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Tristeza e revolta marcam ato por Jean Charles | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Parentes e amigos de Jean Charles de Menezes fizeram uma vigília no aniversário do primeiro ano do brasileiro morto por engano. No dia 22 de julho de 2005, informações equivocadas levaram a Scotland Yard a matar com sete tiros na cabeça o eletricista de 27 anos, na estação de metrô de Stockwell. A cerimônia deste sábado foi marcada por tristeza e revolta e contou com a presença dos primos de Jean Charles, Alex e Alessandro Pereira, Patrícia Armani e Vivienne Figueiredo. Depois de rezarem uma oração em português, primos de Jean Charles acenderam velas para o brasileiro, em um pequeno oratório feito à entrada da estação. Depois, eles desceram à plataforma e ali fizeram um minuto de silêncio. A família adiou um outro encontro que aconteceria no início da tarde por causa dos confrontos no Líbano. "Na luz desses eventos, as famílias decidiram adiar o encontro. Nós acreditamos que o tributo mais adequado à vida de Jean é que você, seus amigos e sua família realizem ações pela paz", disse o comunicado. Jean Charles foi morto por policiais à paisana logo depois de embarcar num trem, um dia depois de ataques à bomba frustrados ao sistema de transporte da cidade. Revolta O ato também adotou tom de protesto e indignação pela decisão da Promotoria Pública Britânica de descartar, por falta de provas, que os policiais envolvidos no incidente sejam processados pessoalmente. Em vez disso, a Scotland Yard responderá a um processo por ter infringido regras de Segurança e Saúde. Segundo a promotoria, há um ano, os policiais não foram capazes de zelar pela segurança, saúde e bem estar de Jean Charles. A família do brasileiro considerou a decisão "inacreditável" e "ridícula".
"(Foi) uma notícia muito estressante para a família aqui e no Brasil", disse neste sábado o porta-voz da família, Asad Rehman. "(Jean Charles era) um homem inocente que foi morto quando ia para o trabalho, como milhões de nós, todos os dias." "É muito, muito importante que haja uma oportunidade para que as provas sejam testadas, para que um júri esteja presente e seja capaz de dar um veredicto", disse Rehman. Pessoas que manifestavam solidariedade também estiveram presentes. Mohammed Abdul Kahar, que foi baleado no peito em uma operação antiterrorismo da polícia de Londres em junho, vestia uma camisa do Brasil e prestou homenagem a Jean Charles. Kahar foi preso e libertado sem acusações. Investigação Embora nenhum dos envolvidos vá à Justiça pela morte do brasileiro, a BBC apurou que a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) recomendou o indiciamento da comandante das operações com armas de fogo, Cressida Dick, e os dois policiais que efetuaram os disparos. A IPCC investigou a morte do brasileiro durante seis meses. A comissão independente ouviu os 30 passageiros que estavam no metrô quando Jean Charles foi morto. O IPCC coletou ainda 600 declarações escritas.
A conclusão do relatório foi entregue pela IPCC à promotoria pública britânica em janeiro deste ano. O IPCC também está promovendo uma investigação sobre a conduta do chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair. |
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