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Atualizado às: 14 de julho, 2006 - 18h11 GMT (15h11 Brasília)
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Protestos são a grande ausência da cúpula do G8

Cartaz anti-globalização com Vladimir Putin
Cartazes retratando líderes do G8 foram produzidos pelos manifestantes
Uma das imagens que se tornaram comuns nas cúpulas do G8 nos últimos anos, de enormes protestos promovidos por ativistas internacionais anti-globalização, deverá ser uma das grandes ausências durante a cúpula deste ano, que começa neste sábado em São Petersburgo.

No lugar das dezenas de milhares de manifestantes, as ações anti-globalização neste ano deverão ficar restritas a poucas centenas de pessoas.

Elas estarão confinadas num local isolado ao norte de São Petersburgo, longe do centro da cidade e ainda mais longe do local onde os líderes do G8 se reúnem entre sábado e segunda-feira.

"No início tínhamos grandes ambições, de conseguir reunir ao menos 2 mil pessoas de todo o mundo. Mas agora, se conseguirmos reunir mil pessoas, já terá sido uma grande vitória", disse à BBC Brasil a socióloga Karine Clement, de 36 anos, uma das organizadoras do 2º Fórum Social Russo, programado para coincidir com a cúpula do G8.

"Sabemos que não teremos os milhares ou centenas de milhares de pessoas necessárias para protestar e realmente fazermos alguma diferença, sermos ouvidos e termos alguma influência", conforma-se Clement, francesa que vive há dez anos em Moscou.

Detenções

Entre as razões apontadas pelos ativistas para a baixa presença de manifestantes neste ano, estão as dificuldades para chegar à cidade, a falta de uma cultura de mobilização por parte das organizações sociais locais e até mesmo uma suposta repressão promovida pelas autoridades russas.

Os organizadores do Fórum Social afirmam que cerca de cem pessoas que viajavam para São Petersburgo para participar do encontro paralelo foram detidas, entre elas dois cidadãos alemães e um suíço.

Citado pelo jornal The St. Petersburg Times, um funcionário do Ministério do Interior russo negou que houvesse uma determinação oficial de reprimir as manifestações ou perseguir ativistas.

As autoridades locais de São Petersburgo autorizaram a realização do Fórum Social nesta semana e até cederam o espaço para sua realização.

Porém o local determinado é o estádio Kirov, localizado num parque ao norte da cidade, num local isolado e longe do subúrbio ao sul onde os líderes estarão reunidos.

Para chegar ao local por meio de transporte público, os participantes precisam descer na estação de metrô Krestovsky Ostrov, na entrada do parque, e caminhar dois quilômetros até a entrada do estádio.

A entrada no local é controlada por policiais. Para passar por ela, os visitantes precisam mostrar uma credencial para o evento e atravessar um bloqueio que inclui detectores de metal e cachorros farejadores de drogas e explosivos.

Barracas

Dentro do estádio, os participantes de fora de São Petersburgo estão acampados em barracas de lona ao ar livre, enfrentando o calor de até 30 graus dos últimos dias e a forte chuva da madrugada desta sexta-feira.

Outro dos organizadores do encontro, o russo Aleksandr Buzgalin, diz temer que o esquema de segurança montado pelas autoridades locais signifiquem na prática um confinamento dos manifestantes no estádio durante os três dias da cúpula do G8.

Os manifestantes pretendiam realizar uma grande passeata neste sábado, saindo do estádio Kirov e caminhando em direção ao centro de São Petersburgo. Mas ela foi proibida pelo governo da cidade, sob o argumento de que ela prejudicaria o trânsito.

Com as restrições, as manifestações dos grupos presentes ao encontro se limitam a trocas de informações entre os próprios manifestantes.

Na entrada do estádio, há um grande painel com montagens de fotos e obras de arte com imagens dos líderes presentes no encontro. Entre as montagens, estão imagens de Bush abraçando Osama Bin Laden, Condoleezza Rice vestida com uma roupa que lembra à de uma passista de escola de samba e o presidente russo, Vladimir Putin, representado como um imperador.

Estrangeiros

Karine Clement diz lamentar principalmente a quase ausência de ativistas estrangeiros no local.

"Um dos nossos principais objetivos era estabelecer um contato entre nossos atvistas e manifestantes estrangeiros anti-globalização", conta. "Mas isso não vai acontecer."

Além de todos os problemas enfrentados pelos ativistas russos, os estrangeiros têm ainda o obstáculo da concessão do visto de entrada na Rússia, concedido somente mediante uma carta de recomendação de alguém do país.

Segundo as estimativas de Clement, apenas entre 50 e 100 estrangeiros participam do fórum – todos europeus. Entre eles está um grupo de 13 gregos, "veteranos" dos Fóruns Sociais pelo mundo afora.

Vestindo um boné alusivo ao Fórum Social Mundial de 2005, realizado em Porto Alegre, Anastasia Theodorakopoulou, de 52 anos, diz que seu grupo só conseguiu chegar a São Petersburgo porque entrou no país em Moscou como se fossem turistas.

"Para nós não foi muito difícil chegar, mas sabemos de muitas pessoas que tiveram problemas", relatou ela à BBC Brasil. "Muito diferente dos Fóruns Sociais em Porto Alegre", disse.

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