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Atualizado às: 26 de maio, 2006 - 20h38 GMT (17h38 Brasília)
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Palestinos de Gaza torcem por sucesso em negociações

Conflitos entre facções aconteceram nas ruas de Gaza
Viver em clima tenso e violento não é novidade para ninguém na Faixa de Gaza. Mas os recentes confrontos sangrentos entre a milícia do Hamas e as forças de segurança comandadads pelo Fatah assustaram muitos palestinos já endurecidos pelas experiências nos território.

A grande diferença é que desta vez eram palestinos matando palestinos - com Hamas e Fatah medindo forças - sem o envolvimento dos israelenses, que desocuparam a Faixa de Gaza em agosto de 2005.

Agora os palestinos de Gaza torcem para que as negociações iniciadas pelo presidente Mahmoud Abbas na última quinta-feira consigam resolver a disputa de poder.

Os palestinos com os quais a BBC Brasil conversou na cidade de Gaza se mostraram otimistas.

“As duas facções (Fatah e Hamas) sabem que uma guerra civil tem que ser evitada, porque só iria destruir tudo o que se conquistou até agora. Agora eles têm 10 dias para achar alguma solução que consiga unificar o programa político dos dois”, disse por telefone, da cidade de Gaza, o analista político Talal Okal.

Referendo

O presidente Mahmoud Abbas disse na quinta-feira que o Hamas tem dez dias para aceitar uma proposta de paz com Israel, em troca da desocupação de toda a Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

Se o grupo islâmico não aceitar, Abbas disse que vai levar a proposta a referendo.

A proposta não traz nada de novo para a mesa de negociações com Israel, mas tem um peso grande na política interna palestina. Se o Hamas aceitá-la seria um reconhecimento, inédito por parte do grupo, da possibilidade de coexistir em paz com Israel.

O manifesto de fundação do Hamas – escrito em 1988 – diz que todo o território da “Palestina” (incluindo as áreas reconhecidas internacionalmente como pertencentes a Israel) é consagrado aos muçulmanos e “não pode ser cedido, todo ou em parte,” por nenhum governo.

Talal Okal acha que vai haver espaço para negociações e compromissos antes que vença o prazo dado pelo presidente Abbas.

“O grande problema é que agora eles dividem o poder mas não sabem direito até onde vai a parcela de cada um. O Hamas não ainda não sabe como trabalhar no governo e o Fatah precisa entender que não está mais sozinho”, diz Okal.

Milícias

Um sinal positivo veio na manhã desta sexta-feira, quando o Hamas determinou que os paramilitares armados que patrulhavam as ruas da Faixa de Gaza voltassem a seus quartéis.

A retirada diminuiu um pouco a tensão no território, embora lideranças do grupo tenham dito que eles vão continuar de prontidão e serão acionados quando necessário “para garantir a segurança”.

O estudante da Universidade Islâmica do Cairo, Hatem Shurrab, diz que passou os últimos dias com medo de que uma guerra civil estivesse se aproximando. “Mas o presidente Mahmoud Abbas tomou a iniciativa de convocar negociações e conseguiu tranquilizar as pessoas”, disse.

Nas orações desta sexta-feira o estudante pedia a Deus pela paz em Gaza, mas só depois de pedir ajuda para ir bem nos exames finais do curso de Língua e Literatura Inglesa que cursa na Universidade.

Shurrab diz que as pessoas nas ruas costumam se identificar fortemente com um partido ou outro na política palestina, mas que ninguém briga nas ruas por causa disso.

“Estes confrontos são entre forças armadas dos dois lados e não entre pessoas comuns nas ruas. Todo mundo gosta de discutir política mas violência é coisa rara”, diz.

Apatia

O jornalista Yasser Abu Moalik tem um visão diferente da relação dos palestinos comuns em Gaza com seus partidos políticos.

“As pessoas estão cansadas. Muitos podem até ter alguma ligação antiga com um partido ou outro, mas a maioria está desiludida com todos os lados”, desabafa.

Ele também acredita que as negociações convocadas pelo presidente Mahmoud Abbas vão ter efeito positivo.

“O presidente Mahmoud Abbas ainda tem o respeito de muita gente e pode conseguir alguma solução nestas negociações. Ninguém quer guerra civil”.

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