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Atualizado às: 28 de junho, 2006 - 16h16 GMT (13h16 Brasília)
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Alemanha aproveita Copa para adotar medidas polêmicas

Angela Merkel
Angela Merkel está governando sem pressão da opinião pública
Em meio à euforia causada pela Copa do Mundo da Alemanha, medidas polêmicas aprovadas pelo governo alemão têm passado quase despercebidas pela opinião pública.

O governo da chanceler Angela Merkel anunciou um dos maiores aumentos de impostos do pós-guerra durante a primeira fase da Copa: a taxa sobre circulação de mercadorias e serviços deverá subir na Alemanha de 16% para 19% no ano que vem.

A repercussão não foi tão negativa quanto era esperado, já que o país parece mais preocupado com o destino de sua seleção no Mundial do que com o jogo político em Berlim.

Várias outras medidas impopulares também estão sendo discutidas e deverão ser aprovadas pelo Parlamento ainda antes do apito final da Copa, no dia 9 de julho.

Entre elas estão cortes na ajuda financeira a desempregados e uma reforma do sistema de saúde, que prevê custos mais altos para pacientes.
Membros do governo chegaram a propor mais um aumento de impostos para financiar a previdência social, e o protesto foi surpreendentemente pequeno.

Distração

Em Berlim, políticos admitem que a distração causada pela Copa tira a pressão sobre dos partidos, que podem negociar mais livremente.

“Com tanto festa, quase esquecemos que há um governo trabalhando na capital”, comentou Klaus-Peter Siegloch, jornalista da televisão alemã ZDF.

No entanto, a imprensa também esquenta o clima de festa. A própria ZDF reduziu seu noticiário principal de meia hora para 15 minutos durante a Copa. A maioria dos jornais tem cadernos especiais sobre a Copa de até 20 páginas, e com isso a política fica em segundo plano.

Para a respeitada revista Der Spiegel, Angela Merkel está “lucrando com a euforia” causada pelo torneio. "Só depois da Copa os alemães vão perceber a dimensão das decisões tomadas durante a competição", diz o semanário.

Isso vale também para declarações polêmicas. A chanceler alemã comparou recentemente a Alemanha a uma empresa quase falida que “tem que ser saneada”.

O que normalmente seria alvo de protestos e muita discussão acabou sendo esquecido rapidamente pela opinião pública.

Merkel, considerada uma primeira-ministra fria, que raramente mostra suas emoções, não deixa de ver os jogos da seleção alemã e chega a vibrar com os jogadores. Com isso, ganha a simpatia dos torcedores.

“Quando a vimos tão solta assim?”, perguntou o jornal popular Bild, depois que Merkel saltou de sua cadeira na tribuna de honra durante o jogo Alemanha x Polônia em um lance emocionante da partida.

Para a chanceler alemã, que lidera um complicado governo de coalizão, a Copa significa que ela pode, finalmente, trabalhar sem a pressão da opinião pública, eletrizada pelo futebol.

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