70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 30 de março, 2006 - 20h18 GMT (17h18 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Bolívia quer auditoria nos investimentos da Petrobras

Petrobrás não respeitou o cronograma de compra, diz Soliz
O ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Andrés Solíz, disse que a Petrobras deverá aceitar a inspeção de auditorias independentes que vão verificar se, de fato, a empresa brasileira investiu o que diz no país.

"Acho que (a Petrobras) deve aceitar auditorias independentes", disse ele. "E acho que a Petrobras não verá problemas nisso."

Solíz também foi enfático ao dizer: "Queremos que fiquem como sócios e não como patrões".

As declarações, reproduzidas por sua assessoria de imprensa, foram feitas nesta quinta-feira e aumentam a tensão entre o governo boliviano e a empresa brasileira.

Solíz convocou a imprensa um dia após o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, ter criticado a suspensão, em fevereiro, das negociações entre a empresa e o governo boliviano.

Na quarta-feira, Gabrielli disse que "se não tivermos um processo de negociação em curso, claramente em curso, teremos que atrasar decisões", referindo-se a novos investimentos.

Apesar das críticas, Gabrielli ressaltou existir entre os dois países "uma dependência mútua".

"Eu concordo com o presidente da Petrobras: Bolívia e Brasil se necessitam", disse o ministro, que é autor de livros de defesa da nacionalização dos recursos naturais.

Segundo o ministro boliviano, é normal que se decida pela suspensão de novos investimentos, já que os dois lados estão em negociações.

Direito

O ministro, no entanto, afirmou essas negociações não estão paralisadas, e que a Bolívia tem "direito" a nacionalizar seus recursos naturais porque a medida está prevista, inclusive, na Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele disse ainda que a Petrobras não respeitou o cronograma de compra de gás e agora quer pagar o preço do ano passado do estoque não consumido e não o preço atual.

Nesta quinta-feira, ele reiterou o que também já disse, mais de uma vez, o presidente boliviano, Evo Morales, que não haverá "confisco" ou "expulsão" das empresas, mas que elas devem respeitar as normas do país.

A Petrobras é a maior investidora na Bolívia e a única empresa, recordaram seus assessores, que ali tem participação em toda a cadeia produtiva de petróleo e gás – desde a exploração, produção, refino, transporte e comercialização.

Mas essa presença também voltou a ser questionada pelo ministro. Segundo ele, dois dos maiores campos de gás da Bolívia – São Alberto e São Antônio – foram entregues à Petrobras quando já eram operadas pela empresa estatal do país. Então, concluiu ele, a empresa brasileira também tem grandes vantagens no país.

Com as últimas declarações, Solíz vai deixando claro que, ao contrário do que afirmou à BBC Brasil em janeiro, no dia de sua posse, a Petrobras nao é um "caso especial".

Solíz também discordou das críticas de Gabrielli sobre os preços do gás. De acordo com o ministro, é natural que tanto a Bolívia quanto a Petrobras defendam suas referências de preços.

Para defender um aumento no preço, a Bolívia se baseia na referência de US$ 5 por milhar de metros cúbicos, estimativa do que deve ser cobrado pela Venezuela do Brasil pelo gás exportado através do gasoduto que, quando construído, vai ligar os dois países.

O governo boliviano se baseia também no valor de US$ 7 a US$ 9 que o Chile pagaria no mercado internacional se não tivesse acesso ao gás boliviano importado via Argentina.

Atualmente, segundo a assessoria do Ministério, o preço cobrado pela Bolívia ao Brasil, por metros cúbicos ou BTU de gás, é de US$ 3,13.

O problema, insistiu o ministro, é que a Petrobras nao vem cumprindo o cronograma de compras estabelecido no contrato em vigor e que vale até 2019.

Ele afirmou que a Petrobras pretende comprar agora o estoque não importado da Bolívia no ano passado pelo preço daquele período, em torno de US$ 3, e não pelo valor atual.

Instalação nuclearEnergia nuclear
Especialistas querem transparência de programa brasileiro.
Energia
Brasil quer ser referência no setor energético.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
FT: Petrobras defende gasoduto na Amazônia
21 fevereiro, 2006 | BBC Report
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade