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Bolívia quer auditoria nos investimentos da Petrobras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Andrés Solíz, disse que a Petrobras deverá aceitar a inspeção de auditorias independentes que vão verificar se, de fato, a empresa brasileira investiu o que diz no país. "Acho que (a Petrobras) deve aceitar auditorias independentes", disse ele. "E acho que a Petrobras não verá problemas nisso." Solíz também foi enfático ao dizer: "Queremos que fiquem como sócios e não como patrões". As declarações, reproduzidas por sua assessoria de imprensa, foram feitas nesta quinta-feira e aumentam a tensão entre o governo boliviano e a empresa brasileira. Solíz convocou a imprensa um dia após o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, ter criticado a suspensão, em fevereiro, das negociações entre a empresa e o governo boliviano. Na quarta-feira, Gabrielli disse que "se não tivermos um processo de negociação em curso, claramente em curso, teremos que atrasar decisões", referindo-se a novos investimentos. Apesar das críticas, Gabrielli ressaltou existir entre os dois países "uma dependência mútua". "Eu concordo com o presidente da Petrobras: Bolívia e Brasil se necessitam", disse o ministro, que é autor de livros de defesa da nacionalização dos recursos naturais. Segundo o ministro boliviano, é normal que se decida pela suspensão de novos investimentos, já que os dois lados estão em negociações. Direito O ministro, no entanto, afirmou essas negociações não estão paralisadas, e que a Bolívia tem "direito" a nacionalizar seus recursos naturais porque a medida está prevista, inclusive, na Organização das Nações Unidas (ONU). Ele disse ainda que a Petrobras não respeitou o cronograma de compra de gás e agora quer pagar o preço do ano passado do estoque não consumido e não o preço atual. Nesta quinta-feira, ele reiterou o que também já disse, mais de uma vez, o presidente boliviano, Evo Morales, que não haverá "confisco" ou "expulsão" das empresas, mas que elas devem respeitar as normas do país. A Petrobras é a maior investidora na Bolívia e a única empresa, recordaram seus assessores, que ali tem participação em toda a cadeia produtiva de petróleo e gás – desde a exploração, produção, refino, transporte e comercialização. Mas essa presença também voltou a ser questionada pelo ministro. Segundo ele, dois dos maiores campos de gás da Bolívia – São Alberto e São Antônio – foram entregues à Petrobras quando já eram operadas pela empresa estatal do país. Então, concluiu ele, a empresa brasileira também tem grandes vantagens no país. Com as últimas declarações, Solíz vai deixando claro que, ao contrário do que afirmou à BBC Brasil em janeiro, no dia de sua posse, a Petrobras nao é um "caso especial". Solíz também discordou das críticas de Gabrielli sobre os preços do gás. De acordo com o ministro, é natural que tanto a Bolívia quanto a Petrobras defendam suas referências de preços. Para defender um aumento no preço, a Bolívia se baseia na referência de US$ 5 por milhar de metros cúbicos, estimativa do que deve ser cobrado pela Venezuela do Brasil pelo gás exportado através do gasoduto que, quando construído, vai ligar os dois países. O governo boliviano se baseia também no valor de US$ 7 a US$ 9 que o Chile pagaria no mercado internacional se não tivesse acesso ao gás boliviano importado via Argentina. Atualmente, segundo a assessoria do Ministério, o preço cobrado pela Bolívia ao Brasil, por metros cúbicos ou BTU de gás, é de US$ 3,13. O problema, insistiu o ministro, é que a Petrobras nao vem cumprindo o cronograma de compras estabelecido no contrato em vigor e que vale até 2019. Ele afirmou que a Petrobras pretende comprar agora o estoque não importado da Bolívia no ano passado pelo preço daquele período, em torno de US$ 3, e não pelo valor atual. |
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