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Atualizado às: 05 de junho, 2006 - 02h32 GMT (23h32 Brasília)
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Alan García ataca Chávez em discurso da "vitória"

Alan García
Alan García comemora com eleitores resultado das pesquisas
O candidato à presidência do Peru, Alan García, do Partido Aprista Peruano (Apra), disse que os eleitores lhe deram uma segunda chance, se referindo às pesquisas que o apontam como vencedor do segundo turno, realizado neste domingo.

“Não decepcionarei”, afirmou García. “Tenho uma imensa responsabilidade. Foi um voto de esperança e não é um cheque em branco”, acrescentou.

Segundo as pesquisas de boca de urna e as chamadas contagens rápidas, realizadas pelo instituto de opinião Apoyo e pela ONG Transparência, o ex-presidente Alan García tem cerca de 5,4% de vantagem frente ao ex-militar Ollanta Humala, do UPP.

Até às 20h30 (22h30 em Brasília) a Justiça Eleitoral (ONPE) não tinha divulgado nenhum dado oficial, mas García já tinha feito dois discursos, um seguido do outro, ambos comemorando sua suposta vitória.

"Não a Chávez"

Primeiramente ele falou no comitê de campanha diante das câmeras de televisão e em seguida para uma multidão, com bandeiras e estrelas vermelhas (símbolo da sua legenda) reunida em frente à Casa del Pueblo, sede do Partido Aprista Peruano.

Em seu primeiro discurso, García atacou o presidente venezuelano, Hugo Chávez. “O Peru disse não a esta interferência. E eu acredito, sinceramente, senhor Chávez, na grandeza do nosso país e no nosso próprio nacionalismo”, disse.

“Essa eleição não é importante apenas para o Peru, mas para a América Latina. Senhor Chávez votamos contra o modelo militarista”, ressaltou García.

A expectativa de um resultado oficial apertado levou diferentes analistas peruanos a afirmarem que, se eleito, García deverá fazer um governo de “conciliação” – palavra usada por ele em seu discurso – e negociar com os diferentes partidos do país, principalmente o União pelo Peru, UPP.

O partido de Humala conquistou o maior número de cadeiras (45) do Parlamento, superando o Apra que ficou apenas com 35 das 120 totais.

China

Dono de uma oratória marcada pelas referências históricas e com tom antigo de discursar, Alan García prometeu mais emprego, mais fábricas, maior relação com Brasil e Chile e disse que vai seguir o “exemplo econômico e social” da China.

“Avançaremos muito, mas dentro da ordem e da transparência”, disse ele. “Aqui está a minha mão (falou estendendo a mão aos correligionários) como prova de meu amor pelo Peru”, afirmou.

Alan García terminou seu discurso pedindo aos eleitores, que lotaram a praça em frente à Casa del Pueblo, que voltassem para casa e rezassem “um pai nosso por Alan García”.

Ainda assim, o povo não deixou o local, continuou agitando as bandeiras com a estrela vermelha e cantando o hino do histórico Apra. “Apristas unidos a vencer...a triunfar...Apristas a lutar, unidos a vencer”, cantaram.

Carnaval

Logo depois, as caixas de som voltaram a tocar "La vida es carnaval", de Celia Cruz. Música que acabou substituindo o "regaton" que marcou sua campanha no primeiro turno das eleições.

E para evitar a repetição de problemas que colecionou na sua primeira gestão presidencial, Alan García avisou, em seu discurso, que não aceitará a pressão de pedidos por cargos – acusação feita, na época, aos integrantes do seu próprio partido, cuja força, recordou o analista econômico Carlos Aquino, da universidade São Marcos, estava concentrada, principalmente, nos sindicatos.

Até que chegou a era de privatizações do ex-presidente Alberto Fujimori, lembrou Aquino, “enfraquecendo” os sindicatos e o Apra. “Agora é preciso ver como os sindicatos reagirão a um novo governo García, já que na primeira gestão os sindicalistas pressionaram fortemente por aumentos salariais, entre outras reivindicações”, disse Aquino.

Mas Aquino lembra que o país mudou: "O Estado peruano de hoje não é mais o dos anos oitenta. Os serviços estão privatizados e o país tem reservas recordes no Banco Central (cerca de US$ 15 bilhões) um presidente, mesmo que queira, não consegue, hoje, complicar muito o andar da economia”.

O analista político Carlos Adríazen disse que Hugo Chávez acabou sendo um dos principais “cabos eleitorais” de García e que talvez se não fosse por sua interferência a favor da campanha de Ollanta Humala, o ex-militar teria tido mais chances de ocupar o palácio presidencial de Miraflores.

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