|
Sem-teto de todo o mundo disputam Copa do Mundo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Sem-teto de 27 países estão disputando a 3ª Copa do Mundo dos Sem-Teto, em Edimburgo, na Escócia. O Brasil está representado por oito vendedores da revista Ocas – publicação vendida apenas por sem-teto – do Rio de Janeiro e de São Paulo. Inicialmente, 32 países estavam inscritos na competição, mas o governo britânico negou visto a cinco delegações – Quênia, Nigéria, Gâmbia, Camarões e Burundi –, o que levou organizadores e participantes a protestarem contra a decisão do governo. Segundo Mel Young, um dos organizadores do evento, o principal objetivo da competição é fazer com que os sem-teto encontrem uma nova perspectiva de vida após participarem da competição. Copa “Não queremos que as pessoas continuem vivendo nas ruas. Queremos fazer com que o futebol as ajude a encontrar novos caminhos”, disse. Mel Young diz que gostaria de ter o governo brasileiro auxiliando no desenvolvimento do projeto e também sediando uma Copa do Mundo. “Quero ter a chance de entrar em contato com o governo brasileiro e tentar trabalhar junto (com ele). Quem sabe o país que adora tanto futebol não vai sediar futuramente uma Copa do Mundo?”
A idéia de Young é expandir ainda mais a competição, fazendo com que mais países consigam participar da Copa do Mundo. Todas as delegações participantes trabalham com a venda de revistas como a Ocas, inspiradas no projeto pioneiro de Young, a Big Issue, que teve início na Escócia em 1993 e agora esta espalhada em dezenas de países. Brasileiros Todos os participantes devem ser vendedores de revistas como a Big Issue - no caso do Brasil a Ocas. Os jogadores precisam ter sido ou estar na situação de sem-teto no último ano, ter mais de 16 anos, estar em tratamento contra a dependência de drogas ou álcool ou ser exilados políticos sem direito a trabalho. Entre os brasileiros, as histórias variam. Francisco Barbosa de Melo, de 24 anos, morador de um abrigo público no Rio de Janeiro, diz que a combinação da venda da revista com o futebol mudou a sua vida. "Eu acho que é muito importante participar dessa competição. Para mim é um sonho estar em uma cidade bonita como essa. Também é muito interessante poder encontrar outras pessoas que estão ou que passaram pela mesma situação que a gente “ , diz Francisco, que já esta se preparando para ter a própria casa. Marcos José Dias, de 35 anos, está disputando a segunda Copa do Mundo com a seleção. Marcos vivia em um albergue em São Paulo e, agora, divide um quarto com um outro ex-sem-teto. O goleiro diz que a venda da revista e o futebol foram fundamentais na sua vida. "O que muda na vida da gente é a auto-estima. A gente confia mais na gente mesmo. Com essa segunda vinda da Europa vão surgir outras oportunidades no Brasil, com certeza", diz o goleiro que vivia em um alberque público e agora, com o dinheiro que recebe da venda das revistas já consegue pagar um quarto que divide com outro ex-morador de rua. O treinador da seleção, Flávio Fernandes, o Pupo, trabalha com os sem-teto de São Paulo. Pupo reclama da falta de apoio para tocar o projeto. “Acho que as grandes empresas não acreditam no nosso projeto ou não querem seus nomes associados a um trabalho como esse”? diz Pupo, que só conseguiu o uniforme da seleção com o apoio de um pequeno comerciante. A competição termina no domingo. A próxima Copa do Mundo será realizada em 2006, na Africa do Sul. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||