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Terapia de Aids que dobrava risco de morte é cancelada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) decidiu interromper uma terapia experimental que estava sendo testada em milhares de soropositivos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, por causa do alto risco à saúde dos voluntários. Um órgão independente que monitora pesquisas (Data and Safety Monitoring Board, DSMB, na sigla em inglês) recomendou o fim dos testes depois de analisar resultados que mostravam que os soropositivos submetidos à terapia experimental tinham duas vezes mais chance de desenvolver Aids ou morrer. A pesquisa, feita com 5.472 soropositivos em 33 países, era uma das maiores já realizadas no campo do HIV e da Aids. No Brasil, 292 soropositivos participaram da pesquisa. Chamados de Estratégias para Administração de Terapias Anti-Retrovirais (ou SMART, na sigla em inglês e como é conhecida no Brasil), os testes tinham como objetivo determinar qual entre duas diferentes estratégias de tratamento teriam efeitos mais benéficos sobre o grupo analisado. Terapias Parte dos voluntários eram tratados da forma padrão, em que os anti-retrovirais são administrados continuamente. A outra parte recebia o tratamento de forma não contínua, de acordo com o nível de células CD4+, linfócito que serve de indicador de como está funcionando o sistema imunológico do soropositivo. Quando esse nível atingia um patamar mínimo, considerado limite, os anti-retrovirais voltavam a ser administrados. Esses pacientes acabavam recebendo dosagem menor de remédios do que os tratados da forma padrão, o que levou os pesquisadores a considerarem a hipótese de que os problemas relacionados aos medicamentos fossem ser também menores. Não foi o que aconteceu. Além do risco em dobro de progressão da doença (desenvolvimento de Aids e morte), foi observado também um expressivo aumento na incidência de problemas cardiovasculares, renais e hepáticos, associados aos medicamentos anti-retrovirais. "De certa forma, foi uma decepção", resumiu o infectologista José Valdez Madruga, responsável pela pesquisa no Centro de Referência e Tratamento de Aids (CRT), de São Paulo, onde 20 pacientes participaram do SMART. "Tomar menos remédio seria, em tese, melhor para o paciente. Além disso, existe a questão econômica", disse. Na prática, se o tratamento não-contínuo desse certo e fosse amplamente adotado, menos recursos teriam que ser gastos em anti-retrovirais. "A recomendação agora é falar com os pacientes sobre os resultados e reintroduzir o tratamento padrão", disse Valdez Madruga, acrescentando que nenhum dos 20 voluntários que participaram da pesquisa no CRT apresentaram os efeitos negativos presentes nos resultados gerais. De acordo com o NIAID, os voluntários continuarão a ser monitorados pelos pesquisadores que tentarão, agora, descobrir o que está por trás do risco mais elevado de complicações. Segundo o infectologista brasileiro, não há problema ético na pesquisa, já que todo o procedimento foi aprovado por comitês de ética do Brasil e dos Estados Unidos, e o grupo aceitou participar, voluntariamente, dos testes. O Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) faz parte de uma agência do departamento Americano de Saúde e Serviços Humanos. |
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