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Brasil pede mudança no sistema de patentes na OMS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil vai defender mudanças no sistema de patentes de remédios e mais investimentos nas chamadas doenças negligenciadas durante a assembléia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), que começa nesta segunda-feira. O tema das patentes deve ser um dos mais polêmicos da reunião. O texto da proposta brasileira – que está sendo apresentada junto com o Quênia – pedirá a simplificação do sistema de patentes atual para tornar a inovação tecnológica mais acessível aos países em desenvolvimento. "As empresas acabam se preocupando apenas com os medicamentos que dão lucro, então os governos precisam se preocupar com a saúde da população", diz o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Buss, um dos representantes do Brasil na assembléia. O belga Michel Lotrowska, representante da ONG Médicos Sem Fronteiras no Rio de Janeiro, afirma que “pela primeira vez vai se discutir a relação das patentes com a inovação tecnológica” em uma assembléia da OMS. Novo paradigma Segundo o Belga, "um recente relatório da própria OMS mostra que o atual sistema de patentes não atende as necessidades de saúde da população dos países em desenvolvimento para a criação de novos medicamentos". Para o ativista, o grande desafio da assembléia será estudar as alternativas para o sistema de pesquisa. "O lobby farmacêutico a favor das patentes é muito forte. Os países em desenvolvimento não conseguem se juntar todos para fazer uma resolução conjunta. Mas (agora) há a tentativa do Brasil com o Quênia para fazer uma resolução a favor de uma mudança do quadro global da questão da pesquisa e do desenvolvimento", diz Lotrowska. "Vamos ver se o Brasil e o Quênia conseguem passar isso dentro da assembléia (…) Isso permitiria a mudança do paradigma, da maneira como se pensa a saúde pública e as necessidades da população." Além de alterar o sistema de patentes, o Brasil quer a criação de um fundo internacional para as doenças negligenciadas, como dengue, malária e tuberculose, que têm alta incidência em segmentos mais empobrecidos da população mundial e, por isso, são de baixa visibilidade social, segundo o Ministério da Saúde brasileiro. Paulo Buss disse à BBC Brasil que já garantiu o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa para a proposta brasileira. "Temos a favor da nossa proposta a América do Sul e a África", disse, por telefone a partir de Lisboa, onde passou antes de seguir para a reunião em Genebra. Ele acredita que também contará com o apoio de países como a Malásia e o Vietnã, "que têm áreas pobres onde há registro de doenças negligenciadas", e até de países europeus, como Portugal, Espanha e França, "que têm um passado colonial e conhecem a realidade desses países". A 59º Assembléia Mundial de Saúde, instância máxima de decisões da OMS, é composta pelos 192 membros da organização. Neste ano, além da questão das patentes, serão discutidos outros temas, como a prevenção da gripe aviária e controle do tabagismo. O Brasil também abordará no evento da OMS a incorporação de terapias integrativas, como homeopatia, acupuntura e fitoterapia, no Sistema Único de Saúde (SUS). | NOTÍCIAS RELACIONADAS Cientistas criam método para prever reação a remédios23 de abril, 2006 | Ciência & Saúde Merck é condenada a pagar indenização de US$ 32 mi22 de abril, 2006 | Ciência & Saúde Cientistas anunciam terapia que desbloqueia artérias14 março, 2006 | BBC Report Novo remédio 'pode reduzir seqüelas de derrame'09 fevereiro, 2006 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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