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Atualizado às: 20 de dezembro, 2005 - 23h48 GMT (21h48 Brasília)
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Para Morales, coca não pode obedecer a interesse dos EUA

Freddy Pari colhe sementes de coca para vender em La Asunta, 200 km ao leste de La Paz.
Evo Morales disse que vai realizar um referendo sobre a coca
O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta terça-feira, em La Paz, que a folha de coca e a luta contra o narcotráfico não podem ser uma desculpa para que os Estados Unidos exerçam poder e controle sobre os governos bolivianos.

“A luta contra o narcotráfico, desde o ponto de vista dos Estados Unidos, não pode seguir sendo um pretexto com interesses geopolíticos”, disse Morales. “A luta contra o narcotráfico não pode ser para instalar bases militares na América Latina.”

O líder boliviano, que surgiu no cenário político do país como representante dos plantadores de coca, condenou a presença de militares americanos na Bolívia e “convocou” o governo dos Estados Unidos a “um pacto de luta efetiva contra o narcotráfico”.

“Defendemos zero de cocaína, zero de narcotráfico. Mas não pode haver, sob o pretexto da luta contra o narcotráfico, zero de coca ou zero de cocaleiros”, afirmou.

Referendo

Uma das bandeiras de campanha de Morales foi defender a “racionalização” da produção de coca na região de Chapare, perto de Cochabamba.

Na entrevista coletiva desta terça-feira, o presidente eleito da Bolívia disse que o novo governo vai realizar um referendo sobre como controlar as plantações de coca em Chapare.

De acordo com Evo Morales, o governo também vai pedir um estudo sobre o mercado legal de folha de coca na Bolívia para decidir se deve aumentar ou diminuir a área de cultivo permitida no país.

Os supermercados bolivianos vendem folhas de coca, que podem ser mastigadas, utilizadas na preparação de chás e em cerimônias religiosas e culturais dos povos indígenas da região.

Atualmente, os produtores das regiões de Chapare e Yungas, perto de La Paz, têm permissão para colher as folhas de coca produzidas em uma área de 12 mil hectares.

Veneno

Como já havia feito no dia anterior, Morales também voltou a defender a tese de que a folha de coca não pode continuar a ser legal na Bolívia e proibida no resto do mundo.

“Não é possível que a coca seja descriminada para a Coca-Cola e criminalizada para a região andina”, afirma o presidente eleito.

“Sempre quando falam da coca estão falando indiretamente do narcotráfico”, acrescenta. “A coca não é cocaína. Portanto, o produtor da folha de coca não é narcotraficante, nem o consumidor é narcodependente. Isso tem que ficar bem claro.”

O novo governo boliviano também promete realizar uma campanha para que a folha de coca seja retirada da lista de venenos das Nações Unidas.

De acordo com Morales, estudos recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), ao contrário de pesquisas mais antigas, demonstram que a folha de coca não é prejudicial à saúde humana.

O líder boliviano também recordou a forte relação que une os sindicatos de plantadores de coca ao MAS (Movimentos ao Socialismo), partido pelo qual venceu as eleições de domingo.

“O MAS, como instrumento político, foi parido pela folha de coca e pela luta por terra e território”, disse Morales. “A terra e a folha de coca fizeram despertar o povo boliviano para assumir responsabilidade não só sindical, mas também política.”

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