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Atualizado às: 05 de junho, 2006 - 21h50 GMT (18h50 Brasília)
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Vitória de García é revés para Chávez e alivia Bush

Alan García
García promete se comportar como o "esquerdista responsável"
O efeito Chávez é a marca da atual temporada eleitoral latino-americana. O medo do petropopulismo do presidente venezuelano e a insatisfação em relação a seus esforços para estender sua influência no continente foram fatores decisivos para a vitória de Alan García nas eleições peruanas de domingo.

Na expressão do jornal The Washington Post, Chávez conseguiu substituir George W. Bush como o "fantasma imperialista" na América Latina.

García, um dos mais ineptos presidentes da história latino-americana (1985-90), comprova que existe um segundo ato em política. Mas ele jamais teria tido seu espetacular desempenho sem encenar um velho truque eleitoral. Apontar o oponente Ollanta Humala como o mal maior. Pior do que isto, como um marionete de Hugo Chávez.

Em Washington e em todas as partes avessas a Chávez, a eleição de García foi vista de fato como um mal necessário. Com sabedoria, o governo Bush assumiu uma postura discreta na campanha peruana, em contraste com a estridência do presidente venezuelano, que apoiou Humala abertamente e não se cansou de insultar García.

Populismo

O ex-presidente peruano traz de volta ao poder a enferrujada máquina clientelista da Apra, mas para Washington trata-se de uma versão mais palatável de populismo, especialmente agora que García promete se comportar como o "esquerdista responsável", em contraste com Chávez e o boliviano Evo Morales. Na verdade, em contraste com tudo o que ele fez no seu primeiro governo.

Em meio ao antiamericanismo que assola o continente, o governo Bush teve dois consolos consecutivos. O primeiro foi a previsível reeleição do colombiano Álvaro Uribe no úlitmo 28, e agora a derrota, mais surpreendente, de Humala (termo mais efetivo do que vitória de García) no Peru. Outro consolo, claro, foi ver os gigantes sul-americanos, Brasil e Argentina, irritados com as ambições nacionalistas e incendiárias do boliviano Morales, lubrificadas por Hugo Chávez.

Mas Washington não deve ter ilusões. A aversão a Chávez não resulta automaticamente em entusiasmo por Bush. Existem variantes de populismo na América Latina e dirigentes não querem ser vistos como marionetes americanos.

Basta ver que a Apra de Alan García tem uma longa tradição de resistência à influência dos Estados Unidos e o candidato vitorioso se manifestou contrário aos programas de erradicação de coca patrocinados pelo governo Bush.

A estratégia de se contrapor à influência do presidente venezuelano foi bem sucedida no Peru e deverá ganhar vigor no resto da maratona eleitoral latino-americana de 2006.

O foco maior será agora em julho nas eleições mexicanas, onde o fator Chávez está se revelando efetivo ao candidato do governista e direitista PAN, Felipe Calderón. O partido do presidente Vicente Fox parecia perdido, mas nas últimas semanas Calderón passou a martelar de forma insistente e com exageros os laços entre o esquerdista López Obrador (PRD) e Hugo Chávez.

A eleição promete ser apertada e Obrador foi colocado na defensiva, negando laços com Chávez. O petróleo venezuelano está contaminado.

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