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Países ricos devem 'abrir os cofres', diz Lula na África | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os países desenvolvidos deveriam “abrir seus cofres e estender a mão ao mundo em desenvolvimento”. Lula estava se referindo ao encontro de chefes de Estado, na manhã do próximo domingo, na África do Sul, para discutir a Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC), que praticamente não registrou progressos na última etapa de negociações, realizada em Hong Kong em dezembro. O café da manhã dos líderes de governo - do qual participam o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, entre outros - foi articulado pelo presidente brasileiro, que acredita que o entrave das negociações só pode ser resolvido pelos líderes máximos da nação. “Acho que o papel dos ministros e negociadores chegou ao limite. E quando (a negociação) não anda mais, entra o papel dos líderes políticos, que têm de decidir”, afirmou o presidente. Prioridades O presidente disse que a questão na OMC é uma de suas prioridades no campo internacional, porque “temos de pensar no mundo que nós queremos nos próximos 20 ou 30 anos”. “Se não começarmos agora, o que será da África daqui a 40 ou 50 anos? Nós temos de dar o primeiro passo agora. Este é o momento da negociação, em que os países têm de abrir sua mente, seus corações, seus cofres e estender a mão ao mundo em desenvolvimento”, afirmou. A principal reivindicação do Brasil e de outros países na rodada Doha é o fim dos subsídios agrícolas nos países ricos. Lula conversou com o primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente americano George W. Bush, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e até com o presidente francês Jacques Chirac – o maior opositor ao fim dos subsídios agrícolas – e todos seriam simpáticos à idéia de reduzir os subsídios nos países desenvolvidos. O presidente brasileiro defendeu uma posição dura e enérgica por parte dos países que querem mudar a situação do comércio agrícola atual. “Eu não espero facilidade na mesa de negociações, porque ninguém cede a ninguém. Agora, também não conheço na história da humanidade nenhum interlocutor que cedeu para interlocutor subserviente. Ninguém ganha nada se começar a negociar de cabeça baixa, lamentando ‘Eu sou pobre, não tenho nada, pelo amor de Deus, me dê alguma coisinha'.” Segundo Lula, para um país ser respeitado, tem de se entrar de “cabeça erguida” na negociação. “Por isso somos otimistas.” Lula afirmou que o fim do entrave das negociações da rodada Doha depende dos países ricos e da pressão feita pelos demais em cima dessas nações. Na opinião do presidente brasileiro, o G20, formado por países pobres e em desenvolvimento - do qual o Brasil é um importante porta-voz – pode sensibilizar politicamente os países ricos. Discurso O presidente brasileiro encerrou sua visita de pouco menos de dois dias à Argélia com um discurso num almoço com o presidente e uma cerimônia de troca de condecorações. No discurso, Luiz Inácio Lula da Silva disse que é necessário convencer os “poderosos do mundo” que é mais eficaz combater a pobreza e as injustiças do que construir arsenais milionários, que, na opinião dele, só agravam a insegurança. “O terrorismo é um mal que deve ser combatido com energia e tenacidade. Mas povos livres, bem alimentados, senhores de seus destinos não terão por quê recorrer ao terrorismo”, afirmou o presidente. No meio da tarde, no horário local, o presidente embarcou rumo ao Benin, segundo país a ser visitado por Lula na viagem que faz à África, a quinta desde o início de seu mandato. |
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