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Alan García ataca Chávez em discurso da "vitória" | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O candidato à presidência do Peru, Alan García, do Partido Aprista Peruano (Apra), disse que os eleitores lhe deram uma segunda chance, se referindo às pesquisas que o apontam como vencedor do segundo turno, realizado neste domingo. “Não decepcionarei”, afirmou García. “Tenho uma imensa responsabilidade. Foi um voto de esperança e não é um cheque em branco”, acrescentou. Segundo as pesquisas de boca de urna e as chamadas contagens rápidas, realizadas pelo instituto de opinião Apoyo e pela ONG Transparência, o ex-presidente Alan García tem cerca de 5,4% de vantagem frente ao ex-militar Ollanta Humala, do UPP. Até às 20h30 (22h30 em Brasília) a Justiça Eleitoral (ONPE) não tinha divulgado nenhum dado oficial, mas García já tinha feito dois discursos, um seguido do outro, ambos comemorando sua suposta vitória. "Não a Chávez" Primeiramente ele falou no comitê de campanha diante das câmeras de televisão e em seguida para uma multidão, com bandeiras e estrelas vermelhas (símbolo da sua legenda) reunida em frente à Casa del Pueblo, sede do Partido Aprista Peruano. Em seu primeiro discurso, García atacou o presidente venezuelano, Hugo Chávez. “O Peru disse não a esta interferência. E eu acredito, sinceramente, senhor Chávez, na grandeza do nosso país e no nosso próprio nacionalismo”, disse. “Essa eleição não é importante apenas para o Peru, mas para a América Latina. Senhor Chávez votamos contra o modelo militarista”, ressaltou García. A expectativa de um resultado oficial apertado levou diferentes analistas peruanos a afirmarem que, se eleito, García deverá fazer um governo de “conciliação” – palavra usada por ele em seu discurso – e negociar com os diferentes partidos do país, principalmente o União pelo Peru, UPP. O partido de Humala conquistou o maior número de cadeiras (45) do Parlamento, superando o Apra que ficou apenas com 35 das 120 totais. China Dono de uma oratória marcada pelas referências históricas e com tom antigo de discursar, Alan García prometeu mais emprego, mais fábricas, maior relação com Brasil e Chile e disse que vai seguir o “exemplo econômico e social” da China. “Avançaremos muito, mas dentro da ordem e da transparência”, disse ele. “Aqui está a minha mão (falou estendendo a mão aos correligionários) como prova de meu amor pelo Peru”, afirmou. Alan García terminou seu discurso pedindo aos eleitores, que lotaram a praça em frente à Casa del Pueblo, que voltassem para casa e rezassem “um pai nosso por Alan García”. Ainda assim, o povo não deixou o local, continuou agitando as bandeiras com a estrela vermelha e cantando o hino do histórico Apra. “Apristas unidos a vencer...a triunfar...Apristas a lutar, unidos a vencer”, cantaram. Carnaval Logo depois, as caixas de som voltaram a tocar "La vida es carnaval", de Celia Cruz. Música que acabou substituindo o "regaton" que marcou sua campanha no primeiro turno das eleições. E para evitar a repetição de problemas que colecionou na sua primeira gestão presidencial, Alan García avisou, em seu discurso, que não aceitará a pressão de pedidos por cargos – acusação feita, na época, aos integrantes do seu próprio partido, cuja força, recordou o analista econômico Carlos Aquino, da universidade São Marcos, estava concentrada, principalmente, nos sindicatos. Até que chegou a era de privatizações do ex-presidente Alberto Fujimori, lembrou Aquino, “enfraquecendo” os sindicatos e o Apra. “Agora é preciso ver como os sindicatos reagirão a um novo governo García, já que na primeira gestão os sindicalistas pressionaram fortemente por aumentos salariais, entre outras reivindicações”, disse Aquino. Mas Aquino lembra que o país mudou: "O Estado peruano de hoje não é mais o dos anos oitenta. Os serviços estão privatizados e o país tem reservas recordes no Banco Central (cerca de US$ 15 bilhões) um presidente, mesmo que queira, não consegue, hoje, complicar muito o andar da economia”. O analista político Carlos Adríazen disse que Hugo Chávez acabou sendo um dos principais “cabos eleitorais” de García e que talvez se não fosse por sua interferência a favor da campanha de Ollanta Humala, o ex-militar teria tido mais chances de ocupar o palácio presidencial de Miraflores. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Boca de urna indica vitória de Alan García no Peru04 junho, 2006 | BBC Report Peruanos vão às urnas escolher novo presidente04 junho, 2006 | BBC Report Humala não reconhece pesquisas05 de junho, 2006 | Notícias Justiça Eleitoral no Peru avalia se García desrespeitou lei04 junho, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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