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Seqüestro expõe fraqueza da liderança política palestina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O seqüestro do soldado israelense Gilad Shalit por militantes palestinos, expôs a fraqueza da liderança política palestina. Nem o presidente Mahmoud Abbas, nem o primeiro ministro Ismail Haniya, tem o controle da situação de crise que se criou em decorrência do seqüestro. Segundo vários analistas, o ataque ao posto militar israelense foi realizado por militantes palestinos que não obedecem às instruções da liderança política na Faixa de Gaza, nem do Fatah e nem do Hamas local, mas seguem as ordens do líder do Hamas no exílio, Haled Mashal, que se encontra em Damasco. O Izadin El Kassam, braço armado do Hamas, assinou um comunicado assumindo o seqüestro juntamente com o Comitê de Resistência Popular e o Exército do Islã. Hamas dividido O seqüestro demonstra uma divisão profunda dentro do próprio Hamas. O primeiro ministro Ismail Haniya, que representa a linha moderada na organização, estava, antes do seqüestro, prestes a chegar a um acordo com o presidente Abbas que incluiria o fim da violência e o reconhecimento da existência de Israel. Já o líder no exílio, Haled Mashal, rejeitou o acordo e tem o apoio do braço armado da organização. "Houve um enfraquecimento grave da posição do primeiro-ministro Ismail Haniya. No contexto dos últimos desdobramentos, o presidente Mahmoud Abbas deixou de ser a única figura fraca na liderança da Autoridade Palestina", afirmou o analista para assuntos palestinos, Avi Issaharof, em artigo no jornal Haaretz. "Haniya também parece não ter uma influência concreta sobre o que acontece. Ele depende totalmente dos militantes do braço armado, que por sua vez recebem suas ordens de Haled Mashal, de Damasco", disse o analista. Stalingrado israelense O Professor Shaul Mishal, especialista em Oriente Médio, disse à radio estatal israelense que "em vista da fraqueza das lideranças locais, a única solução para o problema do soldado seqüestrado deve ser de âmbito regional, com o envolvimento do Egito, Jordânia e Arábia Saudita, para que tentem influenciar o governo sírio a convencer a liderança do Hamas em Damasco a libertar o soldado". Mishal também advertiu dos perigos de uma possível invasão israelense na Faixa de Gaza: "se invadirem, não vão conseguir libertar o soldado com vida e essa operação militar pode se transformar em uma Stalingrado israelense". O porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Obeida, já declarou que "se os israelenses invadirem a Faixa de Gaza, não serão recebidos com ramos de flores" e o Jihad Islâmico anunciou que está preparando "barricadas e campos minados" para uma possível invasão. Segundo a mídia palestina, o presidente Abbas e o primeiro ministro Haniya se reuniram, na noite de segunda-feira, para discutir a crise. Abbas teria pedido a Haniya que enviasse a milícia do Hamas para procurar e soltar o soldado israelense, mas Haniya teria se recusado. Em vista das manifestações das famílias dos prisioneiros palestinos, que exigem que o soldado israelense não seja libertado sem "receber nada em troca", Haniya se encontra entre o martelo e a bigorna. |
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