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Atualizado às: 22 de janeiro, 2006 - 17h17 GMT (15h17 Brasília)
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Hamas adota discurso moderado antes de eleições

Israel é contra participação do grupo militante nas eleições
O discurso das lideranças do grupo militante Hamas está oscilando nestas eleições entre o radicalismo anti-israelense - que está nas suas origens - e uma face mais moderada, que está sendo apresentada nesta disputa parlamentar.

O manifesto de fundação do grupo - escrito em 1988 e nunca modificado - diz claramente que “a Palestina é território consagrado para todas as gerações de muçulmanos até o dia dia do juízo final”. E que nenhum governo, “seja Palestino ou árabe”, tem o direito de negociar a cessão de qualquer parte do território.

Mas nestas eleições parlamentares, muitos líderes e candidatos do Hamas estão adotando um discurso um pouco mais moderado ou simplesmente driblando pereguntas diretas sobre a intenção do grupo - declarada em outros momentos - de lutar pela destruição total de Israel.

“Depois das eleições o Conselho Político do Hamas vai se reunir e decidir que posições serão adotadas em relação a negociações com Israel”, disse à BBC Brasil o candidato do Hamas na Faixa de Gaza, Jamal Skake.

Questões internas

Mas para Skake, a principal preocupação dos militantes islâmicos no momento é a situação interna nos territórios palestinos, “que sofrem com pobreza, desemprego e a grande corrupção do governo dominado pelo Fatah”.

Concentrar-se nas questões sociais e políticas internas - embora sempre responsabilizando Israel pelos problemas - tem sido uma das estratégias do Hamas para atrair votos nestas eleições.

ELEIÇÕES PALESTINAS
Marcadas para 25 de janeiro; data original era julho de 2005
132 parlamentares serão eleitos para o Conselho Legislativo Palestino (PLC)
Fatah e Hamas são os maiores partidos na campanha
Esta é a primeira vez que o Hamas participa de eleições no PLC
Última eleição parlamentar foi em 1996

“O Hamas vai evitar ao máximo entrar em questões políticas da relação com os israelenses, que são muito delicadas para eles por enquanto. E se concentrar em temas sociais, onde eles têm grande inserção e popularidade”, diz Talal Okal, um analista político da Faixa de Gaza.

Mas Okal acredita que o grupo vai lenta e naturalmente começar a favorecer soluções negociadas, à medida em que intensifica sua atuação política.

“Quando o Hamas estava completamente fora da estrutura de poder da Autoridade Palestina era bem mais fácil só atacar e dizer que tudo o que está sendo feito é errado”, diz.

“Mas agora, que o Hamas tem várias prefeituras e deve ganhar deputados nas eleições parlamentares, o grupo vai ter que se envolver nos processos de negociação e solução de problemas que estão nas costas da Autoridade Palestina”, diz.

Popularidade

O Hamas já é tradicionalmente muito forte na Faixa de Gaza mas vêm ganhando cada vez mais terreno também na Cisjordânia, área onde o grupo Fatah sempre foi praticamente hegemônico.

A popularidade do grupo subiu mais alguns pontos depois da retirada israelense da Faixa de Gaza, em agosto, que para muitos palestinos só aconteceu por conta da luta armada, na qual Hamas tem grande participação.

“Mesmo se tivermos que conversar com os Israelenses, é o Hamas que tem gente mais preparada e forte para isso. O Hamas é que mantém erguida a cabeça dos palestinos”, disse o eleitor Mohamed Abu Haruk.

Os israelenses, no entanto, não escondem o desagrado com a presença do Hamas - que eles consideram uma organização terrorista - nas eleições.

Desconfiança

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, diz que os palestinos quebraram os acordos de Oslo - que estabeleceram a realização de eleições no território ocupado - ao permitiram que uma organização envolvida com violência participe da disputa.

Regev não acredita que a entrada do Hamas na política vá afastá-lo da luta armada e aumentar o interesse do grupo no processo de paz.

“Veja o Hizbollah, que se tornou um dos maiores partidos políticos do Líbano mas continua com as mesmas visões radicais que tinha quando era só uma milícia armada”, compara.

Política

O candidato do Fatah na Faixa de Gaza, Amin Al-Hindi, concorda que todos os grupos que entraram nestas eleições o fizeram sob as regras dos acordo de Oslo e têm, portanto, a obrigação de favorecer o processo de paz com Israel.

“A eleição faz parte dos acordos de Oslo. Se o Hamas entrou, ele também está neste quadro”, diz.

Mas o candidato diz que dúvida que o Hamas vai ter de fato um desempenho tão bom como o sugerido pelas pesquisas de intenção de votos e analistas.

“O movimento Fatah já está desde 1965 trabalhando pelos palestinos e as pessoas sabem que estamos no meio de um processo que não pode ser interrompido.”

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