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Brasil vê eleição de Préval como 'melhor solução' para Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O assessor para assuntos internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta-feira que o governo brasileiro considera que o reconhecimento da vitória de René Préval seria a "melhor solução" para o fim da tensão no processo eleitoral do Haiti. "Tendo em conta o clima existente no país, essa seria a melhor solução", disse Garcia, em Brasília. "O ideal seria que os candidatos, além de reconhecer a sua derrota no primeiro turno, reconhecessem que a situação configura claramente a vitória de Préval." Marco Aurélio Garcia revelou ainda que fez contatos políticos com representantes de outros países que integram a missão de estabilização da ONU no Haiti em busca de uma "fórmula que, respeitada a legalidade", permita a eleição de Préval sem a realização de um segundo turno. Maioria Uma das opções para isso, de acordo com o assessor de Lula, seria que o conselho eleitoral haitiano desconsiderasse os votos brancos e nulos, o que garantiria a maioria absoluta dos votos para Préval. Garcia negou que articulações desse tipo sejam uma manobra antidemocrática e reafirmou a preocupação do Brasil com o clima de violência no Haiti e com a possibilidade de que a situação no país piore caso Préval não seja declarado o vencedor das eleições. "O governo brasileiro não está querendo mudar as regras do jogo", disse o assessor de Lula. "Estamos fazendo uma consideração de natureza política, e esse é um problema que somente os haitianos podem resolver." Apuração Os últimos dados divulgados pelo conselho eleitoral haitiano indicam que, com 90% dos votos apurados, Préval tem 48,76% dos votos. O candidato precisaria de 50% mais um dos votos válidos para evitar o segundo turno. Préval, que já foi presidente do Haiti entre 1996 e 2000, acusou as autoridades eleitorais de cometer fraudes para impedir a sua vitória no primeiro turno. Milhares de eleitores de Préval têm saído às ruas para exigir que ele seja declarado vitorioso, em manifestações que já deixaram pelo menos dois mortos. O candidato, ex-aliado do presidente deposto Jean Bertrand Aristide, pediu que seus partidários continuem os protestos, mas de forma pacífica. Na terça-feira, o conselho eleitoral haitiano anunciou que vai criar uma comissão para investigar as acusações de fraude nas eleições realizadas no último dia 7. Missão da ONU O Brasil comanda as tropas da missão de estabilização da ONU no Haiti desde 2004, quando uma revolta popular no país derrubou o então presidente Jean Bertrand Aristide. Entre os dias 3 e 10 de fevereiro, o Haiti viveu a sua semana mais pacífica dos últimos meses com apenas quatro seqüestros ocorridos no país, contra os quase 60 que foram registrados nas semanas de dezembro. Analistas dizem que a relativa calma se deve justamente ao favoritismo de Préval, que teria o apoio de líderes de gangues que estão por trás da violência no país. Nesta quarta-feira, em Brasília, Marco Aurélio Garcia disse ainda que a comunidade internacional tem recomendado que Préval evite "jogar mais lenha na fogueira" e procure o diálogo com seus adversários em busca de um acordo para que não haja segundo turno. "Acho que seria uma iniciativa sensata", afirmou Garcia. "Se Préval efetivamente fizer um gesto nessa direção, as coisas podem ser facilitadas." O assessor de Lula destacou, no entanto, que as considerações do governo brasileiro sobre o processo eleitoral no Haiti não são uma interferência no futuro político do país e que qualquer definição será o resultado de uma "decisão soberana" dos haitianos. Por fim, Marco Aurélio Garcia disse que as tropas brasileiras permanecerão no Haiti "o suficiente para evitar que a violência volte" ao país. "Não devemos trabalhar com prazos cronológicos, mas sim com prazos políticos." |
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