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Atualizado às: 05 de agosto, 2006 - 01h23 GMT (22h23 Brasília)
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Países latinos apóiam extensão de missão no Haiti

Soldado da ONU no Haiti
Missão atual foi enviada ao país caribenho em 2004
Dois meses depois da posse do presidente René Préval, os países latinos que integram a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) decidiram, nesta sexta-feira, apoiar a proposta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de permanecer no local por, pelo menos, doze meses mais. Ou seja, até julho de 2007.

“Não queremos deixar o Haiti antes que ele viva a estabilidade política e social”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Argentina, Roberto García Moritán. A idéia, afirmou, é ampliar essa ajuda com envio de engenheiros e médicos militares, por exemplo. Ou seja, não apenas com as tropas presentes no país.

Segundo o embaixador argentino, o país presidido por Préval deverá realizar eleições locais até dezembro com a renovação de dez mil cadeiras (entre eleições equivalentes às municipais e estaduais). “Não é hora de sair de lá”, afirmou. “Somos flexíveis à proposta das Nações Unidas para que nossas missões continuem no Haiti até que a situação melhore de verdade”.

A reunião desta sexta-feira contou com a presença de vice-ministros da Defesa e vice-ministros das Relações Exteriores de seis países - entre eles Brasil, Argentina e Chile - além do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), o chileno José Miguel Insulza.

O encontro foi convocado pelo governo argentino que ocupa até dezembro uma cadeira – rotativa – no Conselho de Segurança da ONU. Na próxima reunião do Conselho, prevista para este mês, os diplomatas argentinos informarão sobre a decisão de se continuar ajudando o Haiti. Além de incluirem apoio econômico e social na missão que começou em 2004, com tropas militares convocadas para frear a onda de violência que levou à uma nova crise institucional no país.

“Violência contínua”

García Moritán contou que a Bolívia também quer se unir aos trabalhos do Minustah, hoje formado pelo Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Equador e Guatemala, entre outros. Na opinião do embaixador argentino, que foi o porta-voz do encontro para a imprensa estrangeira, a situação continua delicada no Haiti, onde casos de violência voltaram a ser registrados nos últimos dias, apesar de em menor escala do que no augue da crise.

“O Haiti é a prova de que podemos atuar juntos para cuidar do nosso próprio continente”, disse, sem esclarecer se experiências como esta poderiam voltar a ser usadas, caso necessário, em outros países da região.

Na reunião, em Buenos Aires, ficou acertado que será feito um balanço, no fim do ano, das ações realizadas, conjuntamente, por estes países. O objetivo é avaliar onde a missão pode ser melhorada, sempre sob a orientação e o comando das Nações Unidas, como o diplomata argentino fez questão de destacar.

Comunicado

No início da noite, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina divulgou comunicado oficial sobre a reunião, que durou todo o dia, afirmando que a eleição de Préval foi “transparente” e um “passo importante” para a democracia no Haiti.

“Com a eleição de Préval começou uma nova etapa institucional no país”, diz o comunicado. “Mas para que a fome, a pobreza e os problemas de saúde possam ser combatidos é preciso realizar, o mais rápido possível, projetos conjuntos de cooperação”.

O assunto, contou o embaixador argentino, chegou a ser discutido com Préval que aprovou a idéia de “reforço social” na missão conjunta realizada no país.

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