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Arábicas: A feminilidade do homem árabe | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No meu aniversário no ano passado, o proprietário da casa-barco que alugo no Cairo me mandou uma mensagem pelo celular com o desenho de uma rosa e o texto "amo você". Numa visita para conhecer o barco, o motorista de uma colega jornalista me deu uma foto 3 x 4 para lembrar dele, enquanto me chamava de "habibi" (algo como "meu querido") e acariciava minha mão. Na semana passada, meu professor de árabe clássico me deu de presente um frasco de perfume de rosas – doce, bem doce, como os que os egípcios costumam usar – para mostrar afeto e me parabenizar por ser um bom aluno. Não parece difícl imaginar o que vai passando pela cabeça de muitos – acredito que a grande maioria – dos leitores desta coluna. Mas não é nada disso! Contato físico Em nenhum desses casos eu era o alvo de uma "cantada" ou de alguma sugestão sexual. O homem árabe – o Egito é um caso particularmente claro - tem atitudes e comportamentos em público que no Ocidente seriam facilmente vistos como indicadores de orientação sexual. O contato físico entre dois homens – andar de mãos dadas ou braços trançados, cumprimentar com beijo no rosto ou sentar no colo, por exemplo – é visto pela sociedade com a mesma naturalidade com que o Ocidente costuma encarar o contato físico entre duas mulheres. Já homens e uma mulheres devem evitar nas ruas qualquer demontração pública de afeto: mãos dadas já atraem olhares e qualquer coisa além disso pode provocar reprimendas diretas. Guias de turismo ocidentais para o Egito costumam advertir para que tudo isto não seja confundidas com homossexualismo, que na verdade costuma ser vigorosamente desaprovado e comumente reprimido com dureza. Homossexuais Os homossexuais vivem nas sombras na maioria dos países árabes, embora entidades de direitos humanos digam que o Marrocos e, principalmente, o Líbano têm sociedades mais tolerantes em relação ao tema. Em alguns lugares, o homossexualismo é proibido por lei e pode dar em pena de morte (como na Árabia Saudita), enquanto outros governos simplesmente afirmam que ele não existe, em absoluto, no país (como a Síria). Mas, na maioria dos casos – como no Egito -, a situação é mais nebulosa: o homossexualismo não é ilegal, mas a prática pode acabar punida com o uso de leis mais genéricas, em geral baseadas na religião. Para evitar problemas, os guias de viagem costumam aconselhar os turistas a adotar a mesma atitude discreta e prudente que é praticada pelos gays locais. Por exemplo, ter bem menos contato físico com um parceiro em público do que dois homens heterossexuais. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Arábicas: Charges reforçaram idéia de conspiração ocidental03 fevereiro, 2006 | BBC Report Arábicas: Homens árabes não tem 'amigas'20 janeiro, 2006 | BBC Report Arábicas: Mundo árabe ainda é o que preocupa Israel13 janeiro, 2006 | BBC Report Arábicas: Eleições têm peso pouco visto no Oriente Médio05 janeiro, 2006 | BBC Report Arábicas: Onde encontrar álcool no Oriente Médio29 dezembro, 2005 | BBC Report Arábicas: Poucos ocidentais aprendem bom árabe21 dezembro, 2005 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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