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Venezuela critica ação dos EUA na ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O embaixador venezuelano na Organização das Nações Unidas, Francisco Árias Cárdenas, acusou os Estados Unidos de exercer "uma pressão absolutamente injustificável", ao exortar países membros da ONU a votar na Guatemala – e não na Venezuela – para uma vaga rotativa do Conselho de Segurança para o biênio de 2007-2008. A eleição para cinco dos dez países que integrarão o Conselho nas vagas rotativas está marcada para outubro e, se até lá, o Grupo da América Latina e do Caribe (Grulac) não apontar um candidato único, a decisão será tomada pela Assembléia Geral. Os novos representantes do Conselho serão os que conseguirem dois terços dos votos dos 191 membros da instituição. Na quinta-feira, a BBC publicou um comunicado que o Departamento de Estado americano tem enviado a países membros da ONU. O texto diz que “infelizmente a Venezuela tem demonstrado que ela está mais preocupada em interromper eventos internacionais do que em trabalhar construtivamente para o alcance de objetivos comuns.” Perturbação O comunicado prossegue afirmando que a Venezuela perturbou o andamento de eventos como a Cúpula das Américas, na Argentina, e que o país foi o único membro das Nações Unidas a rejeitar o documento final da Cúpula Mundial da Assembléia Geral da ONU em 2005. O documento conclui dizendo que a “Guatemala oferece uma alternativa viável e que conta com um substancial apoio na região latino-americana.” Já a Venezuela conta, entre outros, com o apoio declarado do Brasil, da Argentina e de Cuba. O Chile, que vem sendo pressionado pelos EUA, não revela o seu voto. Além do apoio americano, a Guatemala garantiu o voto da Colômbia e do Peru, além de países centro-americanos mais alinhados com Washington. Leia abaixo a entrevista do embaixador venezuelano à BBC Brasil. BBC Brasil - O que a Venezuela tem dito a seus vizinhos ao pedir apoio a sua candidatura ao Conselho de Segurança? Cárdenas – Temos dito aos nossos vizinhos da América Latina que se não houver um acordo no Grulac, que estamos competindo pelo Conselho de Segurança. Dizemos que os ataques que temos recebido e as combinações que os Estados Unidos têm feito com alguns países para que não votem em nós têm que ser vistos como uma pressão absolutamente injustificável. Esta é a primeira vez que estamos nos promovendo como um Estado independente. Nós (a Venezuela) já estivemos no Conselho de Segurança, mas com a direção que se fazia tradicionalmente com o governo dos Estados Unidos. Agora estamos nos propondo como um candidato independente e buscando o apoio de nossos próprios povos irmãos para trabalhar em função de seus próprios interesses. É preciso que se respeite e se escute com atenção a voz dos povos pequenos, porque não é só o dinheiro de um país que pode demarcar a direção, o destino do Conselho de Segurança. O fator de equilíbrio para nós é importante. Não há nenhum temor de que vamos gerar este ruído permanente de que fala este comunicado do governo dos EUA. Estaremos dialogando, mas vamos dialogar na defesa de nossos próprios princípios. Vamos estabelecer relações de igualdade e fraternidade em função sempre da defesa de nossos próprios interesses. BBC Brasil - Qual a sua avaliação sobre o documento da diplomacia dos Estados Unidos que convidava alguns países a votar pela candidatura da Guatemala? Cárdenas – Nós pensamos que os Estados Unidos têm um poder suficiente no Conselho de Segurança – de membro permanente com poder de veto – e não necessita ter mais ainda mais poder. Queremos ser candidatos como um país independente dos povos do sul e dos povos desenvolvidos que entendem que a nossa relação tem que ser de independência e dignidade, e não de subordinação. Entendemos que esta campanha está polarizando as coisas de uma maneira que não é conveniente nem mesmo para os Estados Unidos. Eles estão cometendo um gravíssimo erro. E isso, na Assembléia Geral, quando eles se inteirarem de seu erro, de que os povos preferem ser tratados com dignidade. Preferem ser tratados com respeito e não gostam da imposição. E os povos da África, da Ásia e da América Latina saíram com lutas muito duras da subordinação colonial. Estavam lutando para obter o desenvolvimento que lhes permita ter igualdades de condições para seus próprios habitantes. Se eles se sentirem pressionados desta maneira, estou absolutamente seguro de que vão reagir com a sua consciência, vão reagir com sua liberdade e vão dar o seu voto à proposta que a Venezuela está fazendo para o Conselho de Segurança. BBC Brasil - Que posições a Venezuela teria no Conselho em questões que os americanos consideram cruciais, como o genocídio no Sudão, e a não proliferação nuclear em países como o Irã e a Coréia do Norte? Cárdenas – A posição dentro de cada caso tem que ver com a avaliação que fizermos no momento conjuntural. É difícil adiantar sobre cada caso, se vamos estabelecer uma posição de condenação ou uma posição de indicação. Vamos participar na agenda, quando nos couber. Quando presidirmos (o Conselho de Segurança) estamos seguros de que vamos corresponder e vamos preparar a agenda em função dos pontos que estiverem sobre a mesa no momento. Neste momento, nós somos membros do Conselho de Segurança e não podemos ter agenda e nem dizer qual vai ser a condução da defesa que vamos fazer de cada propósito. Mas a base fundamental que temos que dizer neste momento é que vai ser buscar o equilíbrio e ir às partes que estão implicadas nas circunstâncias e pressionar para que a decisão que se tome no momento determinado não obedeça a interesses de um grupo de poder ou de dinheiro, mas ao interesse mais próximo da justiça e do respeito e da busca da igualdade entre os povos. BBC Brasil – Que movimentos de negociação a Venezuela está organizando para obter os votos na Assembléia Geral? E quantos votos já tem declarados? Cárdenas – Os votos declarados são suficientes para entrar no Conselho de Segurança. E quando se tem esse tipo de pressão (dos EUA) nós temos que respeitar os países irmãos, amigos, que nos dizem que o “meu voto é secreto e não é conveniente para mim (revelá-lo) pela situação em que estou”. Não vamos divulgar. Quando proceder a votação secreta, teremos um número muito superior aos 127 votos mínimos para estar no Conselho de Segurança. Estamos tocando e explicando caso por caso a cada um dos representantes permanentes os propósitos e ideais que nos levam a aspirar pertencer ao Conselho Segurança. E estamos fazendo com as nossas embaixadas em cada um dos países e através de países que sentem que seria bom que a Venezuela estivesse (no Conselho). Esta é uma campanha muito importante para nós. E queremos dizer aos países e aos povos dos países amigos que isso que está se apresentando contribui bastante para o processo de renovação da Organização das Nações Unidas e que é um sinal dos tempos, que um país decida com plena liberdade e que possa colocar suas idéias com clareza – e que não seja visto como um perigo pelos Estados Unidos. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Kirchner critica posição americana sobre Chávez22 junho, 2006 | BBC Report Venezuela critica oposição dos EUA a vaga na ONU21 de junho, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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