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Atualizado às: 28 de março, 2006 - 19h34 GMT (16h34 Brasília)
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Discurso de Mantega não tranqüiliza Wall Street

Guido Mantega
Mantega ainda é visto com reserva pelos investidores
As primeiras declarações do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda não foram suficientes para tranqüilizar os investidores estrangeiros de que ele vai manter a política do seu antecessor, Antonio Palocci.

“Não acreditamos que o modelo macroeconômico brasileiro está correndo risco, baseado nas primeiras entrevistas de Guido Mantega como ministro. Apesar disso, a percepção de risco do governo Lula deve aumentar com a saída de Antonio Polocci e Murilo Portugal”, diz o relatório enviado aos clientes nesta terça-feira de manhã pela Merril Lynch.

Já o relatório do banco ABN-Amro diz que a reação inicial à saída do secretário-executivo Murilo Portugal e do secretário do Tesouro Joaquim Levy, que vai assumir uma vice-presidência no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) foi a venda de reais. Mas os analistas ressalvam que o mercado deve esperar por mais notícias sobre o restante da equipe antes de decidir se a mudança é boa ou não.

Mais do que a saída do ex-ministro Antonio Palocci, já digerida ontem, é a saída de Portugal e de Levy que está provocando dúvidas entre os analistas sobre a manutenção ou não da atual política macroeconômica.

Cautela

As primeiras declarações de Guido Mantega, primeiro afirmando que nada muda e depois defendendo redução mais rápida dos juros, levaram o mercado a adotar uma postura de cautela. Mantega, que na presidência do BNDES fez várias críticas à política de Palocci, ainda é visto com reserva pelos investidores.

Nesta terça-feira de manhã, os juros de longo prazo subiram, o real desvalorizou ainda mais em relação ao dólar e o risco-país subiu, enquanto a Bovespa caiu.

"A saída de Murilo Portugal piora a situação", diz Nuno Camara, economista responsável pela área da América Latina do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), em Nova York.

Antes do anúncio de que o secretário-executivo também estava deixando o governo, na segunda-feira à noite, os analistas consideravam mais provável que a atual política econômica seria mantida.

Segundo mandato

O economista Paulo Vieira da Cunha, da Universidade de Columbia, em Nova York, diz que a substituição de toda a cúpula do Ministério da Fazenda antecipa a discussão sobre que tipo de ajuste fiscal será feito num possível segundo governo Lula.

"A grande dúvida é se Mantega vai ser um soldado que está lá para tapar buraco e executar a política do presidente Lula e depois ir para outro cargo se Lula vencer a eleição ou se continua no cargo. Se for pra ficar, a reação será mais negativa", afirma.

A volatilidade e a alta do dólar esperada para esta época pré-eleitoral, diz Vieira da Cunha, eram vistas pelos investidores como uma oportunidade de compra de ativos, já que a expectativa era de uma acomodação logo em seguida. "Agora esta volatilidade vai começar a ser vista como uma oportunidade de venda", diz ele.

O estrategista de moedas do banco ABN-Amro, Peter Frank, em Chicago, diz que a queda do real em relação ao dólar "não é dramática" quando analisada no contexto dos outros mercados emergentes. "Foi uma reação modesta", avaliou.

Ele diz que existe uma aversão ao risco que está atingindo todos os mercados emergentes por causa da reunião do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, que deve anunciar nesta semana uma nova elevação da taxa de juros nos Estados Unidos.

Frank destaca que a elevação do dólar a R$ 2,2240, nesta terça-feira de manhã, era apenas o nível mais alto desde o início de fevereiro, enquanto o peso mexicano estava com o menor valor desde maio do ano passado.

Ele concorda que a saída de Murilo Portugal despertou uma reação negativa, mas diz que alguns analistas acham que a saída de todos os principais membros da equipe econômica pode ter um efeito político positivo, o que por sua vez abre caminho para um período pré-eleitoral mais estável. "Pode ser bom para o presidente Lula", afirmou.

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