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Alemanha aproveita Copa para adotar medidas polêmicas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em meio à euforia causada pela Copa do Mundo da Alemanha, medidas polêmicas aprovadas pelo governo alemão têm passado quase despercebidas pela opinião pública. O governo da chanceler Angela Merkel anunciou um dos maiores aumentos de impostos do pós-guerra durante a primeira fase da Copa: a taxa sobre circulação de mercadorias e serviços deverá subir na Alemanha de 16% para 19% no ano que vem. A repercussão não foi tão negativa quanto era esperado, já que o país parece mais preocupado com o destino de sua seleção no Mundial do que com o jogo político em Berlim. Várias outras medidas impopulares também estão sendo discutidas e deverão ser aprovadas pelo Parlamento ainda antes do apito final da Copa, no dia 9 de julho. Entre elas estão cortes na ajuda financeira a desempregados e uma reforma do sistema de saúde, que prevê custos mais altos para pacientes. Distração Em Berlim, políticos admitem que a distração causada pela Copa tira a pressão sobre dos partidos, que podem negociar mais livremente. “Com tanto festa, quase esquecemos que há um governo trabalhando na capital”, comentou Klaus-Peter Siegloch, jornalista da televisão alemã ZDF. No entanto, a imprensa também esquenta o clima de festa. A própria ZDF reduziu seu noticiário principal de meia hora para 15 minutos durante a Copa. A maioria dos jornais tem cadernos especiais sobre a Copa de até 20 páginas, e com isso a política fica em segundo plano. Para a respeitada revista Der Spiegel, Angela Merkel está “lucrando com a euforia” causada pelo torneio. "Só depois da Copa os alemães vão perceber a dimensão das decisões tomadas durante a competição", diz o semanário. Isso vale também para declarações polêmicas. A chanceler alemã comparou recentemente a Alemanha a uma empresa quase falida que “tem que ser saneada”. O que normalmente seria alvo de protestos e muita discussão acabou sendo esquecido rapidamente pela opinião pública. Merkel, considerada uma primeira-ministra fria, que raramente mostra suas emoções, não deixa de ver os jogos da seleção alemã e chega a vibrar com os jogadores. Com isso, ganha a simpatia dos torcedores. “Quando a vimos tão solta assim?”, perguntou o jornal popular Bild, depois que Merkel saltou de sua cadeira na tribuna de honra durante o jogo Alemanha x Polônia em um lance emocionante da partida. Para a chanceler alemã, que lidera um complicado governo de coalizão, a Copa significa que ela pode, finalmente, trabalhar sem a pressão da opinião pública, eletrizada pelo futebol. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Alemanha vence a Suécia e passa para as quartas24 junho, 2006 | BBC Report Copa desperta novo nacionalismo na Alemanha 19 junho, 2006 | BBC Report Torcedores ingleses recebem código de conduta14 junho, 2006 | BBC Report Angela Merkel quer ser 1ª mulher a governar a Alemanha15 setembro, 2005 | BBC Report Análise: Com Merkel, futuro da Alemanha é nebuloso22 novembro, 2005 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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