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Campings de sem-teto proliferam em Paris | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A paisagem às margens do Sena, na capital francesa, nesta alta temporada de férias de verão não se limita apenas à praia de Paris, “Paris Plage”, em sua quinta edição. Para surpresa dos turistas e descontentamento de muitos parisienses, várias barracas de sem-teto também podem ser vistas pela cidade. As barracas foram distribuídas pela ONG Médicos do Mundo durante o inverno passado para fornecer abrigo a essas pessoas e também como uma forma de alertar as autoridades sobre a precariedade do sistema de moradias populares no país. Mas o tiro saiu pela culatra: com a chegada dos belos dias de sol, esses sem-teto, a grande maioria vindo de países do Leste Europeu, decidiram continuar morando nas barracas. A situação está deixando muitos residentes exasperados. Vários passaram a prestar queixas na prefeitura. "Campings selvagens" Esses “campings selvagens”, como estão sendo chamados por jornais franceses, podem ser vistos não apenas às margens do Sena, mas também em vários bairros famosos da cidade, como na área do Centro Georges Pompidou e da Praça da République. Os acampamentos se proliferaram nos últimos tempos e hoje já é possível ver ao lado das barracas de cor verde da ONG Médicos do Mundo outras normais, adquiridas pelos próprios sem-teto. Segundo a prefeitura, 2 mil sem-teto estão vivendo em barracas na capital e em sua periferia próxima. O número teria dobrado desde o inverno. Em barracas onde antes dormiam duas pessoas, hoje já existem, em algumas delas, até oito pessoas. Instalação Os sem-teto também instalaram colchões e móveis, como sofás e cadeiras, nesses locais. Alguns acampamentos tem famílias inteiras, mas nos principais bairros de Paris e às margens do Sena, são habitados apenas por homens. É o caso do “camping” às margens do Sena nas proximidades do Museu d’Orsay, área nobre da cidade, um dos metros quadrados mais caros de Paris. Eles são cerca de 20 no local e as barracas verdes da Médicos do Mundo se misturam à outras normais. “Alguns compraram as suas por 20 euros”, disse à BBC Brasil o romeno Bogdam Diaconu, que está há quatro meses “morando” à beira do Sena. Como há um muro altíssimo atrás do acampamento, eles ficam isolados dos moradores, o que não impediu, no entanto, a passagem da polícia pedindo para que eles saiam do local. Diferentemente do iugoslavo Rade, um de seus companheiros no local, Diaconu diz que que não quer ir para um abrigo social e prefere ficar na barraca às margens do rio. O romeno, que fala italiano fluentemente, diz também que gostaria de arrumar um emprego em Paris. Muitos desses sem-teto de diferentes países do leste da Europa conversam entre eles em russo, alemão ou italiano. Varal e churrascos É difícil passar pelo local, como muitos turistas e parisienses costumam fazer nesses dias de sol, e não notar as frigideiras com comida pelo chão, as roupas estendidas em um varal entre as árvores e o “banheiro” improvisado com caixas de papelão e plástico. Esse acampamento é até mais limpo e organizado do que outros vistos pela cidade, onde os sem-teto fazem até churrascos na rua. Nessa área em frente ao Museu d’Orsay, o lixo estava recolhido e as várias garrafas de bebida vazias guardadas em um caixote. Até um turista canadense instalou sua barraca de camping no local para passar férias, disse Diaconu. Algo antes inimaginável se já não houvesse as barracas da ONG francesa. O turista teria sido imediatamente expulso pelas autoridades. No início, durante o inverno, quando as barracas foram distribuídas, os parisienses tinham uma certa compaixão em relação aos sem-teto. Hoje, diante da sujeira, do barulho e das brigas muitas vezes causada pelo excesso de bebida alcoólica, além de casos de agressão sobre pedestres, os sem-teto passaram a incomodar vários parisienses. Prazo maior Diante das queixas crescentes dos parisienses, a prefeitura da capital pediu a duas entidades sociais para que tentem convencer os sem-teto a saírem das barracas e se instalarem em abrigos municipais de emergência. A idéia inicial era retirar as barracas no prazo de uma semana. Mas vendo que a tarefa será mais difícil do que previsto, as autoridades esperam agora resolver o problema no prazo de um mês. O prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, declarou que “serão aplicadas iniciativas humanas, mas firmes para convencer os que vivem nas barracas a se dirigirem para outras áreas e aceitarem soluções concretas de moradia”. Segundo as estimativas mais recentes do Insee, Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos, a França teria 86,5 mil sem-teto. Em Paris, no ano passado, foram registrados 21,3 mil pedidos para obter moradias populares. Apenas 11,4 mil foram atendidos. A capital francesa dispõe de 91,6 mil leitos em abrigos sociais de emergência. Mais 5 mil lugares devem ser criados até 2.009. No momento, nestes dias de intenso calor, vários desses centros estão vazios. Ao que tudo indicam, os sem-teto estão preferindo viver nas barracas, em grupo, fazendo churrascos ao ar livre. |
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