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Atualizado às: 24 de fevereiro, 2006 - 19h21 GMT (16h21 Brasília)
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Palestinos e iraquianos apóiam islamismo nas urnas

Militante do Hamas
Hamas conseguiu vitória histórica em sua primeira eleição
A vitória do Hamas nas últimas eleições palestinas é um dos casos apontados por especialistas como resultado de um grande voto de protesto em um partido islâmico.

O cientista político da Universidade Birzeit, de Ramallah (Cisjordânia), Hisham Ahmed, diz que o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, decepcionou os palestinos.

Segundo ele, o Fatah não conseguiu atender às expectativas que levantou em relação ao processo de paz nem atingir melhorias significativas na vida dos palestinos, que sofrem com sérios problemas de pobreza, desemprego e falta de infra-estrutura.

Ahmed observa que o Fatah também é visto como extremamente corrupto e cheio de figuras que trabalham mais em proveito pessoal do que pelo povo, enquantos os islâmicos desfrutam de imagem de honestidade e dedicação às causas populares.

"Os grupos islâmicos montam grandes estruturas de serviços sociais que atendem às necessidades dos mais pobres e acabam se tornando quase aparelhos paralelos ao Estado. Esses projetos os colocam muito perto do povo", diz o estudioso.

Organização

A proximidade com os eleitores também acaba se dando por meio do convivio comunitário propiciado pela religião. Nos países islâmicos, a mesquita tem no dia-a-dia das pessoas uma presença bem maior do que a da igreja nas sociedades ocidentais, majoritariamente cristãs, mas cada vez mais secularizadas.

Korany diz que os religiosos têm a enorme vantagem de reunir seus partidários cinco vezes por dia, para as rezas prescritas pela religião, e ainda fazer um grande encontro todas as semanas, na importante oração da sexta-feira.

"Numa região em que há muitas ideologias, mas pouca organização ou meios de divulgá-las, um grupo político que se reúne cinco vezes por dia e tem uma assembléia-geral por semana, sem dúvida, leva uma grande vantagem", diz.

Mas políticos seculares dizem que o acontece nas mesquistas não é discussão política, e sim pregação e doutrinação.

"Não há como enfrentar grupos políticos que se colocam como representantes da palavra de Deus e passam todo o tempo aterrorizando as pessoas nas mesquitas sobre o que pode acontecer com elas se eles não votarem nos religiosos", reclama Rifat Al Said.

Iraque

No Iraque, os políticos seculares também acabaram ficando em segundo plano no cenário atual, com exceção das lideranças curdas, que têm objetivos e um eleitorado bastante específicos.

A Lista Nacional Iraquiana, incluindo sunitas e xiitas, liderada pelo ex-primeiro-ministro (do governo transitório pós-invasão) Ayad Allawi, é a maior entre os seculares, mas ficou com apenas 25 das 275 cadeiras do Parlamento.

Além dos religiosos xiitas, que compõem o maior bloco na Assembléia, também os sunitas acabaram se organizando para as eleições em torno de lideranças confessionais.

"Os seculares, liberais e democratas no Iraque estão tentando conseguir o melhor que podem na formação deste novo governo, mas o clima geral é de retirada e decepção”, diz o editor-chefe do jornal Al-Sabah Al-Jadid, Ismail Zaier.

"O resultado dessas eleições no Iraque foi uma clara derrota da democracia. A vitória dos religiosos refletiu a habilidade e o poder desses grupos, mas não a verdadeira vontade do povo", disse o jornalista, que é aliado do ex-primeiro-ministro Allawi.

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