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Atualizado às: 19 de abril, 2006 - 21h42 GMT (18h42 Brasília)
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Temor e dependência marcam relação de EUA e China

George W. Bush se reuniu com Hu Jintao em visita a Pequim em novembro de 2005
Bush se reuniu com Jintao em visita a Pequim em 2005
Na sua primeira visita a Washington, o presidente chinês Hu Jintao quer respeito para assim poder exibir prestígio em Pequim e também no resto do mundo.

Mas o encontro de quinta-feira na Casa Branca com o presidente George W. Bush é marcado por ambivalência. Os chineses insistem que se trata de uma visita de Estado. Para os americanos é uma visita de trabalho.

Haverá a salva de 21 tiros nos jardins da Casa Branca, mas nada de jantar de gala. Apenas almoço.

A gala noturna ficou reservada ao começo da viagem na terça-feira em Washington (o Estado na costa noroeste dos EUA), quando Hu Jintao jantou na casa de US$ 100 milhões de Bill Gates, o fundador da Microsoft e o homem mais rico do mundo.

Sutileza

As sutilezas do protocolo refletem as relações cada vez mais complexas entre os EUA e a China. Esta visita de Hu Jintao a Washington é a primeira de um dirigente de Pequim desde Jiang Zemin em 1997, quando a economia chinesa tinha a metade do seu tamanho atual.

O relacionamento entre EUA e China é cada vez mais íntimo e mais complicado. Existe desconfiança. Afinal, a China emerge como o país realmente em condições de competir em termos geopolíticos e econômicos após o curto período de hegemonia americana pós-Guerra Fria. Mas além da competição, há a dependência mútua.

George W. Bush e Hu Jintao estão diante de questões delicadas como a proliferação nuclear no Irã e Coréia do Norte; o apoio americano a Taiwan, que Pequim considera parte do seu território; as ansiedades geradas pelo déficit anual de US$ 200 bilhões no comércio dos EUA com a China; a realidade de uma moeda chinesa subvalorizada; a sofreguidão da China para conseguir commodities em todas as partes do mundo, inclusive no Brasil; e o sombrio prontuário chinês em direitos humanos.

Para a China é fundamental acalmar as ansiedades americanas (em termos imediatos, o foco é um clamor protecionista no Congresso), mas ao mesmo tempo reafirmar seus interesses estratégicos.

Existem os típicos gestos de boas intenções. Antes da chegada de Hu Jintao foram anunciados os planos para a compra de mais 80 aviões da Boeing (cuja fábrica foi visitada pelo presidente chinês na quarta-feira) e a libertação de uma freira tibetana.

Mas Hu Jintao não quer levar sermão público do presidente Bush ou dos americanos em geral. Por esta razão, da agenda em Washington não consta a típica entrevista conjunta à imprensa.

Soluções difíceis

Os laços entre os dois países são tão emaranhados que soluções unilaterais para resolver impasses são cada vez mais difíceis.

O subsecretário de Estado Robert Zoellick é o homem-chave de Washington no esforço de estabelecer o modus-vivendi bilateral e, com mais pretensão, o papel da China no século 21.

Para Zoellick, a China deve aprender a atuar como um "acionista responsável" na ordem mundial, ou seja, ajudar os EUA em crises de proliferação nuclear ou para estabilizar a economia internacional.

É uma maneira benevolente de conferir o status ao país que de acordo com algumas projeções poderá superar economicamente os EUA em 25 ou 30 anos.

Já a mensagem constante dos chineses é a de que a sua ascensão é mais uma oportunidade do que uma ameaça.

O fato concreto é que os EUA querem cooptar a superpotência emergente mesmo que ela se consolide como rival. Os negócios mundiais precisam de acionistas responsáveis.

O presidente chinês Hu JintaoNegócio da China
Bush discute redução de déficit com presidente chinês.
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