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Bremer diz em livro que foi ignorado por Rumsfeld | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-administrador americano no Iraque Paul Bremer acabou de lançar um livro em que revela que foram ignorados seus pedidos ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, no sentido de aumentar o número de tropas para lidar com a insurgência no país. O livro Meu Ano no Iraque traz as memórias de Bremer nos seus 14 meses à frente da Autoridade Provisória da Coalizão, de maio de 2003 a junho de 2004, e confirma parte das críticas sobre as falhas da ocupação dos Estados Unidos. De acordo com uma resenha do livro publicada pelo diário The New York Times, Bremer reclama que o Pentágono estava ansioso para "substituir tropas americanas por policiais despreparados iraquianos". Ele conta que enviou em maio de 2003 a Rumsfeld um estudo de importante centro de pesquisas estratégicas americano (RAND) que dizia que seriam necessários 500 mil soldados americanos para estabilizar o Iraque pós-invasão (mais de três vezes o contingente atual). Silêncio Segundo Bremer, Rumsfeld nunca lhe deu uma resposta sobre o relatório. O mesmo ocorreu um ano mais tarde, quando o administrador do Iraque escreveu a Rumsfeld: "A deterioração da situação de segurança desde abril deixou claro, para mim pelo menos, que estamos tentando dar conta de frentes de combate demais com muito poucos recursos". Ele pediu ao Pentágono que estudasse enviar pelo menos mais uma ou duas divisões militares, o que não foi atendido. Paul Bremer confirma também que as informações dos serviços de inteligência que ajudaram a pautar a agenda conservadora americana que levou à invasão estavam distantes da realidade encontrada. Entre os grandes equívocos do pensamento do governo Bush acusados por Bremer estão a idéia de que o próprio petróleo pagaria os custos da reconstrução – o que não ocorreu em razão das freqüentes sabotagens de oleodutos – e a expectativa de que o regime de Saddam Hussein pudesse ser substituído por líderes trazidos do exílio de pouca ou nenhuma credibilidade local. Como esperado, Bremer tenta utilizar o livro para rebater algumas das críticas mais comuns à sua atuação. A mais famosa delas diz respeito à dissolução do Exército do Iraque, antes da convocação de uma nova força nacional. Os críticos dizem que a medida deixou centenas de milhares de iraquianos aptos a lutar e com armas nas mãos desempregados, o que os teria levado a atuar ao lado dos rebeldes insurgentes. Bremer argumenta, como já fazia antes em conversas com a imprensa, que "o antigo Exército já havia desaparecido" no momento em que os soldados desertaram para não ter de lutar contra as tropas invasoras lideradas pelos Estados Unidos. Na versão de Bremer, a dissolução do Exército foi uma medida sobretudo simbólica, para demonstrar à população que haviam sido derrubados os pilares que sustentavam o regime de Saddam. |
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