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Conversas no Oriente Médio não significam negociação de paz | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Analistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que o encontro que pode acontecer entre o premiê de Israel, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ainda vai passar longe de uma verdadeira negociação de paz. Olmert disse neste domingo aqui no Egito – depois de um encontro com o presidente egípcio Hosni Mubarak – que está disposto a se encontrar com Abbas para conversas. "Temos que ter muito cuidado com a palavra negociações de paz. O máximo que eles vão conseguir nestas conversas é tratar de problemas mais mundanos", diz o especialista em Oriente Médio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, Anthony Cordesman. O especialista cita como exemplos destas questões mais "mundanas" o controle das fronteiras da Faixa de Gaza e as discussões sobre como pagar os funcionários públicos palestinos sem quebrar o embargo de dinheiro para o Hamas imposto por países Ocidentais e por Israel. Unilateralismo O professor de ciências políticas da universidade israelense Bar Ilan, Gerald Steinenberg, diz que não há clima para que os dois lados retomem por hora o Mapa da Paz, o plano proposto pelo "quarteto" (Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia). "É um erro chamar isso (o possível encontro de Olmert e Abbas) de 'negociação de paz'. Há quinze anos vemos negociações de paz fracassando e nada mudou que nos permita acreditar na possibilidade de avanços significativos agora", diz o pesquisador israelense. O primeiro-ministro Ehud Olmert diz que se uma solução acordada com os palestinos não for possível, ele vai levar em frente o plano de definição das fronteiras de Israel de maneira unilateral. O plano do premiê prevê a retirada de alguns assentamentos pequenos na Cisjordânia, mas as colônias maiores – como Ariel e Malea Adumim – ficariam em território israelense. Intenções O professor de ciências políticas da Universidade Birzeit, na Cisjordânia, Samir Awad, não acredita que Ehud Olmert de fato espere chegar a uma posição comum com os palestinos nestas negociações. "Olmert tem o plano unilateral dele e é esse que ele quer executar", diz o cientista político palestino. "Não há nenhuma chance de um acordo de paz acontecer logo. Israel vai tentar seguir com políticas unilaterais que só dificultam cada vez mais a formação de um Estado palestino no futuro." Mas Awad diz que o presidente Mahmoud Abbas deve, de qualquer maneira, aceitar a oportunidade de conversar com Olmert para tentar "remediar os obstáculos que Israel coloca para o futuro do Estado palestino". O pesquisador cita, entre estes obstáculos, a barreira de separação israelense, que prejudica a continuidade territorial das comunidades palestinas. Impedimentos Anthony Cordesman concorda que atitudes israelenses dificultam o futuro da paz na região, mas diz que as posições palestinas também têm o mesmo efeito. "A eleição do Hamas, um grupo que ainda não aceita nem mesmo a existência de Israel é sem dúvida um sinal negativo para qualquer processo de paz", diz. O presidente Mahmoud Abbas diz que se o Hamas não admitir a possibilidade de paz com Israel, o assunto vai ser levado em um plebiscito à população palestina. "Não vai significar nada se for só uma pergunta generalizada para descobrir que porcentagem da população quer viver em paz com Israel", diz o pesquisador. "A questão não é se os palestinos ou israelenses querem ou não viver em paz, mas que concessões o povo e seus líderes estão dispostos a fazer para isso", disse. |
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