques terroristas de "severo" para "crítico" – o mais alto possível.

"Elevamos o nível de alerta para o nível mais alto, e vamos mantê-lo assim como uma medida de precaução", declarou o ministro do Interior, John Reid. "Acreditamos que os principais envolvidos estão presos, mas sempre temos de apostar na cautela."

A polícia continua realizando buscas em várias propriedades, principalmente na região de Londres, e está divulgando poucas informações sobre a operação.

Rede global

Peter Clarke, o chefe da divisão antiterrorismo da Scotland Yard, disse que a rede envolvida nos planos de ataque é grande e atua em escala global.

Ele explicou que a operação mobilizada para neutralizar os ataques foi “sem precedentes” e envolveu forças policiais não só britânicas, mas de outros países também.

Por sua vez, o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, disse que, “em vários aspectos”, os planos “apontam para a Al Qaeda”.

Chertoff disse que só ficou claro nas últimas duas semanas que o alvo dos ataques era, indiretamente, os Estados Unidos.

“Assassinatos em massa”

O objetivo do suposto plano para explodir aviões era "cometer assassinatos em massa", disse o vice-chefe da polícia londrina, comissário Paul Stephenson.

A segurança foi reforçada nos aeroportos ingleses e a diversas companhias aéreas cancelarem seus vôos para a Grã-Bretanha nesta quinta-feira.

Os poucos artigos de mão permitidos a bordo estão sendo colocados em bolsas plásticas transparentes, disse o diretor-gerente do aeroporto de Heathrow, Tony Douglas.

Falando pela Autoridade Britânica de Aeroportos (BAA, na sigla em inglês), ele acrescentou que os passageiros podem levar apenas documentos, cartões de crédito e itens essenciais, como medicamentos que precisam ser tomados em vôo.

Em Londres e nos Estados Unidos – onde não há proibição de bagagem de mão – também é proibido embarcar com líquidos de qualquer natureza, incluindo bebidas, loções e gel de cabelo.

Mesmo passageiros embarcando com crianças pequenas em Londres chegaram a ser obrigados a provar o leite que levavam na frente de policiais.

Sem precedentes

John Reid disse que, embora inconvenientes, as medidas são “necessárias para garantir a segurança pública”. Ele disse que o plano frustrado causaria mortes em “escala sem precendentes”.

Reid informou que o primeiro-ministro Tony Blair, que está em férias, soube da operação com antecedência e conversou com o presidente americano, George W. Bush, sobre o assunto.

O comissário Stephenson pediu à população que permaneça “calma, paciente e vigilante”. “Mas não somos capazes de expressar (o grau de) seriedade que este plano representa", afirmou.

Stephenson tentou desfazer qualquer relação entre as investigações e comunidades étnicas e religiosas específicas, apesar das suspeitas de envolvimento de pessoas de origem paquistanesa.

"A questão não são as comunidades, são os crimes. São pessoas que se escondem por trás das comunidades, querendo cometer assassinatos em massa."

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