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Zinha leva sotaque e drible brasileiro à seleção do México | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Zinha, meio-campista nascido no Brasil e naturalizado mexicano joga há três anos na seleção do México que vai participar da Copa do Mundo. Antonio Naelson Matías, nasceu em São Paulo, em 23 de maio de 1976. Ainda na infância, recebeu o apelido de “Zinha”. Adolescente, jogou em clubes brasileiros, como América de Rio Branco e América de São Paulo. No entanto, seu 1,63 metro de altura parecia ser um obstáculo para despertar o interesse dos grandes clubes brasileiros. Com apenas 20 anos, aceitou a oferta do Saltillo - um modesto clube da Primeira divisão 'A' do México (equivalente à segunda divisão) - que, impressionado com suas qualidades técnicas, decidiu contratar o desconhecido meio-campista. Na temporada 98-99, Zinha foi transferido para o Monterrey, clube da Primeira Divisão, e daí para o Toluca, equipe com a qual obteve seus maiores êxitos. Passados dez anos, a vida de Zinha mudou completamente: conquistou três títulos na Primeira Divisão do México com o Toluca, casou-se com uma mexicana, adquiriu uma nova nacionalidade e é convocado para a seleção do país que o adotou. Durante a última etapa de preparação da seleção mexicana, na sua passagem por Paris antes de chegar à Alemanha, Zinha deu entrevista à BBC Brasil. BBC - Zinha, como você lidou com a polêmica sobre sua naturalização? Houve comentários de que no início você não foi aceito no México. ZINHA - Sim, houve alguns comentários de que eu não fui muito aceito, mas respeito qualquer opinião. Acho que todo mundo tem direito a ter uma opinião. Logicamente, eu tinha um pouco de medo, mas não, foi o contrário, o pessoal (se comportou) bastante bem comigo, e até o momento tem me tratado bastante bem. Não tenho nenhum tipo de problema com ninguém; ao contrário, me receberam bastante bem; sou um privilegiado na vida, porque cheguei aqui. E a minha forma de ser, a minha forma de viver e trabalhar foi bem aceita dentro do grupo. BBC - Como você responde às críticas sobre o fato de que se naturalizou mexicano porque nunca iria a chegar à Seleção Brasileira? Você se naturalizou porque queria jogar na seleção ou porque sentia um carinho especial pelo México? ZINHA - Não, não teve nada a ver com a seleção; eu cheguei (ao México), conheci uma mulher maravilhosa, casei, e com ela tomei a decisão da nacionalidade. Não teve nada a ver com futebol. Nesse momento (quando nos casamos), o jogador naturalizado não podia jogar na seleção. Não acho que tenha sido por aí. Eu tenho certeza absoluta de que tomei a decisão pela minha esposa. BBC - O México começa o Mundial jogando com o Irã, o segundo jogo é com Angola e o terceiro com Portugal, que no papel é a equipe mais forte do grupo, juntamente com o time mexicano. O que é que você pode nos dizer sobre Portugal? ZINHA - Portugal, pela lógica, é o time a ser vencido. É uma equipe que tem jogadores de renome, de muito potencial e mundialmente conhecidos - Figo, Deco, Ricardo Carvalho. Podemos falar muito de Portugal, mas temos que levar em conta que tanto o Irã quanto Angola têm boas equipes e também deverão ser rivais difíceis. BBC - Todos sabem da rivalidade histórica entre argentinos e brasileiros. Por isso, muitos acharam até engraçado e paradoxal que um técnico argentino escolha um brasileiro para jogar... na seleção mexicana! Como é a sua relação com seu técnico, o argentino Ricardo Lavolpe? ZINHA - Sim, é bastante engraçado, porque há muita rivalidade entre Brasil é Argentina. Eu acho que (a convocação) foi pelo trabalho que fiz. Quando ele (Lavolpe) esteve no Toluca, o time jogou bastante bem; fui um dos jogadores de destaque. Ele gosta muito da minha maneira de jogar - um jogador versátil e que tem raça. Foi por isso. Mas não tenho amizade com ele. É simplesmente o que a gente vive no dia a dia no treino, conversa técnica e nada mais. BBC - Então é mais uma relação profissional. Mas não há muitas brincadeiras sobre a rivalidade entre argentinos e brasileiros? ZINHA - Dentro do treino, de repente existe, mas não passa daí, fica nisso mesmo. E ao terminar o treino, cada um para o seu lado, é seguir a vida normal. Ele faz brincadeiras, claro, como qualquer profissional. BBC - Sendo brasileiro de origem, não dá para deixar de perguntar o que você acha da seleção canarinha... ZINHA - Logicamente que (Brasil) é o rival a ser vencido, não é? É um país que tem muitos jogadores. Há jogadores que desequilibram em qualquer parte do mundo. Quando eles se juntam na Seleção, então, ainda mais. É a seleção que todos queremos derrotar. Mas o México pode ser a surpresa. Deus queira que cheguemos ao fim da competição com a mesma atitude que tivemos até agora. |
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