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Atualizado às: 30 de maio, 2006 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)
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Para colombianos, PCC lembra o cartel de Medellín

Pablo Escobar
O traficante Pablo Escobar dominou a vida de Medellín
As recentes ações do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo são comparadas por colombianos ao período de terror vivido pelo país durante o “reinado” de Pablo Escobar no comando do cartel de Medellín.

Políticos, autoridades e analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmaram que Escobar tinha necessidade de mostrar que era mais poderoso do que o Estado e que, com suas ações, era capaz de parar cidades – como ocorreu com Bogotá, capital da Colômbia, e Medellín, sua terra.

“Que terror o que aconteceu com São Paulo. Impressionante. Eu me lembrei dos nossos dias com Pablo Escobar. Com a capacidade que ele tinha para nos amedrontar e parar as cidades”, disse o senador Antonio Navarro, que chefiou até domingo a campanha eleitoral do candidato à Presidência Carlos Gaviria.

“O que aconteceu em São Paulo me lembrou Medellín, da época do cartel de Pablo Escobar”, afirmou o analista Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia, de Bogotá. Para ele, entre as “semelhanças” do que ocorreu em São Paulo e aquele período colombiano estão “duas organizações mafiosas, estruturadas e com hierarquia”.

Alerta

Para Alfredo Rangel, a outra relação entre aqueles dias de violência em Medellín e em São Paulo está nas prisões. Em Medellín, elas também não eram seguras, e muitas vezes, recordou Rangel, os grandes líderes determinavam as ações criminosas a partir das cadeias.

Um funcionário do primeiro escalão do governo do presidente reeleito Álvaro Uribe disse que o Brasil “deve estar atento” aos avanços dos narcotraficantes. “É hora de agir e não permitir que eles voltem a mostrar que têm poder, que podem mais que o Estado”, afirmou.

Na opinião desse assessor do governo colombiano, o fortalecimento do narcotráfico cumpre, normalmente, quatro etapas.

A primeira, segundo ele, já ocorreu no Brasil. “Foi quando os traficantes mostraram que podiam parar a maior cidade da América do Sul, gerar pânico e deixar as autoridades atônitas, mesmo que por algumas horas”, disse.

A segunda etapa, que poderia caminhar junto ou não com a primeira, seria a capacidade dos traficantes de corromper autoridades e não apenas policiais ou seguranças das prisões. “Estamos falando de uma guerra de milhões de dólares, onde o poder dos traficantes não tem limites”, disse o assessor colombiana.

As outras etapas – todas já vividas pela Colômbia, maior produtor mundial da coca – seriam a sociedade se dividir em relação ao combate aos narcotraficantes até o ponto em que – a etapa final – se passa a duvidar de maneira ampla da capacidade do Estado de resolver o problema.

Algumas autoridades colombianas – tanto de direita como de esquerda – lamentam que o país não tenha optado por extraditar narcotraficantes para cumprirem sentenças de prisão nos Estados Unidos.

“O Brasil poderia ter aproveitado para extraditar (o traficante de drogas) Fernandinho Beira-Mar quando ele foi pego aqui na Colômbia. Todos eles (narcotraficantes) têm medo das prisões americanas”, disse uma autoridade policial colombiana.

Beira-Mar foi capturado em 2001, em território colombiano, e enviado ao Brasil.

“Loucura”

Na opinião de um representante do governo brasileiro em Bogotá, é “loucura” comparar Pablo Escobar com Marcos Herbas Camacho, o “Marcola”.

"Escobar também mandava e desmandava a partir do seu celular, mas de uma casa que tinha até hipopótamo e uma rede que contava com juízes, políticos e policiais", disse. “O que ocorreu em São Paulo foi único.”

Ainda hoje existe um bairro, em Medellín, com o nome do ex-líder do cartel.

“Medellín é a única cidade da Colômbia que tem metrô e é a mais bonita de todas. Nossa vida mudou com o fim de Escobar”, disse o taxista Enrique Arango, de 57 anos, nascido em Medellín e que há dez anos vive em Bogotá.

O analista Alfredo Rangel recorda que a recuperação de Medellín só foi possível graças a um pacote de medidas. Elas incluíram ações conjuntas do Exército e da polícia, com profissionais especializados em combater e capturar grandes criminosos.

O pacote contou ainda com os chamados juízes “sem rosto” – suas identidades não eram reveladas – para julgar os narcotraficantes. Logo depois, a Colômbia passou a ter três prisões nacionais de segurança máxima e distantes das áreas de ação dos bandidos.

Nelas, hoje, os telefonemas são controlados, presos são isolados, para impedir motins ou a organização de novos crimes. Os seguranças das cadeias recebem cursos especiais e têm tempo limitado em cada prisão – tudo para evitar que sejam corrompidos pelos presos mais poderosos.

“Não quer dizer que todo o sistema colombiano esteja resolvido e em boas condições. As outras prisões, onde estão presos comuns, também sofrem com excesso de gente e corrupção”, disse Rangel. “Mas têm dado resultados para o país as prisões de segurança máxima, onde estão os líderes do narcotráfico, da guerrilha e dos paramilitares”, afirmou Rangel.

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