BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 07 de julho, 2006 - 11h30 GMT (08h30 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
PT ainda não recebeu nenhuma doação, diz Berzoini

Ricardo Berzoini
Segundo Berzoini, campanha não terá sempre presença de Lula
Um dia depois de ter registrado o teto de R$ 89 milhões para gastos na campanha de reeleição presidencial, o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não tinha recebido nenhuma contribuição, de acordo com o presidente nacional do partido e coordenador da campanha presidencial do partido, deputado Ricardo Berzoini.

“Infelizmente não. Não recebi nenhuma até agora”, disse Berzoini em entrevista à BBC Brasil. Ele disse que várias pessoas já o haviam procurando antes mesmo do início oficial da campanha com intenção de contribuir, “mas que a arrecadação é sempre devagar nos primeiros dias”.

Berzoini também disse que a campanha, que será lançada oficialmente no dia 13, num restaurante em São Bernardo do Campo, será feita na maior parte sem a presença nos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que continua no cargo.

“Vamos fazer uma agenda que seja intensa, mas sem a obsessão de estar a cada momento com a presença física do presidente”, afirmou.

A educação será o principal tema, agora que o partido considera que o governo já resolveu os problemas mais urgentes da economia.

Leia a entrevista:

BBC Brasil - O que há de diferente nos programa de governo em relação à campanha passada?

Ricardo Berzoini - O principal é que os grandes desafios conjunturais de curto prazo foram superados com sucesso: restabelecer a credibilidade da economia brasileira, tanto no plano interno como externo, evitar o risco de esgotamento da dívida interna que existia concretamente em 2002, melhorar o perfil das contas externas, voltar a gerar emprego, implantar programas sociais de largo alcance como o Bolsa Família e o Pro-Uni. Todos esses desafios foram enfrentados, e em larga medida alcançado sucesso desses temas.

BBC Brasil - Ou seja, sai do programa a necessidade de mostrar que o PT vai ser responsável com a economia. E o que entra?

Berzoini - Não é só isso. Não é mostrar, é mudar a política econômica. O nosso governo, ao contrário do que se diz, mudou a economia. Teve um foco muito grande em desmontar a bomba da dívida interna. A obsessão do presidente em ampliar as exportações é contrastante com o governo passado, que criou um mecanismo perverso na área cambial que reduziu as exportações e aumentou as importações.

BBC Brasil - Mas isso não está acontecendo de novo?
Berzoini - Não, não está. Estamos batendo recordes de exportações.

BBC Brasil - Mas a agricultura está numa grande crise e espera para o próximo ano uma grande redução da safra, de acordo com os especialistas.

Berzoini - Podemos ter no ano que vem uma redução da área plantada, que é conseqüência da combinação da crise cambial com queda nas cotações internacionais. Se fosse só a questão cambial não teria tanto impacto. A crise não é geral, alguns setores estão indo bem.

BBC Brasil - E quais serão os principais temas da campanha neste ano?

Berzoini - A educação é o tema central. Estamos convencidos de que o Brasil agora, com a aprovação do Fundep, a retomada do investimento em universidade e escolas técnicas federais, tem um grande desafio que é integrar um esforço da União, Estados e municípios para qualificar o ensino fundamental.

Não podemos continuar a ter Estados, como o Estado de São Paulo, onde muitas crianças chegam à terceira ou à quarta série do primeiro grau mal sabendo ler. Vamos implantar um método de gerenciamento nacional, com um processo de mobilização e integração dentro do pacto federativo para estabelecer mecanismos de acompanhamento, supervisão e controle, para que este dinheiro todo que é gasto seja melhor aproveitado.

Queremos integrar o esforço da União com Estados e municípios para qualificar professores e aferição de resultados do processo educacional. O Brasil precisa melhorar este quadro não apenas por uma questão econômica, mas para permitir que as pessoas possam participar da vida política do país. Já superamos as agendas emergenciais e podemos tratar das agendas estruturantes.

Temos a avaliação de que a continuidade das políticas econômicas e trabalhistas que foram desenvolvidas neste primeiro governo podem acelerar a geração de empregos. Temos saldo positivo de 4,2 milhões de empregos gerados neste governo e acreditamos que com a economia organizada, com inflação sob controle e com os juros em queda é possível alcançarmos uma velocidade maior de geração de empregos, especialmente quando casamos a dinâmica da economia de mercado numa situação conjuntural melhor com iniciativas governamentais na área de energia, com biodiesel, incentivo à exportação de etanol, fontes alternativas e aumento dos investimentos para produção de petróleo. Tudo isso pode gerar uma dinâmica mais intensa de geração de empregos no nosso país.

BBC Brasil - O PT já anunciou que o presidente Lula vai fazer campanha depois do expediente na Presidência. Como isso vai acontecer na prática?

Berzoini - Na prática significa manter o ritmo do governo com essa peculiaridade do candidato no cargo, como existe em outros países. E é preciso separar as atividades de governo das de candidato. Presidente é presidente 24 horas, mas é preciso separar as agendas.

BBC Brasil - E vai dar tempo de fazer campanha? O presidente tem aí pelo menos três viagens internacionais nos próximos dois ou três meses.

Berzoini - A campanha não se dá só pela presença física do candidato. Na outra eleição, ele tinha todo o tempo para fazer campanha. Agora evidentemente ele sabe que tem de conciliar a agenda de presidente com a de candidato.

BBC Brasil - O PT anunciou na quarta-feira o teto de R$ 89 milhões de gastos para a campanha, o mais alto de todos os partidos. Já começaram a aparecer as contribuições?

Berzoini - Não, infelizmente não. Não recebi nenhuma até agora (risos). Na verdade nós sabemos que é um processo que nos primeiros dias é lento. Temos várias pessoas que disseram que já tinham dito antes de começar a campanha que gostariam de contribuir. Mas tem que abrir conta, e as contribuições só podem ser aceitas a partir de agora. Na semana que vem vamos colocar na internet as orientações para quem quiser fazer doações como pessoa física e estaremos iniciando os contatos com as empresas que possam fazer doações como pessoa jurídica.

BBC Brasil - O presidente Lula começa a campanha oficialmente no dia 13. Outros candidatos já começaram hoje. Não é um pouco tarde?

Berzoini - Não, não é porque as pessoas já sabem que o presidente é candidato. Dia 13 é um dia simbólico para o PT, vamos lançar em São Bernardo do Campo que é onde o presidente começou sua vida política. E a partir daí vamos fazer uma agenda que seja intensa, mas sem a obsessão de estar a cada momento com a presença física do presidente. O PT está em campanha desde já. Com certeza, cada petista, cada prefeito, cada governador, cada senador nosso está conversando com seus eleitores, com seus amigos, para discutir a necessidade da reeleição do presidente Lula.

Assim também como os coligados do PC do B, do PRB e os aliados dos demais partidos que apóiam o presidente Lula sem coligações. Não estamos adiando por achar que não precisa fazer campanha, mas porque a campanha não é só o processo da agenda do presidente. Também tem toda uma estrutura partidária e dos movimentos sociais que estão na rua discutindo a reeleição do presidente Lula.

Em alta
Lula pode gastar até R$ 89 milhões; PSDB, R$ 85 mi.
LulaCampanha 2006
Gastos podem superar os da Grã-Bretanha e Alemanha.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade